segunda-feira, 6 de julho de 2026

Do inédito caos nos exames

 

Percebeu-se um inédito, na História da Educação em Portugal, caos nos exames. Houve erros graves de planeamento. Generalizou-se sem testar devidamente e desvalorizando os sinais do teste do ano passado com o exame de Filosofia. Não faltaram avisos. Além disso, vários professores contestam tecnicamente esta opção ilógica de digitalização, amplamente financiada pelo PRR.

Este processo é semelhante à avaliação externa de grandes organizações, como a OCDE, mas tem um número muito superior, e mais complexo, de dados e com muito menos tempo para digitalizar. Este processo é semelhante à avaliação externa de grandes organizações, como a OCDE, mas tem um número muito superior, e mais complexo, de dados e com muito menos tempo para digitalizar. O Reino Unido e a Índia, por exemplo, têm processos semelhantes de grande volume de dados. Se os seus sistemas educativos não são exemplos a seguir, no caso do Reino Unido esta digitalização é muito profissional e na Índia tem erros semelhantes.

Aliás, é bom que se perceba que os exames foram feitos em papel e, ao que parece, concentrados na Imprensa Nacional Casa da Moeda, em Lisboa. As folhas foram separadas para digitalização. Teme-se que não se consiga reagrupar o exame de cada aluno e se faça uma junção “pouco rigorosa” dos milhões de folhas.

Como se percebeu, a caos instalou-se. À medida que se liam os relatos dos professores classificadores, concluia-se que o processo perdeu credibilidade. De facto, os erros foram inúmeros e graves. A ser assim, os exames podem ser, pela primeira vez, objecto de declaração de nulidade administrativa, uma vez que se receia que os alunos não sejam classificados com rigor. A propósito, devem, se o processo avançar, apresentar recurso e colocam-se várias questões sobre a gestão desses recursos a começar pela exigência do acesso gratuito à prova.

Por outro lado, espera-se a sensatez de não repetir o pesadelo na segunda fase. Quanto aos governantes, devem, em primeiro lugar, assegurar que nenhum aluno seja prejudicado (claro que já não é possível com a alteração do calendário) e concretizar as matrículas para o próximo ano lectivo. Se dá ideia que já se assumiu que os primeiros responsáveis devem sair de cena, é crucial que prestem todas as contas das decisões de planeamento e financiamento e que sirva de lição quando tudo indica que se conjugou um dueto fatal na gestão das organizações: atrevimento e soberba.

2 comentários:

  1. Em 1978 ou 79 os exames do antigo sétimo ano foram todos anulados porque se descobriu que alguns tinham sido furtados antes. Ey fui uma das vítimas e tive de repetir tudo. Neste casa, o mínimo era demissão imediata do ministro e assessores

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