terça-feira, 4 de setembro de 2012

globalização e escalas

 


 


 



Tudo indica que a obsessão com o aumento da escala é a resposta aflita à supressão do tempo. A humanização como categoria organizacional impor-se-á à escala e será a resposta para contrariar a absolutização do presente. O que se está a fazer nas nossas escolas não é o melhor caminho para gerir as organizações. A anarquia impor-se-á em forma de caos, por muito interessante que seja o estudo dessa imagem organizacional.


 


Para além de ser imperativo devolver aos cidadãos o poder democrático, será necessário consolidar as especificidades de cada organização e afirmar os planos estratégicos educativos locais no âmbito de um quadro de divisão administrativa do país que se identifique como moderno e razoável.


 


É fundamental definir de vez o papel dos municípios na gestão dos territórios educativos que não se devem circunscrever ao escolar. Não faz sentido que a participação das autarquias se exerça em cada escola, agrupamento ou agregação. Deve focar-se nos Conselhos Municipais de Educação com um nível exigente de prestação de contas nas políticas de educação e nos números do abandono escolar.


 


Quase que só temos conseguido substituir a atomização desresponsabilizadora do centralismo pelo caciquismo local.


 


Se não formos capazes de civilizar as ideias de compromisso, de cooperação, de mobilização, de contrato e de poder democrático, andaremos muito, depressa e em aumento de escala, mas sem resultados positivos. Voltaremos atrás a sítios que nos pareceram seguros.


 


A denominada globalização instalou-se. Ainda há tempos li uma boa entrevista de Gilles Lipovetsky, o célebre autor da "Era do vazio", a propósito do consumo dos artigos de luxo. A Gucci, empresa com mais audiência no sector e que passou, em cerca de dez anos, de três para cento e trinta lojas, tem cem milhões de consumidores na China. O autor avisa (no meio de outras reflexões): quando o consumo dos seus produtos se banalizar a empresa desaparecerá; a Nokia, por exemplo, deve andar a fazer muitas contas se é que já não encerrou as portas.


 


Qual é a relação que este pequeno exemplo tem com o que estava a escrever? O efeito do aumento da escala pode levar ao empobrecimento e à desumanização, mesmo que, por ironia, a partir dos artigos de luxo.


 


 


(Já usei parte deste texto noutro post)




2 comentários:

  1. É uma excelente reflexão sobre a implosão do modelo de racionalidade tecnocrático que ora se impôs na organização das escolas.
    As propostas quanto ao caminho a percorrer na construção de uma alternativa são pertinentes. Contudo, gostava que explicitasses mais as razões por que o "Golias" no plano organizacional está condenado à falência.

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  2. Obrigado Vasco. Tenho escrito bastante sobre o assunto "arquivado em gestão escolar", mas voltarei.

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