Nada mudou depois da troika? Não. Portugal mudou e progrediu. Enfrentou o medo. Mudou o Governo, com uma maioria parlamentar inédita, mudaram políticas, com a emblemática recuperação salarial em primeiro lugar, e a situação externa é mais favorável. Mudou o discurso, interno e externo, e os níveis de confiança subiram. Neste sentido, é imperativo que se continue.
Algo semelhante acontece, há décadas, com a organização tradicional da escola. É difícil mudar. É dado a demagogias. O Governo lançou a ideia antiga da interdisciplinaridade a pensar no futuro, no ensino e nos alunos. Há países nesse caminho. Portugal experimentou-o na mudança de milénio. Aumentarm duas componentes críticas: burocracia inútil e reuniões de agenda repetida. Os excessos das ciências da educação cruzados com os atavismos das ciências da administração foram fatais. O processo caiu. São os principais cuidados a ter. Geram receios. O Governo recuou na proposta inicial. Exigiu-se razoabilidade e maturidade. Anunciam-se 140 escolas, convidadas ou voluntárias, para experimentarem o tal regresso ao futuro. A ousadia de mudar é sempre uma vantagem se comparada com o fim da história. Fazê-lo com sensatez é recomendável. A exemplo da economia e das finanças, é também imperativo que o sistema escolar altere variáveis ainda mais decisivas e emancipadores.
"a ousadia de mudar com sensatez é sempre uma vantagem em relação ao imobilismo."
ResponderEliminar!- O "com sensatez" é importante, apesar de não se chegar a saber bem o que isso poderá ser...
2- o "imobilismo" não existe, nomeadamente se falarmos na educação.
Em resumo, diria que poderá não estar a haver sensatez. Imobilismo, também não.
Concordo "diria que poderá não estar a haver sensatez. Imobilismo, também não." Mais ainda se não sairmos do geral para o particular.
ResponderEliminarA "sensatez" é daquelas categorias que se conhecem bem quando não existem. Há várias. Até a democracia e a paz são mais valorizadas quando se perdem.
Usei a analogia do imobilismo na relação do programa da troika com a escola tradicional. Ou seja, ficava tudo como estava que é de certa forma o discurso que ressurge agora que estamos a crescer na economia. A escola tradicional, que é tão difícil de mudar porque tem muitas virtudes, também regista muitas vezes um estado de imobilismo que leva a fenómenos como a hiperburocracia. A escola, que é quase por definição uma instituição em crise, deve questionar-se constantemente e ousar, com sensatez, nos domínios pedagógico e organizacional.
Tenho de pedir desculpa. Escrevi o texto ontem à noite e só agora o reli. A publicação saiu antes disso e fiz algumas correcções até a partir dos comentários. Todavia, parece-me que a discussão continua a ter sentido.
ResponderEliminarObrigado e renovo as desculpas.