

Luís Afonso
Quando comentava uma vez por semana, a tónica era a mudança de opinião de acordo com o vento. Se como PR comenta dez vezes por dia, estavam à espera de quê?
Não é preciso recordar "as 10 estratégias de manipulação" definidas por Noam Chomsky para explicar a estranha, antiga, sistemática e doentia mediazação à volta de mais ou menos uma prova (final ou de aferição) para crianças de sete ou nove anos. Até o novo PR (e entre o caso Banif e o Novo Banco) lá deu asas à veia comentarista para todos os gostos: entre as epifanias cratianas e o "novo tempo", forçou um risível nim. Mas voltando a Chomsky: mediatizar muito o supérfluo tira espaço para o essencial; e é tanto.
Foram variadas, e prolongaram-se por doze horas, as tarefas da cerimónia de tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa como PR. Vi imagens, li sites e ouvi pela rádio alguns discursos e reportagens. Parece-me que não haverá "Problemas no Paraíso" num futuro próximo. O entre aspas é também o título de mais um desconcertante "ensaio romanesco" de Slavoj Zizek (2016:10) que na página referida conta a história de "Gaston e Lily, um feliz casal de ladrões chiques que assaltava os mais ricos, cuja vida se complica quando Gaston se apaixona por Mariette, uma das suas vítimas endinheiradas.(...)A censura de Gaston prende-se com Mariette se dispor a chamar de imediato a polícia quando um ladrão comum como ele lhe rouba uma relativamente pequena quantia de dinheiro ou riqueza, mas estar pronta a fechar os olhos quando um membro da sua respeitável alta sociedade rouba milhões(...)." Vamos estar optimistas, naturalmente, e observar o confronto com os tais problemas no paraíso.