Courrier International

Parece que os "assaltantes de Tancos devolveram uma caixa a mais". É risível, realmente. Fiz "oito posts sobre Tancos" e ponto final. Veremos o que sentencia a investigação em curso (?). Lembrei-me disto por causa das agendas mediáticas. Os "assaltantes" de Tancos continuam em primeira página e duas reportagens recentes, "O cartel de fogo" (ontem) e os "Lesados do BES" (há uns três dias), desapareceram.
Não vi a primeira, mas quem viu contou-me coisas intrigantes que vão dos tais "helicópteros Kamov que não voam" - com auditorias externas sem mácula e que até peças enferrujadas e presas por arames eram "invisíveis" - a contratos ruinosos para o Estado. Vi a segunda. Impressionou-me um depositante que ficou a zeros nas poupanças de uma vida. Sublinhou que, ""no dia anterior à queda do BES", o PR da altura recomendou o banco e uma auditoria externa atribuiu a pontuação máxima nos tais testes de stress".
Estamos, paulatinamente, a criar um caldo propício à demagogia. A credibilidade da justiça é o pilar fundamental da democracia, embora não se deva confundir auditores externos com MP e PGR. Como já se observou recentemente, quando há meios as investigações são conclusivas e espera-se que o caso dos incêncios tenha desenvolvimentos semelhantes ao do BES e da PT.
No rescaldo de mais uma das cíclicas catástrofes, lá aparecem os repetidos discursos de que nada foi feito após a anterior e que nos leva a concluir: será assim depois da próxima.
Sempre que há uma catástrofe natural, mesmo que não seja de interesse mediático planetário, há dois argumentos muito usuais e que se contradizem: é a maior desde que há registos (e parece que cada vez é mais assim) e à escala do planeta são abalos insignificantes.
A escalada produtiva que temos vivido tem contradições insanáveis e basta pensarmos na industria de armamento. O seu desmantelamento criaria desemprego em massa e a sua manutenção provoca o flagelo que se conhece.
Quando lemos periodicamente notícias do tipo, "Clima: "O tempo está a esgotar-se", alerta responsável das Nações Unidas", concluimos que esta instituição está com o poder muito reduzido e que as "bolhas" vieram para ficar.
Steiner, G. e Spire, A. (2000:100).
Barbárie da Ignorância.
Lisboa.
Fim de Século.
Dizem os estudiosos da história económica que o FMI nunca acertou uma previsão. Não sei se também dizem, mas outra característica do FMI é manter a mesma receita: corte nos salários da classe média, subida de impostos para o mesmo alvo, silêncio absoluto em relação aos produtos tipo subprime e ignorância (a face oculta do aplauso?) em relação aos off shores.
Valha-nos isso, porque, e a confiar no Sr. Blanchard, qualquer dia os nossos netos começam a pagar-lhes PPR´s na bolsa do pré-escolar para que os seus prémios de gestão e as suas cláusulas de rescisão mantenham um nível NBA.
Aperto orçamental na Europa poderá levar 20 anos a passar, diz Blanchard
"(...)Numa entrevista hoje divulgada pelo jornal italiano La Repubblica, Blanchard declarou que “a adaptação é mais fácil para os países que podem desvalorizar a sua moeda”, o que não acontecerá “nos países que não têm essa opção”, onde “o aperto será extremamente doloroso”.(...)"
Nem consigo imaginar o horror. Em sociedades tão desiguais os pobres engrossam o número de vítimas das catástrofes naturais.
"Poderão ter morrido "bem mais de cem mil pessoas" no terramoto no Haiti, afirmou à estação de televisão norte-americana CNN o primeiro-ministro do país, Jean-Max Bellerive. A afirmação segue-se às declarações do Presidente, René Préval, que falou da possibilidade de terem morrido milhares de pessoas no sismo, que causou ainda danos "inimagináveis".(...)"
Haiti: primeiro-ministro fala em "bem mais de cem mil mortos"