
Providência cautelar ‘retira’ cargo a directora de escolas em Melgaço
"O Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga deu provimento à providência cautelar apresentada pelo ex-presidente do Conselho Executivo (CE) do Agrupamento de Escolas de Melgaço, suspendendo, assim, a eficácia de todos os actos que conduziram à escolha da nova directora ao abrigo do actual modelo de gestão.
É o primeiro caso conhecido em que uma decisão deste género tem efeito depois da tomada de posse do director ou directora, que, neste caso, está desde Junho em funções, o que levanta a possibilidade de vir a ser reclamada a invalidade de todos os actos entretanto por ela praticados.
Na generalidade das escolas, a aplicação do novo modelo de gestão não provocou problemas - porque os mandatos dos CE já tinham terminado ou porque os elementos daqueles órgãos abdicaram deles.
Noutras, porém, os membros eleitos não aceitaram a interpretação do Ministério da Educação (ME), segundo a qual até 31 de Maio de 2009 deviam estar escolhidos os directores em todos os estabelecimentos, independentemente de, à data, os CE eleitos terem terminado, ou não, os respectivos mandatos. Foi o que sucedeu em Melgaço.
Contactado pelo PÚBLICO, Nuno Esteves, da sociedade AFAdvogados, confirmou o teor da sentença do TAF de Braga, que, disse, “considerou ilegais os actos que conduziram à eleição da directora”, dando razão ao ex-presidente do CE, que representa.
À semelhança do que aconteceu, já, noutros três casos semelhantes, envolvendo outras tantas escolas e tribunais, a sentença baseia-se na convicção de que o novo regime de gestão escolar estabelece que os CE deviam completar os mandatos (de três anos) para que foram eleitos ao abrigo da legislação entretanto revogada.
O caso de Melgaço tem, no entanto, uma particularidade: ao contrário do que acontecia nos agrupamentos de escolas de Coimbra, Leiria e Régua (em que os directores não tinham tomado posse, e por isso, os CE se mantiveram e continuam em funções), o agrupamento de escolas de Melgaço já é dirigido, desde Junho, por uma directora, escolhida ao abrigo da nova legislação.
Esta é uma situação nova e foi para ela que alertou o advogado Garcia Pereira num parecer sobre a matéria, produzido em Abril. Na altura, considerou que “a imposição da interrupção dos mandatos (…) em curso e a imediata eleição do director” era “susceptível de produzir consequências tão avassaladoras quanto imprevisíveis”. Como exemplo apontou a possibilidade de aquela situação levar à “arguição de invalidade de todos os actos praticados” pelos directores.
Em Melgaço a questão não se porá, contudo, de imediato. Contactado pelo PÚBLICO, o assessor de imprensa do Ministério da Educação, Rui Nunes, afirmou que será apresentado recurso da sentença, pelo que a actual directora se manterá em funções até nova decisão dos tribunais.
Dos cinco casos conhecidos em que ex-presidentes de CE recorreram a providências cautelares para manterem ou recuperarem o lugar, só num o Ministério da Educação lhe viu ser reconhecida a razão. Aconteceu no caso do agrupamento de Santo Onofre, nas Caldas da Rainha, cujo CE foi destituído pela Direcção Regional de Educação e substituído por uma Comissão Administrativa Provisória. Ali, foi a ex-presidente do CE do agrupamento que recorreu da sentença."
É bom ler a notícia toda e por isso colei-a na integra. Com mais este caso a fazer jurisprudência aumenta a esperança em Santo Onofre. Este mês saber-se-á. Como refere a notícia, Santo Onofre foi o único caso onde a providência cautelar foi recusada mas nas condições que já descrevi noutro post. É bom que os cépticos da luta jurídica acreditem que o estado direito ainda funciona e que os apressados não se esqueçam que o tempo pode sempre fazer das suas. E repare-se neste caso de Melgaço: a directora até já estava nomeada/eleita.
Por momentos pensei que a nossa luta tinha chegado a bom porto. Mas... vamos ter paciência (muita) e lá chegaremos. (Aquilo hoje foi muito desgastante. Mais do mesmo!)
ResponderEliminarvamos aguardar; serenos mas firmes
ResponderEliminarE vão 4.
ResponderEliminarEstamos em vias de ser a 5ª!
Há uma cara que eu adorava ver a ler esta notícia. Ou melhor, duas:a do director regional e a da professora jurista, que tão mal nos trataram naquele pedagógico em que inclusivamente prometeram voltar....
Serenos, firmes e convictos que a razão e verdade sempre vem ao de cima.
ResponderEliminarPercebe-se; se acontecer gostava de estar convosco.
ResponderEliminarÉ bonito.
Bate forte coração. Vocês merecem.
ResponderEliminarDure o que durar. Cá estamos. Cá estaremos. Cada voto conta.
ResponderEliminarTudo correrá bem, verás!
ResponderEliminarUm beijo para ti e Céu.
Boa. Setembro promete. Ah, olha a coincidência. Temos um homónimo do assessor de imprensa do Ministério da Educação. Deve ser defeito de fabrico.
ResponderEliminarNada disto me surpreende. Quem disse "“a imposição da interrupção dos mandatos (…) em curso e a imediata eleição do director” era “susceptível de produzir consequências tão avassaladoras quanto imprevisíveis” sabe do que fala. Parabéns aos colegas de Santo Onofre. São um exemplo.
ResponderEliminarJá se vira que esta história iria trazer consequencias avassaladoras para Santo Onofre, mas depois de ter estado lá e ter visto a completa "balda" em que estavam as coisas reforço, medidas de fundo são necessárias, Santo Onofre esta desacreditada, pais e alunos já não acreditam, e faz-me pena ver a escola que frequentei e que um dia foi conciderada a 2º melhor do pais, neste estado de sitio, em que professores, pais e alunos faziam filas interminaveis para pedir explicações, sobre os mais variados assuntos, sem obterem respostas concretas e conclusivas, haja esperança
ResponderEliminarCaro Paulo Prudêncio
ResponderEliminarSempre fui da opinião que este assunto se resolvia em Tribunal.
Um abraço amigo
João Ramos Franco
A RESISTÊNCIA ESTÁ A PASSAR POR AQUI
ResponderEliminar“A esperança é a última coisa a morrer”, quem esperou até agora também poderá aguardar mais um pedacito de tempo…
“Vale sempre a pena quando a alma não é pequena”, aguardemos com serenidade e façamos o que tem que ser feito em todas as frentes.
Não nos esqueceremos da Sra. Ministra e da postura de alguns iluminados/precipitados, brevemente vamos ter novidades positivas, tanto na escola como no país.
A força da razão
Está quase a chegar a hora de contar os "votozinhos"!
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ResponderEliminarA persistência de alguns onofrinos/as é comovente. Vencerão.
"não nos esqueceremos da postura de alguns iluminados/precipitados"
ResponderEliminarNem quero crer no que acabo de ler. