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domingo, 29 de junho de 2014

não têm emenda

 


 


 


 


Insisto na recente afirmação de António Costa, "o Governo de Sócrates promoveu uma injusta guerra aos professores", porque o signatário fez parte desse Governo durante os dois ou três primeiros anos, tem fortes possibilidades de ser primeiro-ministro e parece transportar os mentores de tão grave e comprovado acto. Costa sabe do que fala e fez a afirmação, inédita entre os socialistas conhecidos, porque quis. Não deve, portanto, acontecer um qualquer apagão com os beligerantes a desenvolverem os tradicionais revisionismos históricos.


 


Nem de propósito Lurdes Rodrigues é entrevistada pelo Expresso desta semana. Sem o relevo doutros tempos, mas com um título digno de quem lida amiúde com engenharias sociais tão caras aos totalitarismos. Sou franco: há muito que perdi a paciência para esta personagem que mistura fanatismo com um desconhecimento arrepiante da cultura organizacional das escolas e que não tem qualquer prova dada nesse último domínio.


 


A entrevista tem vários aspectos com que concordo; desde logo com a crítica aos ensinos dual e vocacional e com outros postulados do mesmo nível.


 


Contudo, sublinhei a vermelho os que evidenciam a desumanidade dos generais tresloucados que provocam guerras e que, naturalmente, não têm emenda.


 


Do estatuto do aluno à relação da autonomia das escolas com a necessidade de mais burocracia para prestação de contas, conclui-se o que sempre se desconfiou: Lurdes Rodrigues está ao nível da repartição pública anterior à sociedade da informação e do conhecimento e comparou as carreiras dos professores ao que se passa nas instituições militares. Recorde-se que esta ex-ministra também considerou a autonomia despesista (percebe-se ainda melhor o seu conceito burocrático de prestação de contas talvez inspirado num qualquer euroviete supremo) e foi no seu mandato que se inventou o desmiolado modelo de gestão escolar em curso.


 


Mas vai mais longe: não reconhece, naturalmente, a irracionalidade da torrente alicerçada em critérios administrativos (porquê sete anos?) que designou por concurso para professores titulares ou a brutalidade daquela avaliação desenhada no MEC com 4 dimensões e 25 domínios que resultaram em 100 indicadores e 1000 (sim, 1000) descritores inaplicáveis para pontuar professores de 1 a 10 e com o uso de quotas. Esta dilaceração da atmosfera relacional era "sempre para ontem" (a senhora tinha epifanias vincadas e generalas) e acabou por ser classificada como "fascismo por via administrativa" por um dos primeiros arrependidos. E conclui sem qualquer emenda: "os governos recuam porque a contestação fica insuportável".


 


É, portanto, fundamental que fique claro o papel destes actores beligerantes.


 


 



 


 


 


 


 


 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

de vexame em vexame

 


 


 


 


Pesei bem o título e podia usar os substantivos do costume como humilhação e vergonha.


 


Como se tinha previsto, a já longa alienação vigente vexa diariamente os professores. Desta vez é a prova de avaliação para os professores contratados.


 


São os telejornais que abrem com o assunto ou os jornais diários que incluem o tema em primeira página e ainda estamos nos primeiros episódios do desmiolo. Um enjoo difícil de suportar.


 


Por outro lado, nas redes sociais tropeça-se com os justos apelos à não comparência ou com graves, e também justos, apontares de dedo a quem aceite corrigir as ditas. Um desvario e um movimento uniformemente descendente para a profissionalidade dos professores. Dá ideia que a tutela, e quem os "spina", lá consegue instituir a miséria e virar professores contra professores. O medo, e o medo de ter medo, corporiza a planeada dilaceração da atmosfera relacional e profissional.


 


Este tipo de vexame é cíclico. Foi assim com os professores titulares, com a entrega de objectivos individuais no modelo de avaliação mais insano que se conheceu, com a aceitação de cargos de avaliadores, com as primeiras participações no modelo de gestão e por aí fora. São anos a fio de uma negatividade que parece não ter fim.


 

domingo, 22 de setembro de 2013

da memória

 


 


 


 


A discussão à volta da tortura parece estar na moda nos EUA. Escolhi o dia 28 de Maio de 2008 para publicar um post sobre o assunto: "(...)Estado de excepção é um conceito utilizado pelo filósofo italiano Giorgio Agamben e inicialmente definido por Carl Schmitt. Preocupado com as derivações das nossas democracias, que legitimam ideias e práticas típicas das ditaduras, Giorgio Agamben recusou participar numa conferência nos USA para não ter de se sujeitar a passar pelo crivo securitário dos aeroportos. "Está em causa a minha liberdade" - afirmou. Forte crítico do que se passou em Guantânamo, Giorgio Agamben alerta-nos para um conjunto de fenómenos que podem corroer os alicerces das democracias ocidentais.(...)É bom recordar que foi sempre assim: de perda em perda até à ausência objectiva e subjectiva de direitos e com as justificações monetaristas e do equilíbrio das contas." 




