Em 1998 não havia blogosfera e muito menos tanta mediatização. É pena porque era bom confrontarmos posições e analisarmos as evoluções. Disse, numa posição minoritária e olhado de forma desconfiada pelas pessoas das Escolas Superiores de Educação e das Faculdades de Ciências da Educação, à Ana Benavente e ao saudoso Paulo Abrantes que colocar a interdisciplinaridade e a ideia de transversalidade como locomotivas curriculares criaria um monstro de inutilidades e de má burocracia nos sistemas de informação escolares.
Os alunos e os professores precisavam de conteúdos nucleares bem definidos e que sem essas aprendizagens consolidadas a interdisciplinaridade seria um logro e as áreas curriculares não disciplinares uma perda de tempo e um faz de conta.
Mas, e como nos lembramos, os programas das disciplinas eram coisas do passado. As nossas escolas eram, e são-no cada vez mais, "fábricas" tayloristas e desconhecê-lo seria fatal.
Usei, como exemplo e nessas interessantes discussões, a maior das inutilidades: os projectos curriculares de turma e as competências essenciais e transversais. Apenas um exercício arriscado de autonomia impediu muitas escolas de convocar conselhos de turma insanos e semanais para aferir as referidas competências.
Já cansa tanta análise semântica. As competências existem e defini-las é uma mera redundância. Só se ensina o que se sabe e é preciso conhecer os conteúdos que têm que ser ensinados e, espera-se, aprendidos. A decisão do governo é um primeiro passo. Existem vários caminhos em torno de um mesmo objectivo. O que tenho lido sobre o que pensa Nuno Crato desagrada-me nas matérias que tenho dado conta noutros posts. Espero que esta decisão elimine o que é essencial.
É pena que ainda não se tenha reconhecido que os modelos de avaliação de professores e de gestão escolar são produtos dos mesmos trágicos devaneios. Até aceito que se tenha reconhecido, como dizem os que argumentam que é falta de coragem, de conhecimento do terreno e uma questão de tempo.
Nuno Crato enterra reforma dos governos de Guterres
O documento que orienta o ensino básico desde 2001 será substituído por metas curriculares centradas nos conteúdos que alunos devem dominar.
Bravo, Paulo!!!
ResponderEliminarGostei de te ler. :)
Isto é tb uma vitória nossa! Lutámos tanto contra a parvoíce!
Beijinhos
Reb
Obrigado Reb. É uma longa luta, sem dúvida.
ResponderEliminarBjs tb.
Já era mais que tempo de acabar com o desvario.
ResponderEliminarO desvario ainda não acabou. A burrocracia, projetos de treta, incluindo o PCT. ainda andam por aí...E o 1º ciclo? NC nem se dignou a dar uma olhadela ao 1º ciclo! Pau para toda a colher e palco de vaidades e de propaganda das autarquias...
ResponderEliminarNão se lhes tratou da saúde na altura própria...Agora é isto...
ResponderEliminarJá não era sem tempo.
ResponderEliminarFalta a suspensão do EA e deve ser feita com carácter de urgência.
Espera-se que com as matrizes propostas desapareça um conjunto de procedimentos cuja valia é infernizar-nos a vida e consumir recursos que pagamos com elevados juros.
Concordo. O empobrecimento curricular, que não acaba porque as câmaras não lhes convém. E os planos de recuperação que recuperam tanto existindo como não existindo? E os de acompanhamento? Enfim, um não mais terminar de inutilidades.
ResponderEliminarÉ Isabel. Usei apenas um dos muitos exemplos. Há muito para eliminar.
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