domingo, 12 de agosto de 2012

da inevitável decadência?

 


 


 


 


O estado psicológico dos portugueses é de rebelião, embora, e pelo menos por agora, se fique pela contenção interior e pelo desabafo aos mais chegados.


Há dias, e integrado numa gincana pedonal pelo centro urbano da cidade, deparei-me com uma quantidade de adultos que me surpreendeu. Como raramente passo por ali nos dias de semana, e ainda por cima entre as 11h00 e as 13h00, fui andando, acompanhado por um grupo de alunos, e ia cumprimentando pessoas que não via há muito. Não foi difícil perceber que estava na presença de pessoas desempregadas e amarguradas.


 


Voltei, hoje, ao centro da parte da tarde e deparei-me com o mesmo flagelo. Se acrescentar a atmosfera arrepiante que se vive nas escolas, também não será difícil concluir que qualquer coisa vai ter de acontecer.


 


Portugal tem uma população despovoada de esperança e que avança, solitária e revoltada, à espera da implosão do que existe e na crença salvífica de uma força externa como sucedeu recentemente com a troika abençoada por quem manda na Europa; alguns até saudaram o acontecimento. Não será assim. A pergunta inevitável brota insistentemente: vivemos a normal brutalidade das decadências?


 


Se os tempos são propícios à eliminação da autenticidade e à hipocrisia, vírus alimentado no autoritarismo, no apontar de dedos e no salve-se quem puder, ainda podemos acreditar que muito se deverá ao nosso comportamento e à nossa capacidade para resistir. 


 


 


 


1ª edição em 3 de Julho de 2012

5 comentários:

  1. ramos silva pereira3 de julho de 2012 às 22:10

    bem observado

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  2. Resiliência portuguesa ou, simplesmente, "o povo é sereno"? Assustadoramente sereno?

    Bom post, Paulo Prudêncio.

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  3. Obrigado Carlos CV.

    Não sei responder, claro. Mas o ambiente está estranho.

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  4. "vivemos a normal brutalidade das decadências", belíssima síntese e que implica um activismo que pensáramos arrumado. É preciso desempoeirar essa gaveta, como um vinho antigo que agora sentimos chegado o momento de abrir.

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