Para além do extremo "Guantânamo", os ultraliberais, onde se incluem sociais-democratas e socialistas, têm, em nome dos ajustamentos orçamentais, sujeitado os grupos profissionais mais numerosos a práticas de-dor-intolerável-em-massa (estou a pesar muito bem). Foi assim no caso France Telecom que só terminou após mais de trinta suicídios e com a ajuda do psiquiatra Christophe Dejours. Sim, um psiquiatra: a tortura não é apenas perpetrada no físico. Exemplos da mesma família executaram-se em Portugal, em 2007, com a avaliação de professores e com os concursos para professores titulares. O flagelo teve fim, ou foi atenuado, depois da "fuga", com brutais penalizações, de milhares de professores. Nem sei se os mentores do terror burocrático têm consciência do "crime" e se tentam algum branqueamento através da publicação de sei lá o quê. Mas é natural que tentem e basta olharmos para o que vão dizendo os professores, e outros cidadãos, que presenciaram ou sofreram os horrores nessa época. A oportunidade e o oportunismo são céleres a eliminar a memória.


 


É certo que os professores portugueses continuam perseguidos. Serão sempre muitos para esta vaga de ultraliberais. São despedidos em massa e há milhares em estado de uma permanente humilhação que vai ao osso da profissionalidade. A carga de burocracia acéfala, motivada por uma desconfiança que arrepia, faz o resto.


 


 


 

quinta-feira, 8 de março de 2012

a inconstitucionalidade e os professores titulares

 


 


O desrespeito com que alguns decisores, que em muitos casos não prestaram sequer provas públicas que se reconheçam, trataram os professores da escolas públicas do ensino não superior, que na maioria dos casos prestaram contas publicas em processos de longa duração até contratualizarem a sua situação profissional com o Estado, vai-se evidenciando de forma que reafirma a justeza dos nossos argumentos.


 


O processo (sim, o processo com a mais legítima conotação kafkiana) dos professores titulares foi um exemplo maior. Desde os critérios do concurso que se circunscreveram a uma epifania encontrada num momento propício aos achamentos, até às questões da carreira referidas na notícia, há um rol de injustiças nas colocações de professores titulares que seriam consideradas "impossíveis" há menos de uma década. Aliás, a saga dos concursos nos tempos dos Governos de Durão Barroso e de Santana Lopes iniciou um processo de atropelos que arrepiou quem se norteia pelo mais elementar sentido de estado.


 


Existem professores titulares que nos concursos seguintes não se puderam candidatar a vagas do quadro que lhes interessavam, mas que eram classificadas como destinadas a não titulares, e que as viram ocupadas "definitivamente" por professores menos graduados. O processo que definiu as necessidades dos quadros das escolas foi terraplenado pouco depois e o provimento dos titulares deixou, justamente, de existir. É, também inequivocamente, um Estado em estado de sítio legislativo e de direitos.


 


 


Provedor de Justiça pede inconstitucionalidade de uma das normas do Estatuto da Carreira Docente


 


O Provedor de Justiça requereu a inconstitucionalidade de um dos artigos do Estatuto da Carreira Docente por considerar que uma parte dos cerca de 30 mil antigos professores titulares acabou por ser ultrapassada por docentes com menos tempo de serviço.

quinta-feira, 10 de março de 2011

fragmentos

 



 


 


Não adiantam os eufemismos: as relações entre professores estão mais tensas do que em 2008 e isso pode ser mais explosivo. Houve um aspecto que me impressionou na queda dos titulares: o desespero de alguns titulados com a perda da condição.


 


Agora, deixa-me meio-boquiaberto o desconforto com a possibilidade de suspensão do desmiolado modelo de avaliação. Porque têm um excelente em perspectiva (santa ingenuidade e divina oportunidade) ou porque alcançaram uma posição inesperada na hierarquia da má papelada, os olhares manifestam desconforto com a inevitabilidade da queda. 


 


Estamos na presença de um fenómeno apenas discernido por uma qualquer lógica Husserliana e é perante mais essa pequena barreira que a razão se esforça por prevalecer.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

sejamos sérios

 


 


Não me quero repetir, mas haverá alguém responsável pela presença numa qualquer mesa de negociação que não tenha percebido, ainda em 2009, que não haveria aumentos salariais nem progressões na carreira nos próximos anos? Ou não repararam na chuva de milhões que foram metidos nos mercados para que a grande depressão não acontecesse de imediato? Se não viram nada disto é grave. Eu vi, e sou apenas um blogger não alinhado, e escrevi-o vezes sem conta; como aqui.


 


Por isso, é quase obsceno remediar o que se está a assistir com devaneios do tipo: mas os professores voltam a garantir as progressões na carreira. Logo no mesmo dia leram o que está aqui para que ninguém se esqueça: neste e nos próximos anos não existirão progressões e quanto a aumentos salariais será melhor meter outro vocábulo na nomenclatura: reduções.


 


Se já se sabia que seria assim, se os titulares (a divisão, salvo seja) e o monstro da avaliação se derrotaram a si próprios, e pela acção dos professores, ainda em finais de 2008, digam-me por favor: o que é que negociaram da gestão escolar, dos horários dos professores, da rede escolar, do inferno da burocracia, da escola a tempo inteiro, dos salários dos professores das AEC´s e por aí adiante.


