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quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Substituir Professores Por Máquinas?!

A OCDE revela o que se vai passando na ideia de substituir professores por máquinas.



"OCDE prevê que robôs vão ajudar professores nas escolas até 2040. Relatório da organização avança como poderá ser a educação em 2040 e vê escolas com professores apoiados por robôs ou mesmo a extinção destes profissionais. A OCDE apresentou esta terça-feira cenários para o futuro da educação que vão desde escolas com professores apoiados por robôs até ao desaparecimento dos profissionais de ensino, num mundo altamente tecnológico com parques infantis inteligentes para cuidar das criançasO relatório “De volta ao futuro da Educação – quatro cenários da OCDE” fornece pistas de como poderá ser a educação até 2040, mostrando que não existe “um único caminho para o futuro, mas muitos”, segundo o diretor na área da educação da OCDE, Andreas Schleicher. O relatório apresenta então quatro cenários possíveis: Prolongamento da escola (“Schooling extended”), Educação subcontratada (“Education Outsourced”), Escolas como espaços de aprendizagem (“Learning hubs”) e Aprender à medida que se avança(“Learn as you go”). Os investigadores que imaginaram um cenário de “prolongamento da escola”acreditam que as escolas irão continuar a funcionar no modelo de sala de aula com um adulto presente, mas com horários mais flexíveis, métodos de ensino variados e fronteiras entre disciplinas esbatidas. As escolas passam a ter um corpo docente reduzido, mas distinto e bem treinado, que continua encarregue de conceber conteúdos e atividades de aprendizagem, que podem ser depois implementados e monitorizados por robôs educativos, juntamente com outros funcionários”, lê-se no relatório. Já não será “preciso parar e testar”, predizem os investigadores, acrescentando que os alunos terão mais hipóteses de escolher os conteúdos da sua aprendizagem, mas os tradicionais certificados de habilitações vão continuar a ser o principal passaporte para o sucesso económico e social.(...)"


quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Que Escola, e em Que Democracia, Na Sociedade que Aí Vem

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É importante pensar para lá da pandemia, até porque se prevê a sobreposição do isolamento físico sobre o gregário na sociedade que aí vem; e dito assim para simplificar. E se no espaço do isolamento físico estão os que acreditam no absolutamente digital, no gregário não encontramos os que o rejeitam nem sequer os neoluditas. É um debate centrado num "enxame digital" e nos "gigantes da web - os GAFAM (Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft) - que nos querem controlar" (Naomi Klein) e que hierarquizam prioridades: "ensino à distância, 5G, telemedicina, drones e comércio online generalizado". Acima de tudo, há uma estratégia à procura da melhor posição global no "monopólio da inteligência artificial que governará o mundo" (Vladimir Putin). A escola não escapará ao vórtice. Os milhões que se prevêem para o digital escolar em Portugal talvez melhorem o que existe, mas abrirão mais espaço ao isolamento físico que se impõe também por obra de países e organizações não democráticas.


Portanto, quando se pensa no futuro da democracia, e do bem público e comum numa sociedade mais justa e igualitária, defende-se o espaço gregário onde é imperativa a escola como instituição nuclear e estruturante dos princípios fundadores que consolidam a razão e a ciência. Digamos que é um espaço de segurança democrática dependente da nossa vontade. E como a escola portuguesa está consensualmente asfixiada num doentio emaranhado depois de quase duas décadas de políticas comuns de contracção, e radicalmente antagónicas nos conceitos, urge um reinício assente, desde logo, na simplificação organizacional.


Para além da essencial redução de alunos por turma e por escola ou organização, há quem use a ideia de escola como abrangente sala de estudo (ou biblioteca: A. Nóvoa) em clima de conectivismo (tese de George Siemens que seria preciosa na pandemia) e currículo completo. Um espaço gregário onde os alunos estudam, pesquisam, socializam e aprendem, com os professores e com os pares, num ambiente em que os conteúdos digitais são construídos no interior da escola de modo a contrariar os massificados e homogeneizados.


Essa ideia de escola necessita de educar para detalhes decisivos e já testados: horários escolares sem campainhas e que instituam intervalos descentrados no tempo, e decididos pelos professores, de acordo com as exigências das diversas disciplinas e das idades dos alunos. Esses horários escolares, em escolas bem dimensionadas, permitirão diversas soluções de co-ensino. Uma vez que a combinação interdisciplinar permite todas as possibilidades, é necessário tempo e previsibilidade para a construção de projectos que considerem o perfil dos professores, as instalações e os respectivos horários; e essas variáveis não só não se definem por decreto, como oxigenam a inovação, a autonomia e a responsabilidade.


Estando aqui, importa precisar estilos de ensino sem engavetar teorias. O triângulo decisivo - alunos, professores e conhecimentos - é intemporal "como percebeu Hubert Hannoun". A ultrapassagem dos conflitos e contradições da educação, e da tensão da relação pedagógica (professor-aluno), tem os conhecimentos como mediadores e data e reequilibra três propostas: pedocentrismo, magistercentrismo e rogerianismo.


