quinta-feira, 19 de outubro de 2023

E a luz dos astros?

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As sociedades polarizaram-se e ampliaram os fanatismos e as necessidades de pertença: somos os melhores, somos os primeiros, os nossos primeiro e por aí fora. Há um número inédito - de pessoas e de factos - de fantásticos, de excelentes e de históricos. A pressa pela notoriedade é instantânea e excessiva. Desconvoca a humildade. Passada a euforia, instala-se a frustração que gera mais polarização. Eleve-se o vagar. Aliás, a observação, e a passagem do tempo, recomenda repetir a seguinte lição:


 


"Uma lâmpada cheia de azeite vangloriava-se,


uma noite, perante os que passavam ao pé de si,


que era superior à estrela da manhã,


pois projectava uma luz mais forte que todas.


De repente, sacudida por um sopro de vento


que se levantou, apagou-se. Alguém, que a reacendeu,


disse-lhe: "Brilha, mas deixa-te estar calada, ó lâmpada;


a luz dos astros, essa, não morre".


Bábrio


 


Antologia da Poesia Grega Clássica (2009:465).


Tradução e notas de Albano Martins.


Lisboa, Portugália Editora.

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