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domingo, 2 de junho de 2019

Tensão Democrática

 


 


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Uma epifania invadiu as mentes mediáticas após as eleições europeias. Mesmo sem qualquer estudo, a geração Erasmus foi de imediato acusada de ingratidão: não votaram; abstiveram-se. E de quem é a culpa? Obviamente que é da escola e dos professores. Com segurança, só podemos afirmar que a abstenção é um produto de uma sociedade que exacerbou o individualismo; também de quem governa. E interroguemos: que escola (a tal que adoece alunos, professores e outros profissionais) é que existiu na última década e meia? Também se educa pelo exemplo e todos os estudos indicam inequivocamente que a democracia foi eliminada das escolas em 2009 (porque inscrevia muito trabalho e exigia muita negociação). Nesse sentido, como é que se educa para a democracia numa instituição que não a vive? E, já agora, como é que a sociedade educa os jovens? Segundo a OCDE e a Universidade do Minho, os nossos adolescentes revelam uma "falta de autonomia assustadora e são os mais ansiosos da OCDE".


Para poupar acusações de parcialidade, sublinhe-se que, ainda recentemente, os conselheiros do CNE denunciaram que "as sucessivas reformas foram regulamentadas por questões financeiras e de caráter ideológico".


"É preciso agir urgentemente  junto dos jovens para combater a abstenção", disse o ministro da Educação na Conferência "Educação, Cidadania, Mundo. Que escola para que sociedade?" E acrescentou: "a escola tem um papel fundamental no processo de criar sociedades livres, democráticas e sustentáveis e é preciso uma prática diária para que a cidadania se cumpra". O facto, é que passou uma legislatura e o Governo não mexeu uma vírgula para o regresso da democracia às escolas. Nesta matéria, o Governo não se pode queixar de Bruxelas ou do Parlamento Nacional (basta ler os programas eleitorais) e nem sequer do FMI, do BCE, do BdP, dos sindicatos ou dos mercados. Fundamentalmente, olhará para dentro e questionará o conformismo perante as políticas neoliberais puras e duras aplicadas à escola que provocaram a ineludível tensão democrática.


Nota: o monstro da avaliação dos professores está em fase de dilacerar a atmosfera com injustiças e o spin neoliberal de dividir, pela inveja social, para reinar: "nota máxima para mais de metade dos professores do ensino superior"; "um juiz estagiário ganha mais do que um professor do não superior no topo" (há 115 índices remuneratórios no Estado; o máximo dos professores é o 57º); em "95% das empresas não existe avaliação do desempenho e nas restantes é uma farsa quase generalizada". Ou seja: como os professores são muitos, levam com a nação em cima. É evidente que o post tem toda a relação com a nota.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Da Culpa da Geração Erasmus

 


 


A tal geração Erasmus votou em números muito reduzidos (é o que se diz por aí) para espanto de alguns que se apressaram a culpar a escola. Acusam os jovens adultos de ingratidão (como se empregos com um mínimo de qualidade estivessem ao virar da esquina). Não me parece uma conclusão rigorosa. O que podemos afirmar com segurança, é que os números da abstenção nas eleições europeias terão uma qualquer relação com uma sociedade que exacerbou o individualismo. Nesse sentido, é importante interrogar: que escola é que existiu na última década e meia? (a tal que adoece os jovens?) Se se educa pelo exemplo, qual é o ambiente democrático das nossas escolas há cerca de uma década?


Também seria interessante encontrar respostas para o seguinte: como é que a sociedade educa os jovens? (segundo a OCDE e a Universidade do Minho, os nossos adolescentes revelam uma "falta de autonomia assustadora", com tendência a aumentar, e são os mais ansiosos da OCDE)

segunda-feira, 27 de maio de 2019

A Culpa Foi dos Professores

 


 


