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terça-feira, 15 de novembro de 2016

Da redução do número de alunos por turma

 


 


 


Crato aumentou a eito o número de alunos por turma. O Governo, pela voz do ministro da Educação, anunciou que a "forma como se fará a redução de alunos por turma depende do impacto financeiro". Aguardemos pelo processo. Mas há matérias, e muitas não financeiras ou com reduzido impacto, que devem ser revertidas.

sábado, 25 de junho de 2016

O OAL, a política educativa e o desaparecimento de professores

 


 


 


Os cortes a eito de Crato (cortes curriculares, mais alunos por turma e mais turmas por professor, agregações de escolas e horários ao minuto) fizeram "desaparecer" 33.000 professores (cerca de 25% do total) entre 2013/14 e 2014/15. Em Junho de 2013 (plena troika), os professores desencadearam uma heróica greve a avaliações e exames que impediu mais 15.000 "desaparecidos". Os professores venceram a batalha. Foi negociada uma justa fórmula no crédito horário das escolas inserida no despacho (OAL) de organização do ano lectivo (parece uma coisa de tresloucados, mas é assim) que impediu mais "desaparecimentos".


 


Para o ano lectivo 2016/17, o Governo reduz esse crédito, tem aqui o OAL, numa margem que pode chegar a 75%. Fará uma análise caso a caso, exigirá capacidade de projecto aos directores escolares e a última decisão será da Directora-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência. Não sei se os membros do Governo conhecem a duríssima história dos professores portugueses na última década. Espero que conheçam e que a plataforma de sindicatos estude as matérias. Sinceramente: nem se espera outra coisa.


 


 


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sábado, 16 de abril de 2016

é, realmente, demasiado

 


 


 


O Parlamento legislou o fim das provas finais dos 4º e 6º anos e o Governo introduziu provas nos 2º, 5º e 8º anos incluídas num sistema integrado (SI). O sistema não mexe no sacrossanto acesso ao ensino superior (como se fosse justo) porque é poderosa a indústria dos exames. O que é demasiado guloso é querer, e na nossa sociedade basta a insinuação, a submissão industrial logo aos sete ou oito anos como engendrou "O Provas".


 


Quem se indigna com a fuga aos impostos pelos Panamás Leaks incomoda-se com "guloseimas". O Governo eliminou as provas finais e anunciou como facultativa a entrada este ano no SI e mais umas trapalhadas negociadas com o novo PR. Parece que agora já é aconselhado um facultativo com dificuldades na faculdade de não facultar. É, realmente, demasiado. Eram suspensas e ponto final e no ano seguinte começava o tal SI. Havia convicção ou estavam quietos.


 


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 Antero

quinta-feira, 24 de março de 2016

nem é preciso recordar Noam Chomsky

 


 


 


Não é preciso recordar "as 10 estratégias de manipulação" definidas por Noam Chomsky para explicar a estranha, antiga, sistemática e doentia mediazação à volta de mais ou menos uma prova (final ou de aferição) para crianças de sete ou nove anos. Até o novo PR (e entre o caso Banif e o Novo Banco) lá deu asas à veia comentarista para todos os gostos: entre as epifanias cratianas e o "novo tempo", forçou um risível nim. Mas voltando a Chomsky: mediatizar muito o supérfluo tira espaço para o essencial; e é tanto.


 


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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

fim da bolsa de contratação de escola e da crueldade administrativa

 


 


 


O DN informa que o "Conselho de Ministros revogou a bolsa de contratação de escola". Eram os concursos mais incompetentes da Europa (não há sequer desmiolo parecido), exigiam que milhares de candidatos sofressem com editais inenarráveis e fica para a história, como um exemplo entre milhares, o professor colocado em mais de cem escolas no mesmo concurso. Com os meios informáticos existentes, é possível criar um concurso nacional decente que mantenha a reserva de recrutamento por lista graduada durante todo o ano lectivo.


