sábado, 30 de outubro de 2010

fatia do caos

 


 


 


 



 


 


Está muito difícil a vida para as escolas portuguesas do básico e secundário. A avaliação do desempenho dos professores cumpre calendário e o processo é a desgraça que se conhece. Por mais voltas que se dê, o clima organizacional e o ambiente relacional deterioram-se. Mais ainda, quando a instituição não tem rumo ou vê o poder de decisão na rua.


 


Quando não se pensa de forma coerente, preparada, estudada e com a ideia de conjunto, as iniciativas desgarradas impõem-se com uma simples formulação: donde venho era assim que se fazia ou sei que na escola x é assim que se procede. Benchmarking a pataco, digamos assim.


 


Nessas circunstâncias, uma ideia que encontra o vazio recebe sempre o estatuto de caminho e é acolhida por quem tinha a responsabilidade da realização como uma espécie de alívio. A soma dessas desconexões provoca a desorientação organizacional e faz emergir os fenómenos que caracterizam os maus desempenhos.


 


Se associarmos a avaliação de professores a uma organização desorientada, assistiremos a situações que ridicularizam os princípios básicos do profissionalismo e da deontologia. A corrida à inutilidade sobrepõe-se como meta para a melhor avaliação. A sobrevivência agrava-se quando não se utiliza, por desconhecimento e falta de estudo, a cultura organizacional anterior. Mais ainda se esse conjunto de procedimentos estavam certificados com uma referência de eficiência e eficácia.


 


Temos de nos beliscar se pensarmos que tudo isto tem como cenário o século XXI e o ano de 2010.

7 comentários:

  1. Tão lúcido que mais parece um foto.

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  2. "uma ideia que encontra o vazio recebe sempre o estatuto de caminho" Uma condenação belíssima e equívoca, por não ser, em muitos casos, e infelizmente, verdadeira. Mas o pior, que é o que aqui importa, é quando realmente é.

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  3. Errata (desculpe Paulo) Tão lúcido que mais parece uma foto...

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  4. Antecedida de Nessas circunstâncias... claro

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