Luís Afonso
Quem nunca esteve num conselho de turma do ensino não superior, não sabe decidir a nível macro sobre as variáveis informacionais que produzem conhecimento que apoie a tomada de decisões. Nem sei se parece, mas esta evidência é determinante e ocorre há anos a fio.
No mesmo domínio, e aos níveis meso e micro, esse deconhecimento é causador de entropia pela incapacidade de relacionar as variáveis referidas com a operacionalização dos sistemas de informação.
Se juntarmos as duas formulações, encontramos uma sólida resposta para o aparecimento de burnout nos ambientes escolares que se acentua nas sociedades minadas pela desconfiança. A hiperburocracia também se instala nos suportes digitais, contribui para a "fuga" de profissionais e para o aumento da desesperança. Todavia, o desenho transmite um sinal de espeança.
O DN informa que o "Conselho de Ministros revogou a bolsa de contratação de escola". Eram os concursos mais incompetentes da Europa (não há sequer desmiolo parecido), exigiam que milhares de candidatos sofressem com editais inenarráveis e fica para a história, como um exemplo entre milhares, o professor colocado em mais de cem escolas no mesmo concurso. Com os meios informáticos existentes, é possível criar um concurso nacional decente que mantenha a reserva de recrutamento por lista graduada durante todo o ano lectivo.
Os concursos BCE, "que o MEC eliminou hoje", eram, a léguas, os mais incivilizados da Europa e obrigavam milhares de candidatos a "tropeçarem" em editais tresloucados associados a inépcias administrativas. Era um retrocesso que superava em crueldade administrativa o inferno concursal dos finais da década de setenta do século passado. Com os meios informáticos existentes, é possível criar um concurso nacional decente que mantenha a reserva de recrutamento por lista graduada durante todo o ano lectivo e com o seguinte princípio:
À opção pela lista-graduada-sem-mais aplica-se o mesmo que à democracia em relação aos outros regimes: "a democracia é a pior forma de governo imaginável, à excepção de todas as outras". Isto é uma derrota impensável para o arco que pairou sobre a 5 de Outubro e a 24 de Julho e uma cedência aos professores que o repetiam à exaustão; e à mais elementar justiça.
Os concursos de bolsa de contratação de escola (BCE), são, de longe, os mais incivilizados de toda a Europa (afirmo-o sem qualquer dúvida) e obrigam milhares de candidatos a "tropeçarem" em editais tresloucados associados a inépcias administrativas.
Quem se informar sobre o histórico dos concursos de professores concluirá que estamos num retrocesso que supera em crueldade os infernos administrativos dos finais da década de setenta do século passado. É arrepiante passar por um qualquer grupo das redes sociais e ler os testemunhos.
Isto não é próprio de uma sociedade moderna e os episódios kafkianos têm origem num caos administrativo e organizacional. Sim, a utilização do substantivo caos não é exagerada. O silêncio que vai imperando talvez se deva ao desconhecimento do caos, mesmo por parte de professores (uma percentagem elevada já não concorre e tem sido devastada por outras matérias), e à degradação mediática e constante da imagem da escola pública.
Com os meios informáticos existentes, era possível criar um concurso nacional decente com o seguinte princípio:
"(...)À opção pela lista-graduada-sem-mais aplica-se o mesmo que à democracia em relação aos outros regimes: "a democracia é a pior forma de governo imaginável, à excepção de todas as outras". Mas isso seria uma derrota impensável para o arco que paira sobre a 5 de Outubro e a 24 de Julho e uma cedência aos professores que o repetem à exaustão.(...)".
1ª edição em 24 de Julho de 2015.
Já tenho conhecimento de colocações duplicadas logo no primeiro dia. Assistamos ao desenvolvimento do inferno concursal; claro, que é um inferno para quem concorre, já que para Nuno Crato é a normalidade. Aliás, já acusou os avisadores de campanha eleitoral. Não há mesmo um pingo de vergonha, que raio. Cá para mim mudem as eleições para Novembro ou iniciem as aulas em Dezembro.
Enquanto o PSD e o CDS se entretêm em mútuas acusações, a saga mais tresloucada e incompetente da história dos concursos de professores continua a prejudicar seriamente alunos e professores e as respectivas famílias. Bem pode o Governo agradecer o facto do concurso ser "apenas" para menos de 5% dos lugares. Se por acaso tem existido um concurso interno aberto a todos os professores do quadro sem ser na lógica vigente da mobilidade interna, o caos seria sei lá o quê. Se Nuno Crato pouco sabia do sistema escolar e depositou no SE do CDS a responsabilidade pelos concursos, e se a composição destas equipas obedece às cotas partidárias, então está tudo explicado.