 


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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

da escola a tempo inteiro (capítulo final de um regresso em modo pesadelo)

 


 


 


Quem defende uma Europa mais plural deseja que o Governo-não-bom-aluno seja bem sucedido nesse difícil exercício. Para além disso, o Governo tem um apoio parlamentar inédito e não é liderado pelo partido vencedor das eleições. Ou seja, tem adversários que lhe cheguem para dispensar dois tipos de egos: coreógrafos dos paraísos para ontem e obstinados pelo regresso de irrealidades. Ambos são retratados pela imagem: produtos vazios, mas com processos destruidores de tudo o que os rodeia até do que diziam defender.


 


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sábado, 30 de janeiro de 2016

tomai um pico de pão e circo?

 


 


"Como o actual Ministro da Educação nunca estudou ciências da educação e toma medidas destas, eu também nunca estudei matérias dessas mas, e por isso, sinto-me autorizado para dizer o que vou dizer". Imagine-se que foi mais ou menos deste modo que um convidado do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), instituição que se tornou "privada" pela mão de Crato e que montou toda uma estrutura que se financia no número de exames que elabora e aplica, se referiu ao contraditório que ia proclamar em relação a decisões do novo MEC. É bom que se sublinhe: andamos a assistir a ondas de indignação por causa de uma industria de provas finais (os alunos durante os 1º e 2º ciclos fazem inúmeras provas durante 6 anos) para crianças de 9 e 11 anos, que não tem paralelo em qualquer país europeu, e mesmo na maioria dos países da OCDE, que não existiram em Portugal até 2011 e que se aplicavam apenas a duas das disciplinas. 


 


Mas o psicólogo, que pode ter dito o que escrevi, parece que acrescentou um argumentário algo contraditório. Ou seja, enuncia as consequências muito negativas da aplicação destes exames e depois afirma que é a favor de exames. Mas de quais exames? Destes ou doutros? Enfim: um pico de pão e circo. Resumamos:


 



"As escolas estão a tornar-se "desonestas" e "batoteiras", acusa psicólogo. Foi um retrato impiedoso(...)Uma escola que acha que tem de avaliar, embrulhando os testes e os exames num clima de alarme, é uma escola que diz às crianças que o importante é ter bons resultados e não aprender(…).E uma escola assim é desonesta,(...)lembrando que muitos alunos são afastados das escolas onde estão precisamente devido à sede destas em garantirem bons resultados nos exames nacionais.


 


(...)Temos, nas escolas de hoje, turmas de primeira e de segunda, disciplinas de primeira e de segunda, alunos de primeira e alunos de segunda. São formas estranhas com que temos convivido e que já mereceram aval ministerial. Mas uma escola assim transforma-se numa escola amiga do apartheid e uma escola assim avalia, mas não educa.(...)É estranho que não se acarinhe o erro, porque uma criança que não pode livremente errar ganha uma imunodeficiência adquirida ao erro e à dor. O que tem como consequência tornarem-se competitivos e presunçosos, quando diante do conhecimento deviam ser rebeldes. Crianças assim pensam pior”.


 


Quer isto dizer que este psicólogo é contra a avaliação e os exames? A resposta é negativa e tem como alvo o actual ministro da Educação que anunciou que não se realizarão exames no 4.º e 6.º ano por considerar que estes têm efeitos “nocivos” para as crianças. “Se as crianças não aprendem a conviver com o medo de serem avaliadas ficam mais frágeis e com menos garra. Não é mau que destilem medo face aos exames, porque o medo traz também audácia. Mau é mudar as regras a meio do jogo. Mau é discutirmos as avaliações antes das aprendizagens”, acusou, antes de afirmar o contrário do que foi dito pelo ministro Tiago Brandão Rodrigues. “Quanto mais tarde as crianças tiverem provas nacionais, mais tarde reúnem os recursos para as vencer,(...)os exames não magoam as crianças, o que as magoa é a forma como os pais e as escolas acabam por usar esta avaliação."



 


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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

da blogosfera - santana castilho

 


 


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Então que tal?


