Fui Comando. Por obrigação numa tropa para voluntários (começou nessa altura a objecção de consciência). Condicionado a dar o melhor para ser oficial e não ir parar a soldado sem graduação e sem especialidade. Éramos 87 no curso de oficiais e sobraram 7. Na prova mediatizada (prova de choque) éramos cerca de 500: ao segundo dia estavam cerca de 250 na enfermaria improvisada. Era tal a violência e alienação, que se traficavam tampinhas de cantil com água a 500 escudos a unidade (cerca de 100 euros com "equivalência" ao custo de vida actual). Um amigo de escola (o Jaime Naldinho), queria que lhe espetasse um prego da tenda na mão para ser evacuado. Como recusei (ele ficaria com mais uma lesão para a vida), correu atrás de mim acusando-me de estar feito com os inimigos (já não bastava o esforço daqueles dias loucos e infernais; estive para desertar a meio do curso). Dei instrução e pertenci à companhia operacional 112. Foram 18 meses inesquecíveis. Aprendi muito em diversos domínios; também na "arte da guerra" que até aí me era completamente estranha. Havia muitos exageros. Nestes cursos morreram dois ou três instruendos e alguns ficaram com lesões para a vida. Era uma coisa estúpida derivada de mau planeamento ou de insuficiências no equipamento. Não havia a mediatização actual. Era uma revolta muda. É inadmissível que se repita décadas depois (a unidade de Comandos foi extinta em 1993 e reactivada em 2002).

muitas vezes o problema reside no sadismo de alguns oficiais, que se aproveitam do seu estatuto para exercer um poder tirânico sem sofrerem consequências.
ResponderEliminaré uma verdadeira quadratura do circulo treinar para um ambiente de guerra sem correr riscos letais...
"treino duro, combate fácil" é um lema que pode salvar a vida num contexto de guerra mas que a pode tirar quando se prepara para ela...
Nem mais.
ResponderEliminarPorquê é que os Senhores Comandos não se manifestam em Lisboa, já se manifestaram quando o ministro da Defesa veio à região de Aveiro, e o resultado foi nenhum, estavam à paisana com as suas boinas, vistam a vossa farda e façam um grande ajuntamento na AR, juntamente com outras forças.
ResponderEliminarAcredito que com a vossa Farda e uma grande manifestação, o poder político talvez olhe de outra forma a vossa Classe de Comandos.
A guerra está próxima e se não tivermos Forças Especiais, Portugal desaparece. É isto que os Senhores Políticos e o vosso presidente da República tem que ter em mente, não podem entender as Forças Militares como força de bloqueio para a Democracia e Liberdade.
Por isso estão a extinguir processos militares e dar às forças policiais com uma maior aproximação ao poder político, já que os senhores políticos maior parte deles fugiu às incorporações militares e preferem ter policias que os guardem.
Os Senhores Oficiais Superiores existentes nas Forças Armadas, venderam barato a extinção das Forças Armadas, quando tivermos um conflito de forças externas e não falo da Espanha, mas de outras terras, as policias não vão resolver nada.
Ainda vão chamar todos os portugueses para carne de canhão, mas os senhores políticos não vão, são os senhores que comandar gente, não sabem, gerir o nosso Portugal, não sabem, mas para criar conflitos e problemas são os maiores.
Viva Portugal
Esperemos que não se chegue aí, caro João.
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