Finalmente, se também urge, como a pandemia revelou, uma escola que não substitua a sociedade e que integre no currículo as sessões realizadas fora da escola desde que reconhecidas pelos professores, então estamos no domínio da consolidação democrática. Mas para tudo isto, é essencial que o Professor volte a liderar a ideia de escola. Aliás, "um dos motivos pelos quais é tão difícil prever qual será o final da nossa história com a Inteligência Artificial prende-se com o facto desta história não ser apenas sobre máquinas. Também é uma história sobre seres humanos" (Kai-Fu Lee em "as superpotências da inteligência artificial - a china, silicon valley e a nova ordem mundial").


Nota: neoluditas são aqueles que se opõem às novas tecnologias e/ou às novas relações laborais que delas decorrem.


Este texto foi publicado pelo Público em 7 de Setembro de 2020. De acordo com o combinado, agendei a sua publicação aberta no blogue para o dia 8 de Setembro de 2020.

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Que Escola, e em Que Democracia, Na Sociedade que Aí Vem

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É importante pensar para lá da pandemia, até porque se prevê a sobreposição do isolamento físico sobre o gregário na sociedade que aí vem; e dito assim para simplificar. E se no espaço do isolamento físico estão os que acreditam no absolutamente digital, no gregário não encontramos os que o rejeitam nem sequer os neoluditas. É um debate centrado num "enxame digital" e nos "gigantes da web - os GAFAM (Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft) - que nos querem controlar" (Naomi Klein) e que hierarquizam prioridades: "ensino à distância, 5G, telemedicina, drones e comércio online generalizado". Acima de tudo, há uma estratégia à procura da melhor posição global no "monopólio da inteligência artificial que governará o mundo" (Vladimir Putin). A escola não escapará ao vórtice. Os milhões que se prevêem para o digital escolar em Portugal talvez melhorem o que existe, mas abrirão mais espaço ao isolamento físico que se impõe também por obra de países e organizações não democráticas.


Portanto, quando se pensa no futuro da democracia, e do bem público e comum numa sociedade mais justa e igualitária, defende-se o espaço gregário onde é imperativa a escola como instituição nuclear e estruturante dos princípios fundadores que consolidam a razão e a ciência. Digamos que é um espaço de segurança democrática dependente da nossa vontade. E como a escola portuguesa está consensualmente asfixiada num doentio emaranhado depois de quase duas décadas de políticas comuns de contracção, e radicalmente antagónicas nos conceitos, urge um reinício assente, desde logo, na simplificação organizacional.


Para além da essencial redução de alunos por turma e por escola ou organização, há quem use a ideia de escola como abrangente sala de estudo (ou biblioteca: A. Nóvoa) em clima de conectivismo (tese de George Siemens que seria preciosa na pandemia) e currículo completo. Um espaço gregário onde os alunos estudam, pesquisam, socializam e aprendem, com os professores e com os pares, num ambiente em que os conteúdos digitais são construídos no interior da escola de modo a contrariar os massificados e homogeneizados.


Essa ideia de escola necessita de educar para detalhes decisivos e já testados: horários escolares sem campainhas e que instituam intervalos descentrados no tempo, e decididos pelos professores, de acordo com as exigências das diversas disciplinas e das idades dos alunos. Esses horários escolares, em escolas bem dimensionadas, permitirão diversas soluções de co-ensino. Uma vez que a combinação interdisciplinar permite todas as possibilidades, é necessário tempo e previsibilidade para a construção de projectos que considerem o perfil dos professores, as instalações e os respectivos horários; e essas variáveis não só não se definem por decreto, como oxigenam a inovação, a autonomia e a responsabilidade.


Estando aqui, importa precisar estilos de ensino sem engavetar teorias. O triângulo decisivo - alunos, professores e conhecimentos - é intemporal "como percebeu Hubert Hannoun". A ultrapassagem dos conflitos e contradições da educação, e da tensão da relação pedagógica (professor-aluno), tem os conhecimentos como mediadores e data e reequilibra três propostas: pedocentrismo, magistercentrismo e rogerianismo.


Finalmente, se também urge, como a pandemia revelou, uma escola que não substitua a sociedade e que integre no currículo as sessões realizadas fora da escola desde que reconhecidas pelos professores, então estamos no domínio da consolidação democrática. Mas para tudo isto, é essencial que o Professor volte a liderar a ideia de escola. Aliás, "um dos motivos pelos quais é tão difícil prever qual será o final da nossa história com a Inteligência Artificial prende-se com o facto desta história não ser apenas sobre máquinas. Também é uma história sobre seres humanos" (Kai-Fu Lee em "as superpotências da inteligência artificial - a china, silicon valley e a nova ordem mundial").


Nota: neoluditas são aqueles que se opõem às novas tecnologias e/ou às novas relações laborais que delas decorrem.


Este texto foi publicado pelo Público em 7 de Setembro de 2020. De acordo com o combinado, agendei a sua publicação aberta no blogue para o dia 8 de Setembro de 2020.

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Financiamento Europeu e o Digital no Escolar

Será óbvio que as quantias que venham a ser aprovadas pelo Conselho Europeu, para a ajuda aos países da União Europeia, tenham critérios de investimento que reanimem as economias do velho continente através do consumo de produtos das suas indústrias. O digital integrará a primeira linha de prioridades. Mas isso não deverá convencer os políticos europeus que a escola por internet é uma solução para reduzir o número de professores.