 


Mas o que mais me aborrece é o seguinte: como é que os resultados do primeiro ciclo de avaliação influenciam a graduação em concurso dos professores contratados? Digam-me lá?


 


Francamente; muito francamente. Não assinaria um qualquer acordo sem que questões como esta estivessem decididas de forma inequívoca.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

foi delírio ou não foi?

 


 



Foi daqui


 


 


Não tenho a mania, mas não tenho mesmo, que sou bruxo. As únicas coisas em que me reconheço é no estudo, no trabalho persistente, em alguns assuntos (Educação e sistemas de informação, por exemplo) e numa razoável curiosidade por várias matérias.


 


Nos primeiros três anos (o correntes vai fazer seis) raramente escrevi sobre Educação. Tinha o blogue para outras coisas. Todavia, o anterior governo não me deu margem de manobra e ainda hoje o continua a fazer.


 


Em 8 de Junho de 2007 (já lá vão três anos) escrevi um texto sobre o concurso para professor titular. Por acaso, encontrei-o no arquivo do blogue e resolvi republicar. E se o assunto era o que referi e o desfecho foi o que vai ler e o que se sabe, a única coisa que me resta acrescentar é o seguinte: foi sobre os titulares, mas se tivesse sido sobre a avaliação, a gestão, os horários dos professores ou a escola-armazém, o resultado era o mesmo.


 


 


Procuro escrever, e pensar, sobre assuntos que me obriguem a raciocinar; por vezes, e como sou professor, não resisto à tentação de ancorar em temas relacionados com a minha actividade profissional; se não é docente, meu caro leitor, peço-lhe desde já as minhas desculpas.



Passei uma pequena parte dos meus últimos dias à volta da candidatura a professor titular. Por via disso, e por causa da ajuda que me foi solicitada na minha escola e também pelo apoio a alguns colegas que sentem um menor conforto no preenchimento de formulários electrónicos, acabel por ter de perscrutar o raciocínio de quem gerou e criterizou o tipo e as regras deste concurso.



Só consigo imaginar o delírio que tudo isto deve ter estabelecido: pensar e inventar as regras; discutir os critérios e estabelecê-los; seleccionar o modelo de concurso; estabelecer os formulários electrónicos; analisar e programar os sistemas de informação; enfim, é só dar asas à imaginação.



E digo delírio porquê? 



Consultemos um dicionário: "delírio - desvio mórbido da razão contra o qual não valem a experiência nem a argumentação lógica e em virtude do qual o indivíduo se afasta cada vez mais da realidade".



Daqui uns tempos ficaremos a saber se valeu a pena tanta angústia, tanto trabalho burocrático, tanta mesquinhez, tanta zanga, tanta humilhação e tanta indisposição: e com tanto por fazer.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

a semente do diabo

 



Foi daqui.


 


 


 


As políticas educativas dos últimos quatro anos foram muito abrangentes: demoliram o poder democrático da escola, tentaram denegrir a imagem social dos professores, deram corpo a um projecto de "escola armazém", foram o farol do instalado inferno burocrático emanado do poder central e, em suma, concretizaram o liberalismo selvagem dos neo-conservadores americanos por via da OCDE.


 


Mas há aspectos positivos, sem dúvida. A renovação do parque escolar do primeiro ciclo e das escolas secundárias e os esforços de formação profissional e de novas oportunidades (embora, e no segundo caso, a propaganda tenha feito muitos estragos).


 


A destruição do poder democrático da escola localizou-se em três ou quatro diplomas: titulares, monstro da avaliação, gestão escolar e agrupamentos de escolas. A sua associação remetia-nos para uma estrutura de hierarquia centralizada e em pirâmide (tipo militar) em que o unipessoal é sinal de competência e o colegial significa desperdício e ausência de liderança; um logro e um pesadelo, como se comprova.


 


Se fizermos um rápida retrospectiva histórica, podemos afirmar que já derrotámos a semente do diabo: a divisão em titulares e nos sem título. E se isso era para muitos um vitória impossível, a sua efectivação só nos pode dar esperança no futuro.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

do fenómeno santo onofre

 



Foi daqui.


 


Os professores não se podem queixar muito da duração desta luta a partir do momento em que 80.000 entregaram uns mistificadores objectivos individuais uma semana depois de 120.000 se terem manisfestado com a mais comovente das veemências. É assim a natureza humana. Mas os 40.000 que resistiram, e que em alguns casos sofreram dissabores, viram uma quase unanimidade dar-lhes razão e conseguem que os justos benefícios se apliquem a todos. Vai ser decretado o fim do monstro burocrático da avaliação.


 


Recordo-me do concurso para professor titular, onde uma minoria tentou a "desobediência civil" da não participação num processo com critérios injustos, e em que apenas uma ou duas dezenas se decidiu pela não candidatura. Pois foi: uma ou duas dezenas, estou seguro disso. E quase ninguém acreditava, mas o mais difícil dos objectivos está derrubado. E não me venham com a excrescência de quem lutou mais ou de quem batalhou menos: se foram os titulares ou os sem título: vimos, e como habitualmente, de tudo e em ambas as categorias, embora o reposição da equidade contemple todos.