 


no Público
27 de Janeiro de 2014



"por Santana Castilho 



 

1. Dois meses corridos sobre a entrada em funções do novo Governo, considerando todos os anúncios de mudança e o que já foi mudado, venho perguntar aos professores de sala- de-aula: então, que tal? 

 

Da última vez que os contei, eram 11 os documentos, com 18 itens de referência obrigatória, que uma simples reunião de turma de final de período gerava. Há sinais de alívio desta burocracia gratuita? As esferográficas continuam a ser compradas através de concursos públicos centralizados, via plataforma informática? Em tempos de reversão, fala-se por aí que cada escola vai voltar a ser escola? Ou está tudo sereno, na molhada do agrupamento? Já discutem um novo modelo de gestão, que traga democraticidade à coisa, ou estão bem sob o jugo de vários pequeninos ditadores? O vosso quadro de pessoal está em vias de ter uma dimensão adequada às necessidades? Já perceberam como a vossa carga desumana de trabalho não remunerado vai ser aliviada? Já reorganizaram as vossas vidas para responderem zelosamente ao acréscimo de provas a corrigir com a ressurreição das provas de aferição? Já trabalham para definir que recursos e que meios a vossa escola vai ter para combater as dificuldades dos alunos? Já decidiram algo sobre a reversão das aulas de 90 minutos? Embora já habituado, notei que há poucos dias (Escola Secundária Jorge Peixinho, no Montijo) um colega nosso levou um valente murro de um aluno, em plena sala de aula. Pergunto-vos se já notaram indícios de que algo vai mudar em matéria de disciplina. Fala-se por aí em tornar público o crime de agressão a um professor? Ou está tudo tranquilo e a indisciplina é coisa que não vos aflige? Serviços de orientação escolar, vocacional ou tutorial? Diz-se algo? Sobre o que se seguirá ao fim do vocacional em idade precoce, consta algo? Necessidades educativas especiais, minorias étnicas, culturais e religiosas? Fala-se disso? Têm corrido bem as reuniões com os sindicatos para alterar o estatuto da carreira docente? 

 

Desculpem! Reli isto, um décimo do que gostaria de vos perguntar, e reconheço a minha inconveniência: que importam estas minudências se os exames acabaram? 

 

 

2. O fim da denominada Bolsa de Contratação de Escola (BCE), instrumento que permitia que escolas com contratos de autonomia ou integrantes dos Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TEIP) fixassem critérios próprios para contratar professores, é uma medida positiva, por pôr fim a uma roleta-russa absurda, geradora de processos tresloucados, que vitimaram milhares de professores. 

 

Mas a morosidade na colocação (21 dias em média por cada docente) numa burocracia inaudita, balizada por 2,3 milhões de candidaturas a 7573 concursos no presente ano, sendo relevante, não é argumento primeiro. Mas foi o que o ministro invocou. 

 

Tão-pouco me parece aceitável insistir em reivindicar poder para fixar critérios próprios, por isso fazer parte dos contratos de autonomia. Mas foi o que invocaram o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares e o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas. 

 

Termos em que parece pertinente recordar que o argumento primeiro é o que o artigo 47º da Constituição da República Portuguesa fixa, quando determina que “todos os cidadãos têm direito de acesso à função pública, em condições de igualdade e liberdade”. Com efeito, o carácter universal deste direito de acesso foi denegado a milhares de professores, por via de 1149 páginas de critérios imbecis e grotescos, definidos para só servirem a alguns. E porque o momento é próprio e o tempo é novo, recorde-se, ainda, toda a jurisprudência do Tribunal de Justiça da União Europeia, relativa à directiva 1999/70/CE, que aponta numa só direcção, legal e justa: vinculação aos quadros de todos os professores que, desde 2001, sejam titulares de mais de três contratos anuais sucessivos. 

