terça-feira, 24 de abril de 2012

evocar o capitão sem medo

 



 


 


Aquele que na hora da vitória
respeitou o vencido


Aquele que deu tudo e não pediu a paga


Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite


Aquele que amou os outros e por isso
Não colaborou com a sua ignorância ou vício


Aquele que foi «Fiel à palavra dada à ideia tida»
como antes dele mas também por ele
Pessoa disse


 


Sophia de Mello Breyner Andresen


 


 


 


 


Título do vídeo (2minutos imperdíveis): "Salgueiro Maia: aquele que deu tudo e não pediu a paga."


 


 





 


 


Há 38 anos, Salgueiro Maia iniciava uma caminhada histórica. 





 


"Morreu aos 47 anos. A História consagra-o como o maior exemplo de coragem da revolução de 25 de Abril de 1974Salgueiro Maia, o capitão sem medo, desapareceu a 4 de abril de 1992.


"O português é caracterizado em todo o mundo pela sua capacidade de desembaraço - ou de desenrasca, como se diz na tropa. E naturalmente que (naquela madrugada) a condicionante de desenrascanço era relevante."

Numa entrevista que hoje se recorda (ver vídeo no fim do texto), Salgueiro Maia - o rosto da coragem da Revolução dos Cravos, que morreu faz hoje 20 anos - não disfarça a forma improvisada com que foi montada a operação militar que derrubou uma ditadura com mais de 40 anos, em Portugal.

Com a simplicidade que lhe era reconhecida, relata como avançou com a ideia apenas na véspera da Revolução, como a comunicação social ajudou a iludir a falta de tropa e armamento do lado dos revoltosos e como paralelamente aos cravos, o povo, em apoteose, aclamou os militares distribuindo os primeiros jornais livres de censura e... bocados de presunto.


"Quem quiser, que venha comigo!"


 


Nascido em Castelo de Vide, a 1 de julho de 1944, Fernando José Salgueiro Maia ingressou na Academia Militar, em Lisboa, em outubro de 1964. Terminado o curso, apresentou-se na Escola Prática de Cavalaria (EPC), em Santarém, para frequentar o tirocínio.

Foi comandante de instrução em Santarém e em 1968, com a guerra colonial em curso, partiu para o Norte de Moçambique, integrado na 9ª Companhia de Comandos. Em março de 1971, foi promovido a capitão e em julho de 1971 embarcou para a Guiné. De regresso a Portugal, dois anos depois, voltou a Santarém, à EPC.

Participou nas reuniões clandestinas do Movimento das Forças Armadas, integrando, como delegado de cavalaria, a Comissão Coordenadora do Movimento. Até que a 25 de abril de 1974, Salgueiro Maia teve o seu encontro com a História.

Ao princípio da madrugada, na parada da Escola Prática de Cavalaria, afirmou perante 240 homens: "Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado: os Estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!"

Todos cedem ao carisma de Salgueiro Maia. Às três e meia da manhã, dez viaturas blindadas atravessam a porta de armas da EPC, comandadas pelo capitão sem medo. O objetivo é atingir... Toledo, o nome de código para o Terreiro do Paço e os seus ministérios - o coração do regime.(...)"

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