 


O processo da gestão escolar tem, naturalmente, contornos semelhantes. Foram poucas, muito poucas mesmo, as escolas ou agrupamentos que ficaram para o fim. Restou-lhes o isolamento. Algumas até se tornaram em "bastiões" da resistência, como foi o caso de Santo Onofre. Mas, e neste caso que conheço bem, quase nada foi concertado. O fenómeno Santo Onofre obrigaria a um extenso relambório que não cabe neste formato. O que se registou, nos últimos meses, foi uma fragmentação das posições. O agrupamento tem onze escolas e mesmo na escola sede não pensam todos do mesmo modo. O processo neste agrupamento teve ontem mais uma etapa com o método concursal/eleitoral para a escolha do director. Não se conhece ainda a visão estratégica e prospectiva do projecto vencedor nem tão pouco a composição do órgão de direcção e existe ainda o decurso de uma luta jurídica iniciada pelo Conselho Executivo destituído em Abril de 2009. Temos de aguardar.


 


Mas a gestão escolar tem também desenvolvimentos em sede de negociação entre o governo e os sindicatos. Espera-se, a exemplo das outras matérias, que se encontrem soluções para que o poder democrático da escola pública não continue, também comprovadamente, pelas ruas da amargura. E já se sabe: o que quer que se venha a decidir, será para benefício de todas as escolas.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

sábado, 25 de julho de 2009

acesso a professor titular

 


 


 


 


(encontrei esta imagem aqui)


 


 


 


Segundo o secretariado nacional da Fenprof o actual ME prepara-se para enganar os professores no acesso a professor titular.


 


Ora leia esta nota à comunicação social.


 


 "NOTA À COMUNICAÇÃO SOCIAL


 


ACESSO A PROFESSOR-TITULAR:


M.E. PREPARA-SE PARA ENGANAR OS PROFESSORES!


 


Os directores dos centros de formação das associações de escolas estão a convocar os directores de escolas, constando, na Ordem de Trabalhos das reuniões, o ponto “constituição do júri da prova pública de admissão ao concurso de professor titular”.


Este ponto é, no mínimo, estranho, na medida em que, de acordo com o próprio ME – e ao contrário do que antes tinha divulgado – não terá lugar qualquer concurso extraordinário e o concurso “normal”, que se encontra previsto na legislação em vigor, já não se realizará na presente Legislatura.


 


Estranhou-se, por essa razão, não só a pressa em regulamentar a prova de acesso, como a constituição deste júris.


 


Sabe-se, agora, o que pretende o Ministério da Educação: com a proximidade das eleições legislativas, há que enganar os professores, criando-lhes falsas expectativas quanto à possibilidade de progredirem na carreira, designadamente através do acesso a professor-titular.


 


Efectivamente, os responsáveis do Ministério da Educação preparam-se para, apressadamente, regulamentarem a prova de acesso a professor-titular, pois essa será a forma de, por um lado, criarem uma grande expectativa em milhares de docentes que, encontrando-se a meio da carreira, ficaram impedidos de progredir; por outro, será absolutamente inócua, para o ME e para os professores, a realização desta prova, pois não terá qualquer efeito prático. Isto porque:


 


1.º- Para ter acesso a professor-titular é necessário que o Ministério das Finanças autorize a abertura de concurso, sabendo-se, já, que este não se realizará na presente Legislatura;


 


2.º- Para poder progredir até aos escalões de topo da categoria de professor (6.º e 7.º escalões) não basta que os docentes tenham realizado a prova com sucesso, é preciso que tenham sido candidatos ao concurso e não tenham obtido vaga.


 


Portanto, sem a realização do concurso – que, já se sabe, não terá lugar – podem ter lugar todas as provas de acesso que ninguém acederá à categoria de professor-titular.


 


Estamos, pois, perante mais uma manobra de um Ministério que não tendo nada de bom para os professores, procura criar-lhes falsas expectativas que apenas desencadearão novas frustrações, para além de confirmarem um profundo desrespeito pelos professores.


 


Relativamente à divisão da carreira em categorias hierarquizadas, os professores e educadores sabem o que pretendem do Governo (já não deste, que está de saída, mas do próximo): a sua eliminação, sendo essa uma das primeiras reivindicações a apresentar aos futuros governantes.


 


Com a pressa colocada na organização e realização desta prova, a actual equipa ministerial pretende, ainda, colocar o próximo Governo perante um facto (quase) consumado e uma realidade que, todavia, é contornável: a fractura da carreira docente e a consequente categorização dos professores e educadores. Os professores já provaram, várias vezes, que rejeitam esta divisão e saberão lutar contra ela, não esquecendo que, com excepção do PS, já todos os partidos políticos se comprometeram com a sua anulação.