O Governo que, por confessado experimentalismo, anuncia aulas de compensação por causa do rol de incompetências nos concursos, decide que o mesmo sector sofrerá um corte de 700 milhões.
Sinceramente: não raramente, dou comigo a pensar como foi possível Portugal ser governado por pessoas assim.
Encontrei aqui uma descrição do estado do MEC que é muito próxima do real e que não é só de agora:
"Falta de planificação atempada. Falta de critérios. Muita falta de trabalho. Para que o Sr. Ministro faça desfiles na televisão há funcionários a trabalhar até às 24 horas nas direções gerais e de serviços a ligar e a aconselhar diretores em assuntos dos quais não fazem ideia nenhuma, numa cadeia de incompetência e de pseudo-autoridade que começa a ser um cancro dentro do ministério. Quanto mais distante da sala de aula mais manda o funcionário. Este tipo de situações foi proliferando a partir do momento em que o Professor e o Aluno deixaram de ser pessoas e passaram a ser números e ferramentas. Não há baixa de natalidade que explique a falta de cultura."
Até posso aceitar a credulidade, das pessoas que têm passado pelo MEC, em acabar com concursos pelas listas graduadas. A crença está aquém da competência. Foi assim com o concurso de titulares inventado por Lurdes Rodrigues e é agora com a Bolsa de Contratação de Escola e congéneres. E não se ilibem de responsabilidades muitos dos decisores escolares.
A causa é simples e comum aos dois processos: inexistência de objectividade e muitas vezes de certificação e crença na divina providência do contratante.
É precisamente por isso que concluí que os actuais decisores, que protestaram (associaram-se tarde ao processo e próximo de eleições, para sermos mais rigorosos) e acabaram com o concurso de titulares, nem esta evidência devem conhecer.
E desculpem citar-me outra vez, mas em 18 de Setembro escrevi assim: "(...)À opção pela lista-graduada-sem-mais aplica-se o mesmo que à democracia em relação aos outros regimes: "a democracia é a pior forma de governo imaginável, à excepção de todas as outras". Mas isso seria uma derrota impensável para o arco que paira sobre a 5 de Outubro e a 24 de Julho e uma cedência aos professores que o repetem à exaustão.(...)".
O caos está instalado e, a exemplo de 2004, só se sairá disto mantendo um rol de injustiças e enganando pessoas saturadas ou fazendo um novo concurso pela lista graduada para todos os professores contratados e para todos os horários.
Recebi por email com pedido de divulgação.
Há quase dez anos que os telejornais incluem o "caos" na escola pública. O desprezo pela Educação nos últimos governos do arco governativo empurrou a organização do MEC para o mesmo lugar onde colocou o país.
As filas de professores nos centros de emprego a 1 de Setembro, hoje, portanto, eram escusadas. Milhares serão colocados e o atraso deve-se à crescente incompetência do MEC.
O programa de rescisões com professores teve uma adesão que duplicou o esperado tal a ideia de "fuga" instalada nos professores. Como o legislador não enunciou critérios de seriação, a confusão está instalada e a mediatização fará o papel habitual
A prova de avaliação de professores contratados é um processo coberto de ridículo que envergonha qualquer organização.
E podíamos estar a noite toda a elencar incompetências.
Tudo isto não é próprio de uma sociedade moderna e os episódios Kafkianos que estão a ocorrer têm origem numa traquitana que vive num caos administrativo e organizacional. É evidente que o fanatismo ideológico deste Governo tem uma elevada cota de responsabilidade e também não é desprezível a queda da Aliança Democrática para o caos nos concursos e para a incomodidade com os fenómenos numéricos. Até pode ser redundante o que vou escrever, mas só me sai uma expressão: mas estas pessoas nunca mais são elevadas para uma qualquer fundação?
Os tempos que estamos a viver reflectem-se na saúde mental. Basta estar atento para detectar os sinais. Há muito que os psiquiatras têm nos professores os doentes mais assíduos e a tendência é para que se agrave o estado de "depressão" desse grupo profissional.
A Noruega vai financiar um estudo sobre o impacto da crise na saúde mental dos portugueses.
Em paralelo com esta notícia, constata-se o aumento do número de toxicodependentes. A sociedade portuguesa adoeceu mesmo e o sistema escolar está à beira de um ataque de nervos por exaustão. Se nada de positivo acontecer nos próximos meses, o ano lectivo em curso será mais conturbado do que o final do anterior.
