segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

na primeira noite...

 










Na primeira noite, eles aproximam-se 

e colhem uma flor de nosso jardim. 

E não dizemos nada. 



Na segunda noite, já não se escondem, 

pisam as flores, matam o nosso cão. 

E não dizemos nada. 



Até que um dia, o mais frágil deles, entra 

sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, 

e, conhecendo nosso medo, 

arranca-nos a voz da garganta. 



E porque não dissemos nada, 

já não podemos dizer nada. 












Maiakovski


(Georgia,1893 – Moscovo,1930)



 

1 comentário:


  1. Pois é, se não dizemos nada...
    A crítica só é activa se for dita. Na solidão da nossa consciência elas ( as palavras) são apenas potência passiva. Há que actualizá-las para serem.
    Não podemos permitir que nos roubem a lua.

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