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"Após 10 anos da entrada em vigor do decreto regulamentar da ADD, e na época do ano em que os docentes avaliados recebem as suas avaliações da ADD, conclui-se que o único objetivo para o qual foi publicado, está a ser cumprido plenamente: redução orçamental dos salários e pensões de reforma.
Na classe docente, a ADD que foi delineada desde 2012, torna-se mais insuportável de aplicar porque estes profissionais são simultaneamente avaliados e avaliadores (função inerente à profissão), sendo os critérios de uns antagónicos com os critérios dos outros. Um docente como avaliador dos estudantes, aplica um conjunto de critérios de avaliação estabelecidos por normativos legais que procuram sempre beneficiar o(a) aluno(a) com o objetivo de obter a classificação máxima. Também é estabelecido pelos normativos legais e pedagógicos que o feed-back do desempenho do(a) aluno(a) seja frequente e numa perspetiva formativa, e que o erro é usado para ajudar a melhorar, de modo a conseguir a melhor classificação. Na ADD, a avaliação está estruturada para que os avaliadores estejam focados exclusivamente na procura do erro para penalizar o(a) docente, não havendo feed-back para o(a) docente durante o ano de trabalho e no final do tempo que dura um escalão. A procura desse erro é tão minuciosa que a classificação é dada até ao valor da milésima, de tal modo que um(a) docente com 0,001 de classificação inferior a outro(a) é suficiente para ficar de fora das quotas para mérito...! A consequência é ser colocado(a) numa lista de espera que pode durar anos, o que implica necessariamente que milhares de docentes jamais chegarão ao topo da carreira em tempo de vida útil profissional (ou então continuem a trabalhar até aos 80 anos, ideia bastante sedutora para os governos...). Por isso, não é de estranhar que a reação de um docente que, quando nos serviços administrativos recebe a informação da avaliação com classificação de 9 e menção de mérito de Bom por falta de quota, tenha sido dizer em voz audível: "Com quem é que tenho de ir para a cama ou pagar para que a classificação corresponda ao mérito?". Este desespero é revelador do sistema montado: o poder de avaliação concentrado em 5 pessoas, com critérios de avaliação subjetivos e opacos, tem todos os ingredientes para estimular a corrupção.
Este método aplicado a pessoas com formação superior e especializada, que facilmente compreendem que não serve para aferir o mérito mas apenas um pretexto para se poupar em salário no imediato e pensão de reforma no futuro, provoca ressentimento profundo, que muito dificilmente não afetará a sua motivação profissional. E também a violência psicológica a que os(as) docentes são sujeitos quando avaliam os(as) alunos(as) com critérios formativos e benéficos, sabendo que a seguir serão sujeitos a uma avaliação oposta aquela que aplicam como avaliadores(as), bem como a consciência de que as suas remunerações são vitimas da má gestão e corrupção orçamental, são suficientes para promover o burn-out, que contribui, ironicamente, para piorar a prestação do trabalho, e deste modo impedir o objetivo consagrado no preâmbulo do decreto regulamentar de se “criarem condições para que as escolas e os docentes recentrem o essencial da sua atividade: o ensino e a aprendizagem”...
Mário Silva"
Não podemos esquecer que um professor contratado no 1 Escalão mesmo que tenha uma classificação de Bom ou Muito Bom (pois mesmo com classificação de Excelente devido às quotas nunca alcança esta classificação) e na prática não há qualquer impacto, tudo permanece igual incluído permanecer no mesmo Escalão, A ADD não passa de uma futilidade em termos de benefícios para os contratados e pior se o docente recusar-se a entregar seu relatório de ADD o seu tempo de serviço não conta para efeitos de colocação. Vergonhoso uma Lei assim...É ridículo pois o docente deveria ter liberdade de escolha sem nenhuma penalização pois cabe a ele decidir se deve ou não entregar o relatório de ADD.
ResponderEliminarembora os profs contratados tenham sido um grupo que conseguiu conquistas importantes (norma-travão, portaria da colocação no escalºao correspodente ao tempo de serviço), devido ao empenho persistente do predidente da associação de profs contratados (que depois ganhou um pouso de nomeação governamental...), ainda são utilizados como 'carne para canhão', já que há muitos que não conseguem aceder às conquistas. A ADD está idealizada apenas com um objetivo: controlo orçamental dos salários e pensões de reforma. Como efeito secundário benéfico para o governo, promove a conflitualidade interna escolar, que será penalizante para os estudantes, algo indiferente para quem governa...
ResponderEliminarQue realidade tão triste!
ResponderEliminarMuito vergonhoso!
ResponderEliminarEsperamos que não seja ironia....mas só quem está dentro do " convento " sabe o que lá se passa..É sim, há duas realidades, dois pesos e medidas, os contratados e os professores efetivos. Estes muitas das vezes, demonstram falta de consideração pelos outros como se fossem "personagens" de fora...a saber que sem os contratados o sistema não funcionaria.... Depois, os contratados não têm ajudas de custos nas deslocações tudo saí do bolso, por outro lado, estes fazem o mesmo trabalho que os efetivos, por vezes muito mais, ou seja têm acumulação de cargos enquanto os efetivos até isso podem recusar fazer, e recebem menos que os efetivos. ..Seria interessante aplicar uma Lei do género...." Trabalho igual, vencimento igual "...E recebe mais só quem acumularia cargos ( DT´s, Coordenadores..etc..)...Um contratado com horário completo recebe líquidos à volta de 1000€ menos as despesas da casa, transporte resta-lhe por vezes apenas 300 €...Não admira o desânimo , o sentido de injustiça e falta de reconhecimento, daí muitos contratados ponderarem abandonar o Ensino...
ResponderEliminarIronia?!! Então?
ResponderEliminarPode ser a sua experiência mas não é a de muitos outros essa falta de consideração, que não existe e até pelo contrário, existe a consideração em serem recebidos e terem a colaboração dos efetivos. Se sem os contratados o sistema não funcionaria, sem os efetivos não existiria...
ResponderEliminarOs efetivos também não têm ajudas de custo, também acumulam cargos e e receber depende do escalão, havendo efetivos que recebem menos que os outros efetivos. E realmente seria interessante aplicar o principio "trabalho igual, salário igual" não só para os contratados como também para os efetivos. Uma característica bizarra da carreira docente é essa: mesma competência técnica, mesma função, mas salário diferente entre profs...
"o desânimo, o sentido de injustiça e falta de reconhecimento" é comum a todos...
Concordo "o desânimo, o sentido de injustiça e falta de reconhecimento" é comum a todos...
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