Quem se informar sobre o histórico dos concursos de professores concluirá que estamos num retrocesso que nos aproxima dos finais da década de setenta do século passado. Tudo se agravou com a anterior AD, em 2003, que exterminou 23 CAE´s em detrimento das inúteis, e incomparavelmente mais pesadas, DRE´s.
Com os meios informáticos existentes na mudança de século, era possível criar um concurso nacional decente seguido de colocações por área educativa com uma inteligente gestão do serviço docente sem ser necessário agrupar ou agregar escolas. Só um detalhe nada desprezível, já que tudo isto obedece a máquinas: a reorganização da administração do Estado ficou a cargo de Miguel Relvas como na anterior AD. É, realmente, um currículo que dá créditos.
Os concursos por oferta de escola, os mais incivilizados de toda a Europa (afirmo-o sem qualquer dúvida), obrigam os milhares de candidatos a "tropeçarem" de agrupamento em agrupamento (às centenas) com editais diferenciados e com inépcias administrativas graves. Depois têm as entrevistas.
Recolhi no facebook mais esta pérola que prevê os famigerados portafolhas (serão mais uns milhares de páginas digitalizadas, valha-me não sei o quê):
"Cara candidata:
Na plataforma SIGRHE poderá consultar os critérios e subcritérios indicados para a oferta de trabalho a que se candidata.
Segunda-feira de manhã serão disponibilizadas as publicitações das ofertas de trabalho em fase de candidatura, cujos horários foram validados pela DGEstE no final de sexta-feira passada.
Os documentos a enviar deverão comprovar os dados inseridos na sua candidatura. Se um dos critérios for a avaliação do portfólio, também o deverá enviar, dentro do prazo de candidatura."
Será que estes milhares de professores não têm direito a descansar e a recarregar baterias? Não é só a tradicional bagunça organizacional dos finais de ano lectivo acrescentada das PPP´s da rede escolar, são, como sempre se disse, os cortes a eito verificados no verão de 2012.
Os aumentos nos horários dos professores e no número de alunos por turma, a revisão curricular e os mega-agrupamentos institucionalizaram um inaudito desrespeito pela profissionalidade dos professores e exigem um qualquer ponto final. O sistema escolar atingiu um rol tal de brutais injustiças, perpetradas na última década, que a coisa já só vai lá com um reset.
O MEC indica que ficaram sem colocação 97064 professores profissionalizados. Sabemos que é válido o argumento de que o MEC não tem que empregar todos os professores que concorrem, mas o que é espantoso é que se tenha formado professores em massa para um destino que era há muito conhecido.
No actual concurso foram vinculados 3 professores e cerca de 1147 do quadro mudaram de escola ou agrupamento. É também sei lá o quê num concurso que se realiza de 4 em 4 anos. Também se deve sublinhar que, nos últimos 4 anos, por cada 23 professores que se aposentaram só um foi substituído com um total desrespeito pele regra máxima da administração pública que indica a substituição de 1 em cada 3 ou 5 pessoas que se aposentam. Não consigo perceber como é que os arautos das ditas "reformas" na Educação, nos professores, portanto, ainda se alimentam dos cortes a eito.
A acrescentar a este estado de sítio temos a completa confusão que se estabeleceu por causa do que foi aprovado na mesa negocial. Os sindicatos divulgaram conclusões que o despacho do MEC não contempla ficando o sistema escolar mergulhado no salve-se quem puder. O ano lectivo não podia terminar pior, realmente.
A situação no sistema escolar agrava-se. A greve ao exame do dia 17 é mais mediatizada, mas as greves às avaliações criam o caos numa série de variáveis organizacionais e têm tido uma adesão a rondar os 100%.
A contratualização externa de software para os sistemas de informação do Estado está ao nível dos pareceres solicitados a grupos de "amigos" para estudarem o estudado ou semelhante ao apoio que os grandes escritórios de advogados fornecem ao Estado nas blindagens que o prejudicam nas PPP,s, por exemplo.
O outsourcing tem depauperado os cofres públicos e sem ganhos de eficiência. Não é sequer uma conclusão apenas do universo português.
O desenho dos sistemas de informação tem de obedecer à filosofia de gestão da instituição que não pode ser imposta pelas empresas externas que comercializam as "soluções". Não pode, mas é. E o que se verifica é a institucionalização das inutilidades, o grau zero da gestão ou os elevados desperdícios financeiros.