A culpa foi dos professores: a abstenção foi a mais alta da história porque os professores não foram votar; a direita sofreu uma derrota histórica porque se associou à luta dos professores; o BE subiu porque captou o voto dos professores (afinal, os professores votaram ou não?); o PCP baixou porque os trabalhadores ficaram com ciúmes da insistência dos sindicatos de professores; o PS subiu dois pontos em relação a 2014 porque não cedeu aos professores. Enfim. Ficava mais uma hora em conclusões destas que se ouvem por aí. Dá ideia que o mainstream não quer ler de outro modo a abstenção (os abstencionistas não serão todos desinformados e desinteressados pela política) e os votos nulos e brancos. Por outro lado, esta votação nas legislativas resultava numa configuração parlamentar diferente da actual: vários partidos com um eleito; a direita tradicional sem qualquer deputado em vários distritos; o PAN com eleitos em vários distritos; a possibilidade de outra configuração para uma geringonça 2.

terça-feira, 27 de maio de 2014

crise sobre crise - repete-se a história recente do ps

 


 


 


Estamos institucionalmente em crise. A coligação que governa é minoritária e a maioritária oposição parece que não consegue forjar uma alternativa sólida de Governo. Se deixarmos de lado a análise da abstenção e dos votos brancos e nulos, as eleições europeias retrataram o referido.


 


É exactamente por isso que já se iniciaram movimentos de disputa de liderança no PS. Quem deseja, acima de tudo, uma mudança de Governo impacientou-se e repete-se a história recente do PS. Veremos como termina.


 


 



 


 

segunda-feira, 26 de maio de 2014

das eleições europeias (2) - assis & rangel

 


 


 


 


 



 


 


 


A imagem que colei no post foi a primeira que me apareceu na mente quando o PS anunciou Assis como cabeça de lista num post que intitulei de "Assis & Rangel". 


 


Estou mais atento às questões da Educação. Assis, para além de um "Lurditas D´Oiro", passou três anos quase a subscrever o para além da troika. Vinte e quatro horas depois de ser anunciado candidato, o seu discurso inclinou cento e oitenta graus. 


 


E se formos analisando os componentes da lista do PS, não diferem muito de Assis. Maria João Rodrigues, a número dois, ainda recentemente afirmou que "o principal problema português é a ausência de modelos de avaliação, com uma alusão às políticas do seu partido, que, disse, encontraram resistências em interesses instalados. Como professor, senti logo um arrepio".


 


Enfim. O legado dos últimos governos do PS ainda estão bem presentes e há demasiada gente a viver na estratosfera.


 


 


 

das eleições europeias (1) - a revisão constitucional e o futuro

 


 


 


A percentagem de votos no arco da governação, e a manter-se nas próximas legislativas, já não lhes permite mudar a constituição. Estão cada vez mais longe dos 66,6%. É evidente que a soma do PS com o PSD nem aos 60% chega e o CDS já deve ir no meio-táxi, qualquer coisa entre o BE e o Livre.


 


A ideia de um bloco central, que acordaria uma revisão constitucional para ainda mais austeridade, pode ser desastrosa e abrir caminho a uma ditadura. 


 


É exactamente este cenário que quem quiser ganhar eleições para governar com estabilidade tem que contrariar. Para isso, necessita de uma liderança com provas dadas e que não assuste os eleitores ao negociar com as forças que estão fora do arco governativo.


 

domingo, 25 de maio de 2014

da queda histórica da direita

 


 


 


 


 


 


As sondagens são o que são, mas é possível tirar algumas conclusões. A abstenção aumenta e reflecte a falta de entusiasmo com o estado da democracia.


 


A direita para além da troika tem uma inapelável derrota nestas eleições. O CDS, que desde o início da governação pôs a campanha eleitoral acima dos interesses do país, tentará culpar o PSD num gesto típico da sua irrevogável condição, mas a derrota é de ambos e justifica que acreditem num antecipado regresso à bancada da oposição.


 


O PS vence, mas com um sinal evidente do eleitorado: a democracia portuguesa cansou-se da política de aparelho e do denominado arco da governação que capturou a democracia. Os eleitores reflectiram e querem soluções governativas que ultrapassem o conhecido.