 


 


O Secretariado Nacional"

sexta-feira, 3 de julho de 2009

dá ideia que muitas vezes é assim: daqui a três anos vê-se

 



(encontrei esta imagem aqui)


 


 


Mas o tempo passa e depois a coisa começa mesmo a doer. Parece que é isso que está acontecer no ministério da Educação (ME) em relação aos concursos de professores e à absurda divisão da carreira em titulares e sem título. E não é de estranhar. Em Portugal é hábito ter-se uma ideia e aplicá-la sem qualquer estudo sobre o seu impacto a médio ou longo prazo: "depois logo se vê, que chatice; ainda faltam três anos".


 


Que as pessoas que ainda ocupam cargos no ME revelaram o mais profundo desrespeito pelos professores portugueses, é assunto mais do que conhecido e certificado. Mas tendo em consideração que estamos em 2009, e em plena segunda década da sociedade da informação e do conhecimento, é inadmissível que os concursos de professores tenham entrado novamente neste estado de perfeito desnorte. Andaram três anos a fazer o quê?


 


Quanto aos professores titulares, é o que já se sabe. Ficaram nessa condição voluntária, é certo, através de uns critérios absurdos e exerceram os seus cargos numa clara discriminação de direitos e deveres em relação aos seus colegas que não estão nessa condição. E para bradar ainda mais aos céus, são prejudicados nos concursos de professores. Há professores titulares que estão há anos à espera de uma vaga perto da sua habitação. Essa vaga agora existe. Mas não podem concorrer: o novo inquilino terá de ser um não titular (apenas porque o que sai também não é titular e por nenhum outro motivo) que estará muitos lugares abaixo numa qualquer lista de graduação. Se tudo isto não foram ideias de pessoas incompetentes, então só nos podemos interrogar: estavam no seu perfeito juízo?

quinta-feira, 4 de junho de 2009

prendas

 


 



(encontrei esta imagem aqui)


 


Ministra tem "prenda" para titulares: mais formação aos sábados sobre avaliação de desempenho


 


"Se o colega titular quiser ter os sábados ocupados, durante o ano lectivo de 2009/2010, vote no PS. A ministra da educação tem um "prenda" escondida para si: formação contínua em avaliação de desempenho aos sábados. Não, não estou a brincar. Se o PS voltar a ganhar as eleições com maioria absoluta, é isso que espera os titulares. Na sequência de mais uma recomendação do CCAP - formação especializada de média e longa duração em avaliação de desempenho para os avaliadores - a ministra prepara-se para elaborar um Pim Pam PUM para os professores titulares. E já conta com o beneplácito das Escolas Superiores de Educação. Todas, mas todas, aguçam o dente para mais esse petisco. E os profissionais do eduquês salivam de contentes perante a visão de mais uma oportunidade para lançarem veneno sobre as escolas e os professores. E, pelo meio, sempre arrecadam uns euros à custa da saúde física e mental dos professores do básico e secundário."


 


 


Esta entrada de Ramiro Marques confirma o que já dei conta noutras entradas: vem aí um novo quadro comunitário de apoio, os gulosos do costume preparam-se para o banquete conhecido e a formação contínua dos professores continua entregue à certificação em má burocracia.


Que raio de país este onde a desorientação tem instalação assegurada e duradoura. Chega a ser chocante ter de conviver anos a fio com este mar de salve-se quem puder. É mais uma vez, e repeti-lo-ei as vezes que forem necessárias, uma verdadeira detonação no seio do ainda tímido poder democrático das escolas.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

cosmética

 


 



 


As negociações entre o ministério da Educação e os sindicatos de professores continuam. A última novidade prende-se com a abolição das vagas no acesso à carreira de professor titular.


 


Ora lei a notícia da responsabilidade da agência Lusa. Da prova de acesso nada se fala. E o tempo vai passando e os professores continuam sem progredir e com a carreira dividida com base em critérios que humilharam grandes profissionais.


 






O Ministério da Educação manifestou-se esta quarta-feira disponível para abolir a existência de vagas no acesso à categoria de professor titular, a segunda e mais elevada da carreira docente, anunciaram sindicatos de professores.


Em declarações à Agência Lusa, a presidente da Associação Sindical de Professores Licenciados (ASPL), Fátima Ferreira, afirmou que o ministério “mostrou-se disponível para ceder relativamente às vagas, acabando com os constrangimentos administrativos no acesso à categoria titular”.


O Governo e os sindicatos de professores começaram hoje a segunda ronda negocial de revisão da estrutura da carreira. De acordo com o Estatuto da Carreira Docente (ECD), apenas um terço dos professores pode aceder a titular, ou seja, aos cargos de supervisão, coordenação e avaliação.


O presidente da Federação Nacional de Ensino e Investigação (FENEI), Carlos Chagas, confirmou à agência Lusa a proposta apresentada durante a reunião pelo secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, sublinhando, no entanto, que “não foi entregue nenhum documento por escrito”.


“Deixaria de haver fixação de vagas. Os docentes poderiam aceder a titular através de uma prova nacional e tendo em conta a avaliação de desempenho, um número mínimo de tempo de serviço e formação especializada para o exercício de cargos de avaliação, coordenador e supervisão”, afirmou Fátima Ferreira, sublinhando que o governante foi parco em pormenores.


Segundo Carlos Chagas, o secretário de Estado admitiu mesmo que os limites no acesso à categoria de professor titular poderiam ser determinados através da dificuldade daquela prova.


Apesar da cedência da tutela, Fátima Ferreira afirmou que a proposta é ainda “muito insuficiente”, já que a ASPL não abdicará do fim das categorias hierarquizadas e das quotas para a atribuição das classificações de “Muito Bom” e “Excelente” no âmbito da avaliação de desempenho.


“Para nós é insuficiente”, reiterou o presidente da FENEI.



 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

dividir

 



 


 


Um dos secretários de estado do actual ministério da Educação, e em pleno naufrágio de mais um intitulado simplex da avaliação do desempenho dos professores, o simplex 2 (eu prefiro o reduzido 2, mas enfim), vem anunciar medidas no sentido de premiar de modo pecuniário os professores que se destaquem: quer por prémios de desempenho quer através da criação de novos escalões.


 


Não há nada a fazer. Estes dirigentes encharcaram-se, tipo overdose, em medicações excessivas nos combinados de cotas e de hierarquias meritocráticas e dali não saem: por muito que lhes entre pelos olhos dentro o completo falhanço desse tipo de modelo organizacional, parece não conhecerem mais mundo para além da suas receitas.


 


E tem de se compreender o desabafo do secretário-geral da Fenprof: "parece que estão a gozar com os professores". Ou isso, ou então, sabe-se lá, convencem-se da possibilidade de alastramento dos comportamentos de alguns professores mais escorregadios em termos éticos: fazem suas essas balizas.


 


Especializaram-se na táctica da divisão e ignoram a estratégia da cooperação, digamos assim. Nada que não se tivesse percebido há muito.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

uma leitura obrigatória

 


 


A escritora Lídia Jorge publica, hoje, dia 9 de Janeiro de 2008, um texto no jornal Público que me atrevo a considerar de leitura obrigatória.


 


Ora leia.


 


 



"A titularidade foi dada a professores bons, excelentes, maus e muito maus. Não premiou nada, porque baralhou tudo. Ficarão por muito tempo célebres os braços-de-ferro que Margaret Thatcher manteve com os sindicatos do Reino Unido, como conseguiu vencê-los, e como à medida que os humilhava, mais ia ganhando o eleitorado do seu país. Na altura a primeira-ministra britânica era a voz da modernidade liberal, criou discípulos por toda parte, e ainda hoje, apesar do negrume da sua era, há quem se refira à sua coragem como protótipo da determinação governativa. Mas neste diferendo que opõe professores e Governo, está enganado quem associa o seu perfil ao de Maria de Lurdes Rodrigues. Se alguma associação deve ser feita - e só no plano da determinação -, é bom que o faça directamente com a pessoa do primeiro-ministro.

De facto, a equipa deste Ministério da Educação tem-se mantido coesa, iniciou reformas aguardadas há décadas, soube transferir para o plano da realidade as mudanças que em António Guterres foram enunciadas como paixão, conseguiu que o país discutisse a instrução como assunto de primeira grandeza, fez habitar as escolas a tempo inteiro, fez ver aos professores que o magistério não era mais uma profissão de part-time, arrancou crianças de espaços pedagógicos inóspitos, e muitos de nós pensámos que a escola portuguesa ia partir na direcção certa. Quando José Sócrates saía com todos os ministros para a rua, nos inícios dos anos lectivos, via-se nesse gesto uma determinação reformista que augurava um caminho de rigor. Não admira que o primeiro-ministro várias vezes tenha falado do óbvio - que era necessário determinar quem eram, na escola portuguesa, os professores de excelência. Era preciso identificá-los, promovê-los, responsabilizá-los, outorgar-lhes credenciais de liderança. Era fundamental que se procedesse à sua escolha. Mas a sua equipa legislou sobre o assunto e infelizmente errou.


2.Errou ao criar, de um momento para o outro, duas categorias distintas, quando a escola portuguesa não se encontrava preparada para uma diferenciação dual. A escola portuguesa tinha o defeito de não diferenciar, mas tinha a virtude de cooperar. O prestígio do professor junto dos alunos e dos colegas não era contabilizado, mas era a medida da sua avaliação. Pode dizer-se que era uma escola artesanal que necessitava de uma outra sofisticação. Mas, para se proceder a essa modificação com êxito, era preciso compreender os mecanismos que a sustentavam há décadas, e tomar cuidado em não humilhar uma classe deprimida, a sofrer dia a dia o efeito de uma erosão educacional que se faz sentir à escala global. Só que em vez da aplicação cuidadosa e gradual de um processo de mudança, a equipa do Ministério da Educação resolveu criar um quadro de professores titulares, a esmo, à força e à pressa. No afã de encontrar a excelência, em vez de se aplicar critérios de escolha pedagógica e científica, aplicaram-se critérios administrativos, de tal modo aleatórios que deixaram de fora grande percentagem de professores excelentes, muitas vezes os responsáveis directos pelo êxito pedagógico das escolas.

