segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Do professor e da centralidade

 


 


 


 


Surprende como, ciclicamente, se assume o afastamento do professor da centralidade do processo de ensino e aprendizagem. No século XVII, por exemplo, procuravam-se novos recursos didácticos mas sempre com o professor dentro do espaço central. Aliás, foi com a célebre "Lição de Anatomia do Dr Nicolaes Tulp" (1632) que Rembrandt se apresentou, e se afirmou, em Amesterdam. Se atentar, verá que os alunos deixaram de estar alinhados e que o seu olhar divergia: para o professor, para o livro aberto, para o objecto de estudo e até para a "objectiva". E claro: todos estavam iluminados mas muito atentos, como que a sublinhar que na pedagogia há intemporalidades que é fundamental que sobrevivam aos modismos.



Imagem:
Rembrandt van Rijn, The Anatomy Lesson of Dr Nicolaes Tulp, 1632
Museu Mauritshuis, Haia, Agosto de 2017


36314992240_87f66a423d


 


 


 

4 comentários:

  1. "na pedagogia há intemporalidades que é fundamental que sobrevivam aos modismos."

    100% de acordo.

    O que arrasa com tudo é ouvir e/ou ler os modistas que percebem tanto do assunto como eu de carpintaria.

    ResponderEliminar
  2. a propósito da pintura, é uma ironia sardónica verificar que nesse século a didática de ensino de anatomia era mais avançada do que aquela utilizada nas atuais faculdades de medicina, em que ensinam anatomia sem recorrer a modelos humanos ou artificiais, dando mais enfâse a sebentas grossas que se limitam a uma descrição prolixa da anatomia, sem uma única imagem de ilustração...

    ResponderEliminar