Após catorze anos de carreiras congeladas (2003 é a data inicial), muito antes, portanto, da troika, é natural a hipersensibilidade ao tema. Fala-se de retroactivos na ordem dos 500 milhões de euros. Mesmo que a quantia seja, por exemplo, um oitavo dos 4 mil milhões do Estado (o anterior Governo até prometeu lucros) que voaram no Novo Banco, ponderam-se os objectivos orçamentais no adiamento com carácter definitivo (para ser brando). Mas exigem-se explicações.
O que torna o assunto menos aceitável, é que não se posicionem as pessoas em 2017, 2018 e 2019 no escalão referente aos seus requisitos legais.
O que é inaceitável é o anúncio, não desmentido, "que para subir na hierarquia do Estado vão ser precisos prémios e promoções". Assiste-se com perplexidade ao regresso do pesadelo kafkiano do mérito-para-as-massas. Bem sei que António Costa anunciou o simplex dois com um animal a voar, mas mesmo que se goste muito de Marc Chagall (um mestre nos seres vivos voadores) não há atenuantes: as pessoas estão saturadas deste género de voo.
Marc Chagall.
Albertina museum. Viena. Agosto de 2015.
1- está instituído nos gabinetes que a progressão não existirá para uma faixa etária (40-50 anos) no imediato e será muito seletiva para os mais novos.
ResponderEliminar2- a existir uma (improvável) hipotética progressão, em vez de serem colocados no escalão correspondente aos anos de serviço que possuem, apenas serão colocados no escalão subsequente aquele em que estão.
3- todo o processo foi delineado premeditadamente quando se constatou a estatística etária dos trabalhadores.
4- na classe docente, a faixa etária dos 40-50 anos terminará (numa perspetiva otimista) a carreira no 6º escalão no máximo (numa perspetiva pessimista, 4º-5º escalão e outros serão colocados em mobilidade ou despedidos). Sugere-se calcular o valor da pensão de reforma que essa faixa terá...
Os mais novos, apenas uma ínfima percentagem chegará acima do 6º escalão.
5- com os muitos milhares de milhões de € a pagar pelos crimes bancários, PPP, contratos swap, contratos públicos ruinosos, ajustes diretos, corrupção, etc., até 2050, existe o pretexto perfeito para invocar a impossibilidade do mérito de progressão.
6- a não ser, que utopicamente, exista uma movimento de massas que 'dê um colossal murro na mesa'...utopicamente...
Enfim.
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