 

 

3. A DBRS, a agência de notação financeira que tem sido generosa com a dívida do Estado português, deu sinais de impaciência (leia-se de profundo desagrado) com a pulverização sem critério dos créditos de alguns credores seniores do Novo Banco. Se daí resultar um abaixamento do rating (leia-se o débil elo que nos liga à protecção do BCE) será com um ruidoso “paf!” que explodirá a nossa reputação, já em queda nos mercados, sem que qualquer coligação nos acuda e a António Costa. É que, por muito que não gostemos deles (e eu não gosto), os mercados existem e sem os tomar em conta o esboço de orçamento não passará de um esboço de desgraça. É que tomar de assalto o Rato e driblar Seguro foi fácil. Fintar o resto para chegar a São Bento requereu engenho e arte. Mas para conseguir ultrapassar a ortodoxia financeira de Bruxelas e garantir as migalhas que o esboço distribui, não chega o sorriso crónico de Centeno. Bendito seja Costa se vier a ter razão para me chamar Velho do Restelo! "


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

do fim da crueldade administrativa nos concursos de professores

 


 


Os concursos BCE, "que o MEC eliminou hoje", eram, a léguas, os mais incivilizados da Europa e obrigavam milhares de candidatos a "tropeçarem" em editais tresloucados associados a inépcias administrativas. Era um retrocesso que superava em crueldade administrativa o inferno concursal dos finais da década de setenta do século passado. Com os meios informáticos existentes, é possível criar um concurso nacional decente que mantenha a reserva de recrutamento por lista graduada durante todo o ano lectivo e com o seguinte princípio:



À opção pela lista-graduada-sem-mais aplica-se o mesmo que à democracia em relação aos outros regimes: "a democracia é a pior forma de governo imaginável, à excepção de todas as outras". Isto é uma derrota impensável para o arco que pairou sobre a 5 de Outubro e a 24 de Julho e uma cedência aos professores que o repetiam à exaustão; e à mais elementar justiça.


 


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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

da sensatez do novo Ministro da Educação

 


 


 


 


"O modelo anterior estava errado e era nocivo", "estudos nacionais e internacionais apontam para prejuízos causados pelos exames nos anos mais precoces do ensino", "intervir rapidamente na reparação de danos causados ao sistema", "ninguém tem de se preparar para as provas de aferição", "o que tinha de acabar era o estreitamento curricular", "alunos a treinarem para exames é pernicioso e até nocivo", disse Tiago Rodrigues, o novo MEC. São ideias sensatas, corajosas, fora da caixa e com um alcance de médio e longo prazo na qualidade da democracia.


 


Estas alterações eliminam a má e chocante propaganda através de maus rankings com exames de crianças e contribuem para repensar os limites morais do mercado ao retirarem sentido, por exemplo, a prémios monetários para as melhores classificações, a pautas públicas de classificações e a quadros de honra (estas três variáveis com exames de crianças, obviamente e repito). A quem se interessar por estas matérias, aconselho dois livros de Michael J. Sandel"O que o dinheiro não pode comprar - os limites morais dos mercados" e "Justiça - fazemos o que devemos?".


 


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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

boas notícias do novo MEC

 


 


 


Mesmo sem se conhecerem os detalhes, é positivo que o novo MEC elimine o trágico (não estou a exagerar) concurso de professores BCE, faça alterações na indústria dos exames e substitua o linguajar eduquês II das disciplinas estruturantes por vocabulário que inclua as artes, o desporto e as ciências experimentais.


 


Espera-se que se mantenha o concurso de reserva de recrutamento por lista graduada durante todo o ano lectivo e que, no ensino básico, apenas no 9º ano sobrevivam exames nacionais e anuais e que com isso se elimine a má propaganda da publicitação de rankings ensandecidos com exames de crianças. Esta última decisão arrastará o neoliberalismo associado que é corporizado, por exemplo, por prémios monetários para as melhores classificações, pautas públicas de classificações e quadros de honra.


 


Já agora, a mudança vocabular das disciplinas estruturantes deve corresponder a alterações consequentes na carga curricular.


 


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