Título: Estarão os jovens franceses mais críticos e impacientes com a abstinência dos telemóveis?
Texto:
Estarão os jovens franceses mais críticos e impacientes com a abstinência dos telemóveis? Estarão, certamente, mais atentos ao que os rodeia e com o sentido crítico mais apurado para a queda da Escola Pública e para o aumento brutal das desigualdades educativas.
Por outro lado, e havendo na Europa muitos problemas comuns às crianças e aos jovens, notei os primeiros sinais de adicção tecnológica grave nas aulas por volta de 2012 ou 2013. Como não podiam fazer as aulas com telemóvel e tinham que se distanciar fisicamente uma hora ou duas do aparelho, era impressionante como se intranquilizavam (confessavam-no) ou o escondiam na roupa interior. Tantas vezes o telemóvel caía durante a aula ou eram constantes os pedidos para ir ao balneário. Claro que percebia, muitas vezes, os conteúdos. Bastava ouvir. Jogos, na maioria das vezes, mas, desde 2014 ou 2015, havia também viciação em redes sociais ou mesmo em pornografia online. Ou seja, é natural que a proibição vigente crie reacções neste estado de abstinência. Passou mais uma década e os viciados viciaram-se ainda mais cedo. As consequências de duas décadas de irresponsabilidade e de intelectualismo vintage associado aos negócios dos telemóveis não passarão de uma penada.
