Por mais que se advogue a participação dos cidadãos no espaço público, as organizações políticas e sindicais ocuparam-no nestas três décadas e tentaram anular as tentativas de emancipação. O que apareceu foi engolido ou transformou-se numa caixa de ressonância.
O ano de 2008 marcou, em Portugal, uma viragem com a mobilização dos professores. Deveu-se a dois factos incontroversos: um conjunto incompetente de políticas e o surgimento da blogosfera e de novas formas de comunicação. Isso fez tremer o que existia. Recordo que, em 2008, o governo e a plataforma de sindicatos de professores (e só o equilíbrio da plataforma dava um longo texto; exceptuando uma boa parte da Fenprof, e umas franjas minúsculas da FNE, os restantes sindicatos são só coreografia) assinaram um entendimento, recheado de políticas inaplicáveis e brutalmente injustas, que os professores presentes na rede denunciaram e quase destruíram.
A presença que acrescenta espaço à agenda e que reflecte para além do mainstream é difícil. Para sobreviver tem de centrar a sua acção na discussão de políticas, deve tratar de igual modo os sujeitos da realidade e desprezar as versões maniqueístas que defendem uma qualquer superação ética. No caso das políticas da Educação, o debate, e a discordância ou a concordância, deve envolver em primeiro lugar o governo. Mas os partidos políticos, as organizações sindicais, os órgãos de comunicação social, as diversas estruturas associativas e os parceiros da rede não podem beneficiar de um qualquer estatuto acima da crítica e da discussão de ideias. Trata-se do avanço da democracia e da liberdade; do direito a existir.
É verdade, Paulo: o direito a EXISTIR, a pensar, a não alinhar qdo não se concorda, a inventar outras formas de expressão.
ResponderEliminarTeremos maturidade para tanto?
A democracia dá muito trabalho: implica ser capaz de ouvir...
Um grande beijo.
Bom ano lectivo tb para ti!
Paulo,
ResponderEliminarAssino por baixo. Pena que os professores, em geral, se esqueçam que existem ...
Também assino por baixo. Existiremos.
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ResponderEliminarCoexistir na ficção do dia a dia!
Vale a pena ler:
O Homem-Fantasma
de Sérgio Godinho
Eu sou o homem-fantasma
vejo tudo sem ser visto
eu sou um justiceiro
com um disfarce sinistro
eu meto medo aos que nos vêm
com falinhas falsas
e treme-lhes a dentadura
cai-lhes as calças
Eu sou o homem fantasma
e estou em toda a parte
voar para alguns é profissão
para mim é uma arte
mas para ver o meu bairro
eu não preciso de asas
muito prédio a crescer
e muita gente sem casas
Nunca descansa, o homem-fantasma
e a gente espanta-se e a gente pasma
quando respira fundo, o homem fantasma
nunca é de alívio
quando muito será de asma.
Eu sou o homem-fantasma
vejo tudo sem ser visto
e já espreitei para dentro
da carteira de um ministro
e vi fotografias
de um passado duvidoso
e outras mais recentes
dele todo vaidoso
Eu sou o homem-fantasma
justiceiro imortal
eu vou de norte a sul
da montanha ao litoral
e enquanto a luz e a água
vão para a vila e para a cidade
para aldeia vão jornais da tarde
e boa vontade
Nunca descansa, o homem-fantasma
e a gente espanta-se, e a gente pasma
quando respira fundo, o homem-fantasma
nunca é de alívio
quando muito será de asma
Eu sou o homem-fantasma
e estive num hospital
há lá quem morra
tanto da cura como do mal
e os donos da medicina
gritaram: Aí, o homem-fantasma !
Depressa, uma seringa,
um bisturi, um cataplasma!
Eu sou o homem-fantasma
e como vidro transparente
eu sento-me aos jantares
e ninguém me pressente
e dizem: tal e coisa
e coisa e tal e vice e versa
e o que lá fora era discurso
cá dentro é conversa
Nunca descansa, o homem-fantasma
e a gente espanta-se, e a gente pasma
quando respira fundo, o homem-fantasma
nunca é de alívio
quando muito será de asma
Eu sou o homem-fantasma
combatente infatigável
mas atenção que até eu
posso ser creticável
se depois do que eu digo
e denuncio e reclamo
eu voltar para casa
e em casa eu for um tirano
Nunca descansa, o homem-fantasma
e a gente espanta-se, e a gente pasma
quando respira fundo, o homem-fantasma
nunca é de alívio
quando muito será de asma
..................................................................
A luta segue dentro de momentos!
Um abraço
Muita lucidez. Concordo 100%.
ResponderEliminarNo espaço público todos os intervenientes têm lugar.Se não for assim quem perde é a democracia já por si tão pequenina...
Os professores existem. Bom início.
Viva Reb.
ResponderEliminarNada de novo, portanto.
Um grande bj para ti tb.
Viva Cunha Ribeiro.
ResponderEliminarAquele abraço.
Isso Susana
ResponderEliminarGanda nick, se me permite
ResponderEliminarObrigado. Igualmente.
ResponderEliminarViva Paulo,
ResponderEliminarnão discordo totalmente da tua reflexão.
No entanto gostaria de salientar que a crítica, para ser construtiva, deve ser fundamentada em factos e não em opiniões.
Sob pena de não passarmos de "treinadores de bancada" ;)
Abraço e
a luta continua (e não "segue dentro de momentos")
F.
Viva Francisco.
ResponderEliminar"No entanto gostaria de salientar que a crítica, para ser construtiva, deve ser fundamentada em factos e não em opiniões."
Sendo assim estamos de acordo.
Isso: a luta continua.
Abraço e força aí.
Estou nessa! Existir é estar nas coisas por inteiro, a fazermo-nos no debate em que ninguém tem por definição a palavra última.
ResponderEliminarQueria dizer: "num debate". O artigo indefinido faz uma diferença enorme.
ResponderEliminarViva Luís.
ResponderEliminarIsso; claro; percebeu-se