Passei pelo Expresso Online e dei com uma notícia, que é desenvolvida na edição impressa, que diz que os professores portugueses são dos que têm mais horas de aulas nos países europeus e segundo um estudo da OCDE.
Alguma coisa aconteceu em relação à linha editorial dos últimos anos que foi sempre a "bater" nos professores. É da época natalícia, alguém se distraiu ou o consumo de coisas psicadélicas regressou em força?
"Em toda a Europa e mesmo no espaço mais alargado da OCDE, os professores portugueses são dos que dão mais horas de aulas, segundo o relatório Education at a Glance 2012.
Com o Governo a comprometer-se a cortar quatro mil milhões de euros na despesa do Estado e a Educação a ter de assegurar uma contribuição significativa nesse esforço, a questão do horário de trabalho passou a estar na ordem do dia.
Lá fora, há mais tempo para preparar as aulas, apoiar alunos e outras tarefas."
Anexo um dos gráficos do relatório, para que não fiquem duvidas sobre a nossa liderança na matéria e para desgosto dos descomplexados competitivos dominados pela-tendência-relvas.
Paulo, consegue-me explicar o "boom" de horas entre 2005 e 2010. É que estive a comparar os meus horários de trabalho de 2005 e 2010 e não vi diferenças. Em ambos os horários tive 22 horas lectivas por semana.
ResponderEliminarClaro que consigo e o Pedro também. Quem comparar os horários entre 2005 e 2010 ficará com a mesma impressão. Em tudo o que provocou este aumento de horas (em 2012 estamos mais acima) haverá aspectos com que concordo como escrevi na altura.
ResponderEliminarHá um detalhe com piada: em 2005 estávamos nivelados com a Finlândia...
Oh Pedro: não reparou que queriam aumentar o número de horas dos professores portugueses porque estavam muito abaixo dos países europeus? Que raio. O Pedro não é professor?
Ou seja, os números apresentados no relatório não corrrespondem à realidade, pelo que, no caso vertente, não nos devemos basear no relatório para defender que não se devem aumentar o número de horas de trabalho semanal.
ResponderEliminarEstou certo ou não?
Não foi isso que escrevi Pedro. Os relatórios têm as suas limitações. Estas semanas estão a ser marcadas, para milhares de professores, pela angústia com um aumento, suposto e injusto, das horas lectivas.
ResponderEliminarEste relatório prova o que os descomplexados competitivos não desejavam.
Este relatório dá jeito para umas perspectivas e para outras já não dá!
ResponderEliminarE concordo consigo: os relatórios têm as suas limitações, pelo que há que saber analisar os dados e, sobretudo, compará-los com a realidade vivida nas escolas...
Também Pedro. Mas é sempre bom não esquecer a árvore e a floresta para sermos justos. E outro aspecto também decisivo: nivelar por cima, Pedro.
ResponderEliminarNivelar por cima? Concordo. Mas, quando há dinheiro. Quando não há dinheiro tenta-se fazer o mesmo ou melhor com menos... É como em nossas casas.
ResponderEliminarNivelar por cima vai muito para além disso, Pedro: se me permites.
ResponderEliminarPor exemplo, na avaliação de professores ou mesmo de alunos. Se construímos um modelo baseado na detecção dos "insuficientes", puxamos para baixo o grupo todo e corremos o risco de o desmobilizar. Se nivelamos por cima, conseguimos puxar o grupo para cooperação, para a mobilização e para o bom desempenho.
Até concordo com essa perspectiva. Por isso é que foi um erro termos tido durante décadas (e, pelos vistos continuamos a ter) um sistema de avaliação de professores "faz de conta" que nivelou todos por cima e deu no que deu: a total impunidade para com os maus professores e a desvalorização dos bons.
ResponderEliminarO ideal é nivelarmos não para cima, nem para baixo, mas sim com base na exigência.
Oh Pedro: se estiveres para isso, pesquisa aqui no blogue por France Telecom e verás o que penso sobre esse modelo de avaliação. Na génese, está uma superioridade moral de quem criou o modelo e uma hiperburocracia para precarizar os grupos profissionais mais "incómodos".
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