A sensação é de que caminhamos vertiginosamente para um mundo distópico onde a IA selecionará alvos e disparará. É pesquisar por Anthropic Claude ou, e num sentido mais amplo, por BlackRock, Vanguard e State Street, ou principalmente pela "monarquia tecnológica" constituída por Curtis Yarvin, Peter Thiel, Elon Musk e Nick Land. As Big Tech, as GAFAM - Google, Apple, Facebook. Amazon e Microsoft - já são um nível inferior de poder. Aliás, impressiona a narrativa sobre a tragédia que atingiu uma escola no Irão onde morreram cerca de duas centenas de pessoas (as crianças e os seus professores). Deixa no ar a ideia de que na nuvem tudo é possível.
E se já se sabia que a democracia mais poderosa do mundo caiu nas mãos da alucinação que se alimenta do ódio, da misoginia, da xenofobia, da provocação, da fanfarronice, da divisão, do racismo, do tudo fazer para irritar com patetices e da mentira incendiária como modo de vida para encher diariamente a agenda mediática, percebe-se agora ainda melhor que o modelo transacional é a prática despudorada de negócios em benefício dos seus e dos seus amigos. Ou seja, ricos cada vez mas ricos e pobres e remediados cada vez mais pobres que votam na regateirice e na venda de banha da cobra convencidos que estão a protestar e que não estão a votar no pior do sistema. Tornou-se insuportável assistir a tamanha monstruosidade, que inclui bombardeamentos "apenas por diversão" - "just for fun", nas palavras do adolescente retardado e estadista do Capitólio -, e não surpreenderá tudo o que se venha a confirmar sobre as ligações fatais destes políticos.
A esperança ainda reside na justiça norte-americana, nos tais poderes e contra-poderes e no peso na consciência dos republicanos. Espera-se que não cheguem demasiado tarde, já que o universo político-mediático repete detalhes preocupantes: desde o "direito internacional que deve ser lido com pragmatismo" até às atenuações semânticas do rapto de Maduro ou do assassinato de Ali Khamenei (e isso independentemente dos juízos que se façam dos dois regimes). De facto, as mentes ocidentais vão sendo paulatinamente anestesiadas e moldadas à distopia. Há, na verdade, lugar para as expectativas mais pessimistas. Como escreve Daniel J. Solove no cartoon (traduzi o texto e agradeço a quem me enviou o desenho por email devidamente identificado), até a IA se pode ter atrasado.
Sem comentários:
Enviar um comentário