terça-feira, 5 de setembro de 2017

do regresso da interdisciplinaridade e da socialização de professores

 


 


 


Os OCS começaram a mediatizar o regresso da antiga flexibilidade curricular discutindo o efeito nos alunos e nos métodos de ensino. Compreende-se. Mas isso representa uma pequena parte do problema. Os alunos vão aprender como sempre e relacionarão, também como sempre, o que aprendem nas diversas disciplinas. Os professores vão ensinar com os métodos de "sempre". Aumentará a possibilidade de tratar um tema do programa de diversas disciplinas num mesmo momento, a exemplo da extinta área de projecto. Poderá ser positivo.


Mas grande parte do problema, e o que conduziu ao inferno a anterior experiência de gestão flexível dos currículos, centra-se na organização. Na marcação, em catadupa, de reuniões de agenda repetida, no tratamento da informação e em dois verbos infernais: articular e registar. E nada se lê sobre isso como componentes críticas. Pior: teme-se que nada se tenha aprendido. Há variáveis organizacionais que não correspondem directamente à análise dos resultados dos alunos nem aos métodos de ensino: são de gestão pura e dura. Os dois verbos referidos são modismos da linguagem escolar que determinam o "estar muito tempo juntos", mesmo que sem qualquer visão ou estratégia, sem instrumentos modernos de gestão e em reuniões de informação repetida. São dois verbos que remetem a burocracia escolar para o lugar dos procedimentos inúteis e do faz de conta. Quando se ouviram as conclusões dos arautos do duo verbal, encontrou-se pouco mais do que a socialização dos professores.


 


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Frase de #banksy


Imagem obtida em Agosto de 2017

2 comentários:

  1. a "socialização dos professores" é importante mas não deve ser imposta. Tem de vir de outra forma e em condições concretas. Caso contrário, é "um estar juntos" estéril.
    E ainda, em mega agrupamentos com centenas de professores e 3000 ou mais alunos, esta "socialização" só poderá ser em núcleos restritos. O que é mau para um conceito de escola de proximidades.

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  2. Ou seja, é uma infantilização tal que transporta o argumento para lá do admissível.

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