O alvoroço que essa busca de um quadro de excelência criou está longe de ser descrito devidamente. Basta visitar algumas escolas para se perceber como a titularidade está distribuída a professores bons, excelentes, mas também a maus e muito maus, e foi negada a professores competentes. Isto é, criou-se um esquema que não premiou nada, porque baralhou tudo. Os erros foram detectados por muita gente de boa fé, em devido tempo, mas o processo avançou, a justiça não foi reposta, nem sequer a nível da retórica política. Pelo contrário, aquilo que a razão mostrava à evidência foi sendo desmentido, adiado, ridicularizado, ou desviado para o campo da luta sindical dita de inspiração comunista.


3.O segundo instrumento ao serviço da excelência não teve melhor sorte. Era preciso inaugurar nas escolas uma cultura de responsabilidade que até agora fora relegada para determinismos de vária ordem, menos os estritamente pedagógicos, o que era um vício da escola portuguesa, pelo menos até à publicação dos rankings. Mas aí, de novo, a equipa do Ministério da Educação funcionou mal. Se os campos de avaliação do desempenho dos professores estão mais ou menos fixados, e começam a ser universais, os parâmetros em questão foram pensados por mentes burocráticas sem sentido da realidade, na pior deturpação que se pode imaginar em discípulos de Benjamin Bloom, porque um sistema que transforma cada profissional num polícia de todos os seus gestos, e dos gestos de todos os outros, instaura dentro de cada pessoa um huis clos infernal de olhares paralisantes. Ninguém melhor do que os professores sabe como a avaliação é um logro sempre que a subjectividade se transforma em numerologia. Claro que não está em causa a tentativa de quantificação, está em causa um método totalitário que se transforma num processo autofágico da actividade escolar. Aliás, só a partir da divulgação das célebres grelhas é que toda a gente passou a entender a razão da pressa na criação dos professores titulares - eles estavam destinados a ser os pilares dessa estrutura burocrática de que seriam os pivots. Isto é, quando menos se esperava, e menos falta fazia, estavam lançadas as bases para uma nova desordem na escola portuguesa. Como ultrapassá-la?


4.Não restam muitos caminhos. Ultimamente, almas de boa fé falam de cedência de parte a parte. Negociação, bondade, comissões de sábios. A questão é que não há, neste campo, nenhuma justiça salomónica a aplicar. O objecto em causa não é negociável. Tendo em conta uma erosão à vista, só a Maria de Lurdes Rodrigues, que sabe que foi longe de mais, competiria dizer “Não matem a criança, prefiro que a dêem inteira à outra”, mas já se percebeu que não o vai fazer. Obcecada pela sua missão, que começou tão bem e está terminando mal, quererá ir até ao fim, mesmo que do papel dos mil quesitos que alguém engendrou para si só reste um farrapo. É pena. Depois de ter tido a capacidade de pôr em marcha uma mudança estrutural indispensável para a modernização do ensino, acabou por não ser capaz de ultrapassar o desprezo que desde o início mostrava ter em relação aos professores. E, no entanto, numa política de rosto humano, seria justo voltar atrás, reparar os estragos, admitir o erro sem perder a face. Ou simplesmente passar o mandato a outros que possam reiniciar um novo processo.

De facto, em Portugal existem vários vícios na ascensão ao poder. Um deles consiste em não se saber entrar no poder. Pessoas sem perfil técnico, ou humano, aceitam desempenhar cargos para os quais não foram talhados. Parece que toda a gente gosta de um dia dizer ao telefone, no telejornal, “Papá, sou ministro!”, com o resultado que se conhece. Outro é não se saber sair do poder. Houve um tempo em que Mário Soares ensinou ao país como os políticos saem no tempo certo, para retomarem, quando voltam a ser úteis. Os grandes políticos conhecem a lei do pousio. E o objecto da disputa deve ser sempre mais alto do que a própria disputa. É por isso estranho e desmedido o que está a acontecer.


5.José Sócrates deverá estar a pensar que pode ter pela frente um golpe de sorte - Margaret Thatcher teve a guerra das Falklands - e até pode vir a ter uma maioria absoluta outra vez. Aliás, pelo que se ouve e vê, a frase da ministra da Educação “Perco os professores mas ganho o país”, cria efeitos de grande admiração junto duma população ansiosa por ver braços-de-ferro no ar, sobretudo se eles vierem do corpo de uma mulher. Não falta quem faça declarações de admiração à sua coragem, como se a coragem prescindisse da razoabilidade. E até é bem possível que a Plataforma Sindical um dia destes saia sorridente da 5 de Outubro com um acordo qualquer debaixo do braço, como já aconteceu.

Mas a verdade é que, a insistir-se neste plano, despropositado, está-se a fomentar uma cadeia de injustiças e inoperâncias que só a alternância democrática poderá apagar. Se José Sócrates pediu boas soluções e lhe ofereceram estas, foi enganado, e deveria repensar nos seus contratos. Mas se ele mesmo acredita neste processo kafkiano, é uma desilusão, sobretudo para os que confiaram na sua capacidade de ajudar o país a mudar. Neste momento, entre nós, a educação tornou-se uma fábula".


sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

escolas em luta


 


 


Recebi o seguinte comunicado da APEDE (Associação dos Professores e Educadores em Defesa do Ensino):


 


 




A APEDE e o MUP vêm anunciar uma iniciativa conjunta: a realização de um Encontro Nacional de Escolas em Luta para o próximo dia 6 de Dezembro, em Leiria, no Teatro José Lúcio da Silva.



