E daqui a uns dois meses o MEC sentenciará: "(...)escolas que não abrem são casos pontuais(...)".
É natural alguma falta de pachorra para aturar um MEC que desrespeita, há anos a fio, a cultura organizacional das escolas e que despreza três valores preciosos: organização, conhecimento (que inclui as escolas) e gestão do território.
A análise crítica pode partir de variáveis diversas. Escolhi uma e fui buscar um post que teima em se eternizar.
(1ª edição em 26 de Março de 2012)
Desde o início do milénio que se tem escrito sobre o fenómeno em curso dos agrupamentos de escolas. Sejamos claros: as escolas do primeiro ciclo e os jardins de infância perderam alguma da parca capacidade de decisão, mas não é muito significativo que passem a vida a mudar de escola sede. A nossa balbúrdia organizativa é tal, que o português é especialista em planear depois do caos consumado nem que seja uma bancarrota.
As sedes dos agrupamentos existentes são escolas de várias tipologias, mas raramente estabelecimentos de ensino só com o primeiro ciclo ou pré-escolar ou mesmo com essas duas valências. Nos dois últimos anos, os agrupamentos incluíram mais do que uma escola com 2º e 3º ciclos ou ensino secundário. Parece que tem corrido mal e, portanto, generaliza-se.
As agregações ou unidades administrativas incluirão duas ou mais escolas com 2º e 3º ciclos ou ensino secundário, mas o modelo de gestão será o mesmo das escolas não agrupadas. Ou seja, com excepção das escolas sede, as outras funcionarão, em regra, sem direcção, conselho geral, conselho pedagógico, coordenadores de departamento, representantes de grupos disciplinares, coordenadores de directores de turma e serviços administrativos. E mais: não significa que todos esses membros, no caso dos professores, leccionem na escola sede. Será um modelo bem anarca e lusitano e pronto a exportar para solo lunar.
Podia fazer-se muito melhor, desde logo ao nível dos conselhos locais de Educação (se existissem ou se os executivos e assembleias municipais soubessem alguma coisa deste assunto), e com melhores resultados financeiros e organizacionais. Mas isso fica para outro dia que o post já vai longo.
Mesmo a História mais recente diz-nos que as escolas abrem todas em Setembro e que, nos primeiros dias de aulas, alunos e professores têm horários e salas de aula. Se os professores não desagradarem muito aos alunos, os encarregados de educação encerram as suas preocupações. Os outros cidadãos pensam que estes assuntos são estrangeirados e lá sabem porque é que raciocinam assim. Mesmo que uns e outros desconheçam que cerca de 60% do sucesso dos alunos depende do que se passa fora da escola e que os cerca de 40% restantes ficam à mercê da organização escolar, há um aviso que se deve fazer: o plano inclinado do actual sistema escolar consegue sempre descer mais um grau abaixo de zero.
Esta realidade, magistralmente retratada, é triste, mas o texto está genial, pelo refinado humor com que é maquilhado.
ResponderEliminarParabéns, Paulo!
Obrigado Ana.
ResponderEliminarEste -:)))))
ResponderEliminarEstavas inspirado! Sei que o tema também ajuda e embora seja mais para chorar do que para rir, o que é certo é que generalizar o que está mais que provado que só pode correr mal, só pode dar para "gargalhar".
ResponderEliminarO que de facto nunca foi provado, foi o que falhou no anterior modelo de gestão. Como até funcionava bem.....acabou-se com ele.
Há dias uma colega disse-me: "Tenho saudades da minha escolinha da aldeia, da delegação escolar, dos poucos papéis que preenchíamos, do que os alunos sabiam..."
Eu também. E tenho sobretudo saudades do bom ambiente que se vivia nas escolas. E que se perdeu. Que se tem vindo a perder desde 2006.
É Isabel. Tanta destruição cansa
ResponderEliminarOk. Obrigado.
ResponderEliminarObrigado. Abraço tb; já lá vou ao link sugerido.
ResponderEliminarNão costumo comentar em blogs apesar de ser leitor regular de vários, incluindo o teu que muito aprecio, mas desta vez não resisto. Excelente texto!
