quarta-feira, 1 de julho de 2009

o arco do poder

 


 



(encontrei esta imagem aqui)


 


Assiste-se a um interessante debate sobre os caminhos políticos a seguir, desde o mundo da economia e das finanças até às áreas sociais e à organização do trabalho.


 


Há dados que são irrefutáveis. A hecatombe a que se assistiu recentemente no mundo financeiro global não consegue, e desta vez isso é claro, imputar responsabilidades ao direito do trabalho. Termos como "flexigurança" ou "accountability" saíram da argumentação para darem lugar à "estabilidade no emprego" ou para a "flexibility" nos modelos de apuramento de responsabilidades nas mais variadas organizações em que se enquadra o exercício profissional das pessoas.


 


Tudo isto tem uma relação muito directa com o que se passa em Portugal e com a luta dos professores.


 


O actual regime político fundou-se, desde logo, por oposição ao anterior mas também contra o período designado por "PREC" onde as chamadas esquerdas radicais assumiram o poder. Desde aí, estabeleceu-se uma governança que se veio a afirmar como de "arco do poder" que afastou do exercício executivo central os partidos políticos situados à esquerda do que sustenta o actual governo. Isso teve dois efeitos negativos: manteve essas forças políticas num posição "cómoda" de não participação na gestão da coisa pública ao nível macro e não lhes proporcionou o dever de responsabilidade pelos actos governativos praticados. No resto da Europa sabe-se que não foi assim.


 


Há quem afirme que Portugal é ingovernável porque não apresenta alternativas reais de governo. Os grandes partidos "estruturaram" desde cedo o sentido do voto e uma mudança nesse estado que considero letárgico leva tempo. Mas não nos enganemos. A história recente comprova os mais fundados receios: as mudanças só se efectivam se conseguirmos quebrar os desígnios que nos sufocam e se provocarmos outra geometria político-partidária que possibilite a afirmação de alternativas de governo e que inclua todos: os das más provas dadas mas também os que se afirmam por políticas diferentes. Fazer pior do que o actual é quase impossível e os discursos laudatórios do sentido de estado de quem nos tem governado estão virados do avesso. É insuficiente regular o que existe e é imperativo emancipar para aquilo que é possível.


 


O que se assistiu em Portugal nesta primeira década do século XXI foi a uma consonância de políticas e de agendas, nomeadamente na área da Educação, subscrita de modo implícito pelo "arco do (todo) poder(oso)". O erra fatal do actual governo foi, como se sabe, o de preencher a agenda política dos partidos à sua direita. Os professores portugueses só encontraram apoio firme, informado e desde a primeira hora numa voz política na Assembleia da República: a da deputada do bloco de esquerda Ana Drago. É factual e indesmentível. As outras vozes que acompanharam os justos protestos, fizeram-mo ao sabor da oportunidade ou quando já nada existia para sustentar o seu contrário.





Aproxima-se a passos largos o momento em que os portugueses vão eleger o governo para a próxima legislatura.


 


Nesta altura importa que os partidos políticos sejam claros e se afirmem sem tibiezas. Não basta afirmar que o monstro da avaliação é burocrático, que a divisão da carreira assentou em critérios absurdos ou que os professores perderam autoridade. Isso está vencido e é óbvio. Queremos saber é o que trazem. Queremos respostas:



  • acaba a divisão da carreira?

  • como se progride?

  • há quotas ou vagas?

  • avalia-se a componente funcional?

  • quem é que avalia?

  • as escolas podem escolher entre um modelo de gestão unipessoal ou colegial?

  • o órgão de gestão mantém os poderes previstos?

  • quem é que o elege?

  • o que se entende por autonomia na gestão escolar?

  • qual é o modelo organizacional que se propõem para o ME de forma a eliminar o muro burocrático que asfixia o ensino?

  • a organização do trabalho obedecerá a outros critérios de modo a que a guarda das crianças seja também um direito e um dever das famílias?


 


 

6 comentários:

  1. Perguntas muito pertinentes.
    Mas... quem lhe irá responder?
    Não sei se o PSD. Já estiveram no governo tanto tempo.... e MFL até já foi ministra da Educação...
    Eu para posições equívocas não estou virada.
    Precisamos de pessoas que nos defendam de uma maneira mais assertiva e sem rodeios.
    Abraços.

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  2. Concordo.

    Sabemos que isto não está fácil, mas há caminhos que são mais do que conhecidos.

    Abraço.

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  3. Viva Francisco.

    Deves ter razão. Reconheço que devem existir mais deputados que se reconhecem na justa luta dos professores. Eu apenas fiz a referência que a minha memória registou com convicção e não quero ser injusto para quem quer que seja. Como sabes, procuro pensar pela minha cabeça e escrever sem qualquer receio de ser mais ou menos agradável. O que me agradou desde a primeira hora na deputada Ana Drago, e na sua equipa, obviamente, foi a voz informada, corajosa e de algum modo - pois disso nada sei -livre de entendimentos ou de tácticas que pudessem subalternizar o verdadeiro problema: o quotidiano terrível das escolas e a perda acelerada do seu poder democrático.

    Já lá vou ao teu texto.

    Abraç@.

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  4. O Francisco tem um bocado de razão. Mas no que toca a deputados, a Ana Drago parece-me ser a mais bem informada, ou seja, parece saber bem do que fala.

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  5. Sem dúvida a deputada Ana Drago sobressaiu sobre todos os outros na Assembleia da República ao longo de todo um ano lectivo terrível. Por isso é merecedora de toda a minha confiança e gratidão.
    Mas isso não apaga, não ignora nem "obnubila" o trabalho meritório de Cecília Honório ou dos deputados do PCP, nomeadamente, Bernardino Soares, que vi em todas as manifestações de professores, assim como outros.
    Mas, quando formos votar, será somente num partido.

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  6. Concordo Helena.

    Apenas fiz o relato do registo da minha memória.

    Abraço.

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