Contributo de Mário Silva. Fonte BBC. com. Será que é uma consequência das quotas e vagas na avaliação de professores?
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Contributo de Mário Silva. Fonte BBC. com. Será que é uma consequência das quotas e vagas na avaliação de professores?
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A notícia do Expresso de 12 de Março de 2016 sublinhava que a Finlândia era "um país sem exames nem inspecção, em que as mudanças só aconteciam de 10 em 10 anos, em que todos participavam na discussão e em que a expressão-chave era a confiança nos professores".
E é isto.
Por cá é a indisciplina escolar, a desconfiança enraizada, a inabilidade na educação, a sociedade ausente, a escola a tempo inteiro, a discussão à volta de mais ou menos prova para "disciplinar" crianças, as avaliações externas centradas na produção de papelada medida às resmas e a "apatia" na participação democrática. O que levamos de milénio (onde ministros se acharam providenciais e plenipotenciários) instituiu o modismo taylorista, exportado pelos EUA para o Japão no inicio do século passado. Acrescentaram-se programas informáticos de empresas comerciais a dirigir modelos organizacionais. E depois, queremos mais mobilização e menos "saturação, exaustão e fuga" (burnout).
A notícia do Expresso sublinha que a Finlândia é "um país sem exames nem inspecção, em que as mudanças só acontecem de 10 em 10 anos, em que todos participam na discussão e em que a expressão-chave é a confiança nos professores". Nem por acaso, um dos editores do blogue "ComRegras" (muito dinâmico nestes primeiros 15 meses), o Alexandre Henriques, informa que o seu trabalho de investigação sobre a indisciplina escolar atingiu o momento mais mediático da história do blogue.
E é isto.
Por cá é a indisciplina escolar, a desconfiança enraizada, a inabilidade na educação, a sociedade ausente, a escola a tempo inteiro, a discussão à volta de mais ou menos prova para "disciplinar" crianças, as "aulas inovadoras" como quem inventou a roda e a "apatia" na participação democrática. O que levamos de milénio (onde até ministros se acharam providenciais e plenipotenciários) instituiu o modismo taylorista, exportado pelos EUA para o Japão no inicio do século passado: um pensa e muitos executam; por cá acrescentaram-se os programas informáticos (software) de empresas comerciais (outsourcing), em "parceria" com programas de avaliação externa anteriores à sociedade da informação e do conhecimento, a dirigir os modelos organizacionais. E depois queremos mais mobilização e menos "saturação, exaustão e fuga" (burnout) dos profissionais.
A ideologia dominante absorveu todas as áreas e os tayloristas impuseram-se no mundo organizacional. Os sistemas escolares mais expostos às agendas pato-bravistas não escaparam à voragem, como se observa em Portugal. Alguns professores e investigadores avisaram com a devida antecedência.
O ensino, como um lugar de liberdade a preservar a todo o custo por questões democráticas e civilizacionais, levou um abalo considerável. Os promotores da ideia dominante nem sempre tiveram consciência, a exemplo doutros momentos da história, do lado em que se situavam. Aplica-se ao ensino o que Robert Linhart (1978), "Lês Archipels du Capital", registou nos factores de produção:
"toda a indústria e toda a população são "pacóvias": o capital já não é um factor de produção, é a produção que é um simples factor do capital."
A ideologia dominante absorveu todas as áreas, os tayloristas impuseram-se no mundo organizacional e as escolas não escaparam à voragem como se observa em Portugal. Alguns professores e investigadores avisaram com a devida antecedência.
O ensino, como um lugar de liberdade a preservar a todo o custo por questões democráticas e civilizacionais, levou um abalo considerável. Os promotores da ideia dominante nem sempre tiveram consciência, a exemplo doutros momentos da história, do lado em que se situavam. Aplica-se ao ensino o que Robert Linhart (1978), "Lês Archipels du Capital", registou nos factores de produção:
"toda a indústria e toda a população são "pacóvias": o capital já não é um factor de produção, é a produção que é um simples factor do capital."
Vi a conferência de imprensa de Vitor Gaspar e fiquei com a sensação que a queda tem sempre mais um patamar abaixo de zero. Às perguntas sobre despedimentos na administração pública, o ministro das finanças passava a palavra ao SE Helder Rosalino (se bem me lembro é esse o nome e não me apetece confirmar ou infirmar).
O SE respondia de forma mais acelerada e, por vezes, subia o tom quando justificava o corte nas pessoas. Para tornar mais audível a sua argumentação, incluía uma asserção inevitável: é assim que as empresas fazem.
Pois. Os tayloristas, mesmo que abrandados com o empowerment (delegação de poderes e participação) e com o downsizing (achatamento das organizações), acham-se o fim da história e convenceram-se que são menores os que dizem que há outros mundos que requerem sistemas organizacionais diversos. É a tragédia conhecida: governantes demasiado a prazo a decidirem sobre pessoas a quem outorgam o mesmo estatuto.
A ideologia dominante absorveu todas as áreas, os tayloristas impuseram-se no mundo organizacional e as escolas não escaparam à voragem como se observa nos resultados que a OCDE regista em Portugal e que alguns professores e investigadores repetem à muito.
O ensino, como um lugar de liberdade a preservar a todo o custo por questões democráticas e civilizacionais, levou um abalo considerável. Os promotores da ideia dominante nem sempre tiveram consciência, a exemplo doutros momentos da história, do lado do muro que ocupavam. Aplica-se ao ensino o que Robert Linhart (1978), "Lês Archipels du Capital", registou nos factores de produção:
"toda a indústria e toda a população são "pacóvias": o capital já não é um factor de produção, é a produção que é um simples factor do capital."
A publicação – The Principles of Scientific Management – de Frederick Taylor (1911) é uma leitura obrigatória para quem queira conhecer os antecedentes teóricos que sustentaram as organizações empresariais. As conhecidas ideias tayloristas podem resumir-se na defesa de uma organização em que uns poucos pensam para que muitos executem e perdurou como um pensamento dominante durante as décadas que se seguiram.