domingo, 13 de setembro de 2009

da queda da ministra

 



Foi daqui.


 


 


 


A propósito das declarações de José Sócrates no sentido da substituição da ainda ministra da Educação no caso do partido socialista vir a formar o próximo governo, fica para discussão o grau de responsabilidade dos diversos actores nas nefastas políticas da Educação. O que a ainda senhora ministra pensava sabemos bem. O chefe do governo acompanhava-a, tentava transmitir uma aura de determinação e nunca a substituiu; tem de ficar forçosamente colado aos quatro anos negros da Educação.


 


E lembrei-me de recorrer a uma citação.


 


"(...) Mas os meus criados, estragados a pouco e pouco, deram-mas a conhecer. Foi através dos seus defeitos invariavelmente adquiridos que vim a conhecer os meus defeitos naturais e invariáveis; o carácter deles pôs diante de mim uma espécie de prova negativa do meu. Houve tempos em que a minha mãe e eu tínhamos troçado da senhora Sazerat, que dizia, falando dos criados: "Essa raça, essa espécie." Mas devo dizer que a razão pela qual não me passava pela cabeça o desejo de substituir a Françoise por um outro qualquer era que esse haveria de pertencer igual e inevitavelmente à raça geral dos criados e à concreta espécie dos meus. (...)"


 


Marcel Proust,


"Em busca do tempo perdido",


tradução de Pedro Tamen,


volume 3, página 65.

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