 


A CDU beneficia do voto de protesto e obtém uma muito boa votação, o PT tem um crescimento que pode não ser sustentado e o BE quase que desaparece; naturalmente.


 


Este post será actualizado.


 


 


 


 

domingo, 22 de setembro de 2013

talvez custe ler

 


 


 


Na sua crónica intitulada "O que fará Merkel com a sua vitória?", Teresa de Sousa escreve assim:


 


"(...)O SPD ainda não conseguiu ultrapassar uma votação medíocre (26 por cento), que regista desde que Schroeder decidiu que a Alemanha tinha de fazer profundas reformas para se tornar competitiva, que colidiam com as regalias dos trabalhadores (a histórica base de apoio do SPD) e com a generosidade do Estado social. A sua “Agenda 2010”, que está na base da transformação da Alemanha de “homem doente da Europa” numa economia altamente competitiva, ainda não foi perdoada.(...)".




Repare-se no preciosismo da cronista, "(...)Alemanha de “homem doente da Europa” numa economia altamente competitiva(...)", que parece concluir: a devastação ultraliberal, que absorveu os sociais-democratas alemães, leva as sociedades de doentes a competitivas. Mesmo que as pessoas sofram, que o desemprego seja enorme, que proliferem os mini-jobs de 450 euros mês, o que interessa é o "competitivo" em favor de uma minoria que se dedica ao casino financeiro. De certa forma, os sociais-democratas, e perante a vitória eleitoral de Merkel, querem puxar para si o mérito da devastação europeia. A esquerda capitulou mesmo.



domingo, 8 de março de 2009

europa

 



 


(encontrei esta imagem aqui)


 


Recebi por email um texto que se refere às próximas eleições para o parlamento europeu. O cabeça de lista do partido político que apoia o actual governo é Vital Moreira. Sobre algumas das intervenções políticas deste conhecido professor já uma vez publiquei um texto, de Vasco Tomás, que pode ler aqui. Claro que, e a exemplo da proposta inerente ao texto que vai ler, também não votarei no partido socialista.


 


Ora leia o texto de Constantino Piçarra e tire as suas conclusões.


 





QUEM ODEIA OS PROFESSORES NÃO PODE TER O SEU VOTO





 

Vital Moreira, reputado professor de Direito da Universidade de Coimbra, foi, este fim-de-semana, no Congresso do Partido Socialista, dado a conhecer como cabeça de lista deste partido nas próximas eleições para o Parlamento Europeu.

Vital Moreira é uma personalidade com um passado e um presente político conhecido de boa parte dos portugueses.



O que, talvez, nem todos saibam é que este mestre de Direito nutre um profundo desprezo pela classe docente, só comparável ao da actual Ministra da Educação.

De facto, em 18 de Novembro de 2008, no jornal "Público", Vital Moreira faz um dos ataques mais rasteiros e mais odiosos que me foi dado ler em todo este processo de luta dos professores contra o actual sistema de avaliação.

Que diz aí Vital Moreira? Basicamente quatro coisas, a saber:



a) Que não existe qualquer razão para que os professores não sejam avaliados para efeitos de progressão na carreira;



b) Que os professores não gozam de direito de veto em relação às leis do país, nem podem auto-isentarem-se do seu cumprimento, pelo que não é aceitável qualquer posição que implique resistência à aplicação do actual modelo de avaliação;



c) Que o governo não pode ceder às exigências dos professores, devendo antes abrir processos disciplinares a todos aqueles que ponham em causa a concretização da avaliação dos docentes tal como foi congeminada pelo Ministério da Educação;



d) Que o governo, na batalha contra os professores, deve esforçar-se por chamar a si a opinião pública, isolando, desta forma, a classe docente.


Este é o pensamento de Vital Moreira, onde a sua veia caceteira surge bem expressa.

Mas, mais do que isso, este texto, publicado no "Público", revela-nos um verdadeiro guia político da acção do Ministério da Educação contra os professores.


Que cada colega não perca a memória e dê a devida resposta a este senhor nas eleições para o Parlamente Europeu, é o mínimo que está ao nosso alcance.



Constantino Piçarra