sábado, 23 de outubro de 2010

no mesmo lugar

 


 


A primeira página do Expresso, no seu canto inferior direito, traduz em números a vergonha da sociedade portuguesas: 30% dos alunos reprovam no primeiro ciclo.


 


Os últimos anos foram nefastos para as nossas crianças. A uma sociedade com pouca ambição escolar somou-se um governo apenas interessado em votozinhos e em destruir o poder democrático das escolas. Poucos duvidam dos caos que se instalou nas escolas e dos maus resultados em consequência da inédita e comprovada perseguição aos professores. Para grande parte das crianças portuguesas o destino ficou traçado pelo desastroso armazenamento escolar.


 


Há tempos escrevi assim:


 


"(...)A história dos sistemas escolares evidencia: sociedades com mais ambição escolar e com meios económicos que a sustentem atingem taxas mais elevadas de sucesso escolar. É irrefutável. Podíamos até atribuir a essa condição uma percentagem próxima dos 90%. Ou seja: se conseguíssemos sujeitar 100 crianças a uma escolaridade em duas sociedades de sinal contrário, os resultados seriam reveladores. Deixemos esta responsabilidade nos 60% para que sobre espaço para os outros níveis.


 


Se testássemos 100 alunos em escolas com organizações de níveis opostos mas na mesma sociedade, esperar-se-iam resultados diferentes. Todavia, essa diferença não seria tão acentuada como no primeiro caso. As condições de realização do ensino (clima escolar, disciplina, número de alunos por turma e na escola, autonomia da escola, desenho curricular, meios de ensino) devem influenciar em 30% e são mais significativas do que o conjunto dos professores.


 


Se 100 alunos cumprissem duas escolaridades com 100 professores diferentes, os resultados deveriam oscilar muito pouco. É neste sentido, abrangente, histórico e generalista que se deve considerar os 10% atribuídos aos professores.


 


É também por isso que pode ser um logro absoluto que uma sociedade com baixos níveis de escolaridade consuma as suas energias à volta do desempenho dos 10% ou sequer se convença que basta mudar o conteúdo físico dos 30% para que tudo se resolva. A componente sociedade é decisiva e se fecharmos bem os olhos podemos até considerar que 60% é um número por defeito. Mas mais: por paradoxal que pareça, sem os 10% nada acontece e não há ensino".


 


Sobre este assunto por ler ainda este post onde escrevi os seguinte parágrafos:


 


"(...) E então, dirá o leitor, não há solução? Claro que há caminhos a percorrer que com sistemática e tempo podem ser bem sucedidos. Desde logo, combater o flagelo do abandono e insucesso escolares está longe de ser uma tarefa exclusiva da escola; é de toda a comunidade. Se há que apurar números e estabelecer objectivos - e claro que há -, então pegue-se na organização administrativa do país (sei que Portugal tem mais de quarenta quadros, quando o moderno e razoável seria um) e faça-se um ranking concelhio com os números do abandono, e do insucesso, e divulgue-se(...)".


 


 


 


5 comentários:

  1. A escola é hoje um armazém e ninguém está indignado com isso a não ser meia dúzia de Encarregados de Educação e os professores que sentem no dia a dia o mal que faz tanta hora dentro do mesmo espaço, a trabalhar o empobrecimento curricular, só e unicamente porque os pais só de há poucos anos a esta parte é que trabalham. Dantes não! Dantes os pais não trabalhavam? Trabalhavam sim. Só que (já aqui referi) não andavam de Audi nem BMW; não iam de férias para fora enquanto os filhos eram pequenos; não havia o ecrã plasma nem os telelés para toda a família...etc, etc etc. Haviam ATL's e actividades fora da escola e haviam também famílias um pouco mais estruturadas que hoje. É verdade.
    E nas escolas? O que é que havia que não há hoje?
    Havia bom clima, havia vontade de trabalhar, respeito e até houve um modelo de gestão democrático.
    A crise de valores é também o que sabe e vê. E a nossa sociedade......
    Acho que a continuarmos assim, em breve os 30% de chumbos no 1º ciclo serão 50 ou 60%. Já nem lá vão com a Ritalina e coisas afins.
    Apetecia-me escrever mais e muito mais, sobre escolas, EBI, projectos, horários antigos, horários novos......................................................................................................................................................
    Mas agora não. Estou a deixar de fumar e não me posso enervar. Disse-me o médico.

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  2. Viva Donatien.

    Deste-me uma ideia para o post seguinte

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  3. Parabéns Isabel! Finalmente ganhaste juízo . Força!

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  4. Isabel, valeu a pena, viver essa paixão...

    Há mais vida para além dessa vida. Sacerdócio? Não!

    Como eu te compreendo,

    um abraço

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