segunda-feira, 23 de abril de 2012

silêncio ruidoso

 


 



 


 


 


Apesar de estarmos preenchidos por sons, a supressão do tempo não deixa espaço para a audição de obras musicais longas. É uma consequência da absolutização do presente e da ausência de futuro. Temos pressa e andamos em permanente dívida de tarefas. Começamos uma e ficamos com a sensação que há uma mão cheia à nossa espera.


 


Estava à espera do sinal verde na passadeira quando senti o som de um painel publicitário. As imagens não eram suficientes e alguém acrescentou uma qualquer melodia. É assim nos elevadores, nas casa de banho públicas e por aí fora. Não escapamos ao desassossego da ubiquidade musical e eliminámos o silêncio.


 


Dirigia-me a um espaço de restauração onde é habitual esperar por uma sessão de cinema e ouvir um pianista. Nos últimos tempos o lugar do músico ficou vazio. O país empobrece, as "inutilidades" não resistem à erosão e o silêncio torna-se ensurdecedor.

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