segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

um país doente (reedição)

 


 


 



 


 


Portugal é um país doente; temo mesmo que gravemente enfermo. Tem um governo e uma equipa no ministério da Educação que sofre de uma moléstia perturbadora: a obsessão com aquilo que se designa por opinião pública. Parece ser esse o seu único modo de vida.


 


Tenho ideia que estas pessoas que desgovernam o sistema escolar já nem conseguem articular um conjunto de ideias que não tenha um único fim: manipular a tal de opinião pública e salvar a pele, custe o que custar.


 


Já foram tantos os aparentes recuos no que ao modelo de avaliação do desempenho dos professores diz respeito, que chega a ser penoso ouvir estes ditos responsáveis. Já protelam a dita redução (falar de simplificação é um eufemismo) do modelo para lá dos seus mandatos e acenam com a exponencial abertura de vagas de professor titular. Contradizem-se amiúde e todos os que estiveram bem atentos a este processo sentem-se envergonhados com governantes assim.


 


Estas pessoas não perceberam o essencial: os numerosos professores que se preocuparam, desde cedo, em desconstruir este desastroso conjunto de políticas sabiam, como se vê, que tinham a razão do seu lado e que mais tarde (como está a acontecer) ou mais cedo (como deveria ter acontecido) os seus argumentos prevaleceriam.


 


E também conhecem bem o país em que vivem e sabiam o desprezo e a pouca importância que os portugueses nutrem pela escola pública. Estão habituados a lutar contra esse fatalismo e não era agora que iam desistir. Também por isso, nos numerosos momentos onde a tal de opinião pública sentencia e não discute (nem procura conhecer), os professores aconselham-se sabiamente: está na hora de escolher a música e de seleccionar as leituras: e amanhã é um novo dia.

6 comentários:

  1. "manipular a tal de opinião pública e salvar a pele, custe o que custar."

    Paulo,
    Mesmo com a manipulação tiveram que "reconhecer" que mais de 80 mil fizeram greve. Imagina se não manipulassem... teriam concluído que, de facto, hoje fomos ainda mais que no 8 de Novembro!

    A LUTA CONTINUA. A VITÓRIA É CERTA!

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  2. Tens razão. É um número muito impressionante. Abraço e força aí.

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  3. Pois... há de facto um problema, ou doença para ser mais claro, do domínio da psiquiatria que urge resolver. Este governo insiste em mutilar-se, o que agrava o seu problema psicossomático. Cortar parte do seu corpo (funções do Estado) é grave e necessita, de modo compulsivo, de internamento! Não achas? ;-)

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  4. :) :) se acho :) fizeste-me rir Miguel. Abraço.

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  5. Hoje, na Assembleia da República, a Ministra da Educação admitiu a implementação de um outro modelo de avaliação para as docentes, mas não este ano lectivo, apenas depois das próximas eleições legislativas.Mas, como é possível?Agora é aplicável, porque sim, depois serão alterado porque não....?E depois de quê? Dela ou das eleições?E com que mandato?E isto pode ser?....E pode mesmo?
    Um abraço amigo,

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  6. Desorientação total, meu caro Nicolau.

    Acabo de publicar um post com esse assunto: o fim do princípio.

    Abraço.

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