ResponderEliminarAcrescento só duas notas:
1.Abrem todas em Setembro... e funcionam, apesar do ministério da educação!
2. Uma : os professores, apesar de terem horários, nem sempre têm os seus horários; muitas vezes só têm os horários dos seus alunos (o que não é amesma coisa).
Correcção: Onde se lê "Uma:" deve ler-se: Uma precisão.
ResponderEliminarExcelente. Bem certeiro.
ResponderEliminarObrigado Micaelo.
ResponderEliminarObrigado Ricardo.
ResponderEliminarA história repete-se.
ResponderEliminarQue força é essa amigo...
Então? Isso vai mesmo? Aquele abraço.
ResponderEliminarSo espero que a escola de sto. onofre agrupe com a Raul Proença, so ganharia com isso.
ResponderEliminarREZA QUE ASSIM IRÁ SER.
Passarem por lá os meus filhos mais velhos, e agora que tenho lá o mais novo, só anseio pelo final do ano lectivo para o mudar de escola, centenas de outros pais irão fazer o mesmo. É uma escola perfeitamente à deriva onde impera o desnorte.
Ouvi dizer que fica normalmente a liderar o agrupamento a escola com melhor avaliação será que é mesmo assim?
Boa noite.
ResponderEliminarComo já deve ter percebido, não sou favorável a este modelo de agrupamento de escolas. Os resultados não o aconselham.
Como decerto também compreenderá, fico triste com o que me informa sobre a escola onde sou professor e que dirigi durante quase uma década. Desejo que se volte a aproximar dos tempos em que os encarregados de educação a escolhiam.
Santo Onofre tem sido, desde 2007, sede de agrupamento e essa decisão não teve qualquer relação com a avaliação. Quando os agrupamentos incluem escolas secundárias, têm sido essas escolas, preferencialmente como diz a lei, as sedes dos agrupamentos e também sem qualquer relação com a avaliação das mesmas.
Espero que dentro de alguns anos, poucos, a sensatez se imponha.
Obrigado.
Venho por este meio cumprimentá-lo pelo seu blog, que muito frequento.
ResponderEliminarMas, e relativamente ao seu post de ontem - Abrem todas em Setembro - relativamente aos agrupamentos horizontais, onde afirma que "(...)As sedes dos agrupamentos existentes são escolas de várias tipologias, mas nunca estabelecimentos de ensino só com o primeiro ciclo ou pré-escolar ou mesmo com essas duas valências. ",não corresponde - ainda - exactamente à verdade.
Temos ainda , a esta data, dois resistentes, o Agrupamento Horizontal de Arruda dos Vinhos e o Agrupamento Horizontal de Vila Nova de Milfontes, do qual sou membro do Conselho geral.
Com os melhores cumprimentos
João Drummond de barros
Obrigado João Barros.
ResponderEliminarJá corrigi. O nunca passou a raramente.
Os melhores cumprimentos também.
continuo a dizer … sabem o que se passou nas reunioes “secretas” com o MEC? sabem a REAL opiniao das CM e dos Directores que tem peso?
ResponderEliminarOs CG mesmo assim sao os mais transparentes (q remedio)
so agregou quem quis
quem acha que o contrario é pq nao sabe realmente o que se passou nas suas costas dentro do seu municipio
O algoritmo do Paulo continua absolutamente válido e actual...
ResponderEliminarÉ Carlos VC. Até me parece tão óbvio que atrever-me-ia a considerá-lo intemporal. Um clássico, digamos assim.
ResponderEliminarSempre actual, sabedor e com provas dadas.
ResponderEliminarParabéns pelo Blog. Lamento que não esteja a concurso no Aventar.
Dar os nomes às suspeitas ajudava...
ResponderEliminarHá escolas em que não há cadeiras, ou mesas, para os alunos se sentarem nas salas de aula. Vergonha. Incompetentes. Rua!!
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ResponderEliminarOlá Paulo, continuas em boa forma.
Um abraço solidário!
Obrigado Caro AM.
ResponderEliminarAquele abraço também.