 



O Encontro terá início às 10h e prolongar-se-á até às 17h, com intervalo para o almoço.



Apelamos a que todas as escolas que estão a desenvolver processos de resistência, nomeadamente através da suspensão da avaliação do desempenho, elejam dois representantes para participarem nesse Encontro. 


 


 


Farei os possíveis para estar presente em mais um sábado de luta contra as políticas do ministério da Educação.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

lentes

 


 



 


 


 


 


 


O muro que pode separar um professor de cada um dos conteúdos que tem de ensinar é constituído, em Portugal, por um colossal conjunto de invenções burocráticas que o seu derrube é uma tarefa quase impossível de realizar. O desmoronar da descomunalidade existente, e que foi paulatinamente construída nos últimos vinte anos (cerca de..., claro), exige uma coragem tal que temo não estar ao alcance de quem se movimenta nesta área da organização da sociedade. É que estamos a falar de um obstáculo tentacular e que movimenta milhões de euros.


 


É esse o desafio que está colocado.


 


No que ao estafado modelo de avaliação se refere, o primeiro passo obriga o reconhecimento de um outro "perfil funcional" do professor (detesto um bocado escrever esta coisa, mas é para tentar outro tipo de entendimento): reduzir o modelo a uma só dimensão: a do ensino e da aprendizagem. E mesmo assim reduzi-la a um só modo: a dimensão do ensino. Para que esta latitude se reconheça com precisão, tem de ser revogado o presente diploma e publicado outro com essa definição assegurada.


 


Mas isso está longe de chegar. Importa eliminar a divisão da carreira em titulares e não titulares e retirar o estabelecimento de cotas na avaliação dos professores.


 


É ainda completamente despropositado e inexequível avaliar todos os 140 mil professores em ciclos pluri-anuais. Deve realizar-se uma avaliação no ano de mudança de escalão e por solicitação do interessado, caso pretenda usufruir da progressão. Esse registo pode ser realizado por um par eleito para o efeito pelos professores do respectivo departamento ou por um elemento da inspecção-geral de Educação. Essa decisão deve ficar ao critério do professor avaliado. Deve ser reconhecido um mecanismo de apoio e de reconversão que enquadre o exercício dos professores que obtenham uma avaliação insuficiente.


 


A progressão nos três escalões mais elevados da carreira, e de acordo com o que tenho lido, é que coloca algumas questões que devem merecer uma aturada discussão.


 


Há quem defenda a existência de uma prova pública para permitir o acesso a esses escalões. Julgo que a maioria dos professores não tem problemas em fazê-lo, desde que a sua regulamentação se inscreva nos aspectos relacionados com o ensino. Mas é necessário que isso seja consequente. Ou seja, não se pode ficar aprovado numa prova pública e depois estar o resto da vida à espera de uma vaga que nunca existirá. Perece-me elementar. Mas tenho sérias dúvidas que essa prova se justifique.


 


E vejamos:


 


Nos primeiros anos do milénio, os professores progrediam até ao topo da carreira sem qualquer distinção processual nos diversos patamares (do 1º ao 10º escalão). Havia apenas uma distinção absurda: os professores com o grau académico de bacharelato ficavam-se pelo 9º escalão, e isso era independente do seu mérito científico e profissional, e os restantes atingiam o topo da carreira. Todos os professores obtinham a menção de satisfaz ou de não satisfaz. Era possível realizar a candidatura à menção de bom, mas mesmo que fosse bem sucedida, não produzia quaisquer resultados em termos de progressão na carreira. A menção de muito bom, que produziria uma aceleração da progressão, nunca foi regulamentada. Existia ainda a possibilidade do professor progredir de modo mais rápido se adquirisse habilitações académicas acrescidas.


 


Segundo os números do ministério da Educação, existiam, em 2004, 60 mil professores nos referidos três escalões. Com o fatídico advento dos professores titulares, estabeleceram-se vagas no acesso a esse nível remuneratório. Com essa medida, conseguiu-se que apenas 17 mil professores ocupem vaga de professor titular. A médio prazo, e com a saída do sistema de todos os professores que ocupam lugares de titular sem vaga (antigo 10º escalão) e dos que estando nesses três escalões não obtiveram a categoria de titular, o topo da carreira ficará restringido a 17 mil professores.


 


E o que é que justificou esta decisão? A questão financeira. Argumentou-se com o inevitável e conhecido corte das despesas. Com a actual implosão do sistema financeiro global, tudo isso fica em causa.


O despesismo estava mais noutro lado, como se suspeitava.


 


Sendo assim, a questão que deve ser colocada passa pela necessidade de se estabelecer, ou não, vagas e nunca pelo suposto imperativo de dividir a carreira dos professores em titulares e em professores. Há mais um aspecto essencial que importa reforçar: o método elegido para o estabelecimento de vagas nas diversas escolas não revelou qualquer critério minimamente aceitável; foi concebido de modo apressado, displicente e, claro, criou brutais injustiças.