Claro que os resultados dos exames do 12º ano, em língua portuguesa, não vão ter uma entrevista em directo à senhora ministra da Educação nos telejornais da noite; claro que não.
E por que será?
Porque, e comparando com os últimos 12 anos, este ano os alunos obtiveram os resultados mais fracos nos exames desta disciplina no 12º ano.
A língua portuguesa não beneficiou de um plano especial com as características que se reveste o da disciplina de matemática, embora decorra o plano nacional de leitura, mas integrou-se no conjunto de medidas enunciadas para a reforma do sistema escolar.
Em que é que ficamos?
Em nada, como se previa. Não, assim não melhoramos e desperdiçamos vontades.
Deveríamos concentrar energias no essencial: rede escolar (acabar com o regime de desdobramento, acabar com as turmas com mais de 20 alunos, acabar com os agrupamentos de escolas e criar um órgão concelhio de apoio à rede de gestão administrativa das escolas, acabar com as DRE´s e com a maioria das valências dos serviços centrais e responsabilizar os municípios pela consecução dos objectivos referidos) e desenvolver o plano tecnológico não apenas na área do hardware mas também, e principalmente, na do software - para o ensino e para a gestão escolar.
E o resto? O resto "dissolve-se no ar como tudo aquilo que é sólido".
Claro que é escusado dizer o seguinte: a divisão da carreira de professores em titulares e não titulares associada aos actuais modelos de avaliação do desempenho dos professores e de gestão escolar, integram-se nessa lógica centralista, desconhecedora e de desperdício financeiro; leia-se: lógica hierarquizada e imposta e não cooperativa: por mais esquisito que pareça o que acabei de escrever; a sério, é tão esquisito como, para algumas pessoas, o exercício duro e difícil da democracia.
E mais: o novo modelo que regulamenta a educação especial tem tanto de inenarrável como de grave.
Bom, Paulo...falar de democracia já não tem nada a ver com o Sistema Educativo. Grandes mudanças, grandes avanços e grandes tempos aqueles por que passamos. Felizmente há Directores com visão estratégica e grande preparação para a Nova Escola cheiínhos de vontade de começar a dirigir; Titulares agora e repentinamente competentes, novos "pares" capazes de avaliar correctamente os seus "impares" e cheiínhos de vontade de começar a avaliar; Planos nacionais da Matemática capazes de tornar os nossos alunos inteligentes e cheiínhos de vontade de o fazer, enfim...agora é que isto está bom! Claro...perderam-se os professores, mas provavelmente a Nova Escola não precisa deles.
ResponderEliminarMy feeling exactly. Está tudo preparadinho como bolinhos quentes a sair do forno. Uma obscenidade.
ResponderEliminarQue raio de coisa esta. Que raio de tempos estes. O estado de direito está na rua, parece-me: não tenho nenhum receio da rua. como se sabe, mas esperava outro tipo de rua; mas, também me parece, que aceleramos para lá chegar.
ResponderEliminarAbraço e obrigado por passares e por comentares, meu caro.
Nem sei que diga: são tempos que tem tanto de inesperado como de premeditado. E isso é que é o pior. O que mais me impressiona não é a necessidade de contenção financeira, porque, isso, queiramos ou não, Portugal não resolve de modo isolado: o que mais me espanta é a lógica hierarquizada e imposta que se pretende que substitua a ideia de cooperação: como pode haver tanta incompetência? Sabe-se que tudo o que se tem feito de bem, nas empresas, na administração pública e nos outros sítios todos, assenta no trabalho cooperativo. E mais: é, também assim, que se ganha no combate ao desperdício financeiro. E o que é que se vê? Como é isto possível é a minha grande interrogação: natureza humana dirão alguns, desconhecimento da história advogarão outros, nem sei. Temos de sair disto e depressa. Abraço e obrigado por passares e por comentares.
ResponderEliminarNem sei que diga: são tempos que tem tanto de inesperado como de premeditado. E isso é que é o pior. O que mais me impressiona não é a necessidade de contenção financeira, porque, isso, queiramos ou não, Portugal não resolve de modo isolado: o que mais me espanta é a lógica hierarquizada e imposta que se pretende que substitua a ideia de cooperação: como pode haver tanta incompetência? Sabe-se que tudo o que se tem feito de bem, nas empresas, na administração pública e nos outros sítios todos, assenta no trabalho cooperativo. E mais: é, também assim, que se ganha no combate ao desperdício financeiro. E o que é que se vê? Como é isto possível é a minha grande interrogação: natureza humana dirão alguns, desconhecimento da história advogarão outros, nem sei. Temos de sair disto e depressa. Abraço e obrigado por passares e por comentares
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