segunda-feira, 1 de junho de 2026

Da queda estrutural das democracias ocidentais



Título: Da queda estrutural das democracias ocidentais.

Texto: "Estrangeiros começam a sair para Espanha ou a voltar para casa. Rendas altas, leis desfavoráveis e xenofobia são o que mais dificulta a vida em Portugal", noticiou o Expresso. O crepúsculo das democracias ocidentais é indisfarçável e a decadência acentua-se com a actual presidência dos EUA. Em contraposição, a ascensão da China está patente nesta notícia: "A Europa já não faz carros sem a ChinaA Europa já dominou o sector automóvel na China, mas inverteu-se o ‘sentido de marcha’ e agora está a aprender com os chineses".

É, portanto e repita-se, inegável a queda estrutural das democracias ocidentais. Em síntese, o crepúsculo começou na década de 1980 com a aplicação da receita dos "Chicago boys" (resumidamente: cortes nas políticas públicas e nos impostos dos mais ricos). De facto, é notório que, com a excepção de algumas democracias nórdicas, os países ocidentais nunca se conseguiram libertar da encruzilhada de compatibilizar paraísos fiscais e cortes nos impostos dos mais ricos com serviços públicos de qualidade e com uma economia de mercado que redistribua consistentemente a riqueza durante décadas. Os factos demonstram regimes dominados por oligarquias, tiranias fiscais de minorias e ricos cada vez mais ricos.

E, na verdade, agravou-se. Basta atentar no espaço político-mediático. Com a agenda política dominada pelos temas que interessam à extrema-direita, os processos de "leaks", os offshores e os paraísos fiscais desapareceram. Foram literalmente eliminados. Um cidadão menos atento até pensará que já não existem. Efectivamente, deram lugar a três imperativos que distraem do essencial e servem a agenda ultraliberal: redução do que resta dos direitos laborais e dos apoios sociais dos mais pobres; indústria da guerra; discussão e aprovação de leis xenófobas. Em Portugal, mergulhado num inverno demográfico, muito está a ser feito para acentuar o empobrecimento.

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