segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

do homem médio

 


 


 


 



 


 


Que me lembre, contactei a primeira vez com a formulação em título nos conselhos que recebi para viver bem no serviço militar: não te distingas, sê discreto; passa o mais possível despercebido.


 


Vem isto a propósito do Governo que ainda temos, do recurso aos especialistas da troika imposto pela actual maioria, para a enésima delapidação de sentido único do estado social e para a conversão veneradora à absolutização da estatística. A sugestão para "viver bem no serviço militar" subscreve os modelos vigentes que não encontram espaço para a denuncia consequente das fraudes do tipo BPN que nos arruinaram. Nem as instâncias internacionais, e de supervisão mundial, "detectam" os milhares de milhões em fuga e só têm olhos para as médias populacionais (o pico descrito por Gauss); mesmo que se prove que o pico financeiro está cada vez mais longe do pico populacional.


 


Para Quételet "(...)o homem médio é para a nação o que o centro gravidade é para um corpo(...)". Há quem entenda que se deve levar muito a sério esta metáfora.


 


O homem médio pode resumir todas as forças vivas de um país, coligando-as numa espécie de massa única. Os modelos assentes na obstinação estatística, e que socorrem a troika e os tecnopolíticos como o ex-ministro Gaspar, advogam uma excelência da média como tal: "(...)O mais belo dos rostos é aquele que se obtém ao tomar a média dos traços da totalidade de uma população, do mesmo modo que a conduta mais sábia é aquela que melhor se aproxima do conjunto de comportamentos do homem médio(...)", disse ainda Quételet quando reflectia sobre a génese dos totalitarismos.


 


 


 


 


Já usei parte deste texto noutro post.


 



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