Sugestão de Carlos Vieira de Castro.
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TEMOS DE PARAR PARA PENSAR
No passado dia 27, escrevi o que então me veio ao pensamento:
Uma “coisa” que nem tamanho tem, (como aqui escrevi há dias) feita de meia dúzia de moléculas à base de oxigénio, hidrogénio, carbono e umas pitadas de fósforo, ultramicroscópica, a meio caminho entre o inerte e a vida ou, como alguém disse, entre a química e a biologia, está a pôr em causa a hegemonia mundial dos EUA e a mostrar que todo o seu enorme poderio militar nada vale face à deliberada inexistência de um serviço nacional de saúde. Está a abanar a já de si frágil coesão da União Europeia, a revelar quão vãs foram as esperanças de Jean Monnet, Willy Brandt e Mário Soares e a dar voz aos partidos antieuropeístas. Está a desacreditar governantes irresponsáveis e populistas como Trump, Bolsonaro e Boris Johnson, a revelar uma Rússia em aproximação à Europa e uma China ambicionando ser a futura primeira potência mundial. Neste quadro, pode perguntar-se «de que vale, daqui para a frente, uma organização militar como a Nato»?
À margem do terramoto no mundo da política, da economia e das finanças, que julgo poder antever-se, assiste-se a uma notada melhoria em alguns aspectos do ambiente natural, nomeadamente e à vista de todos, na poluição atmosférica, dando plena razão à jovem sueca, tão mal e estupidamente tratada por alguns dos nossos comentadores de sofá.Estou convicto de que, quando esta contrariedade passar, muita coisa vai mudar, quer nas relações internacionais quer nas políticas internas dos países. Não estou a falar dos aspectos partidários, mas sim dos da administração, como por exemplo, a das dotações orçamentais para a saúde, as do ambiente natural, as da ciência, da educação e da cultura, as das opções económicas e financeiras, as das relações de trabalho e outras.
Especificando um pouco na área da educação (leia-se ensino) em que, como é esperável, terei algo a dizer e que, no que se reporta ao nosso país, mais me preocupa neste momento,
Começo por recordar uma afirmação do Primeiro Mministro António Costa na cerimónia de entrega do Prémio Manuel António da Mota, no Palácio da Bolsa, no Porto, em 2016:Temos, pois, de parar para pensar.
Pensar que o professor não pode, de maneira nenhuma, ser um mero transmissor das noções, tantas vezes, insisto em dizer, estereotipadas e acríticas dos manuais de ensino. Sempre disse e insisto em dizer que o professor deve saber muito, mas “muito mais” do que o estipulado no programa da disciplina que deve ter por missão ensinar. Para tal, os professores necessitam de tempo, e tempo é coisa que a situação que se vive nas nossas escolas lhes não dá. Há que libertá-los de, praticamente, todas as tarefas que não sejam as de ensinar. Há que resolver o problema das suas colocações, com vidas insuportáveis material e emocionalmente, a dezenas de quilómetros de casa, separados das famílias.
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Pensar no papel importantíssimo dos sindicatos, não só relativamente aos problemas laborais, mas aos de natureza pedagógica que eventualmente ao aflijam.
Excelente texto.
ResponderEliminarConcordo, Carlos.
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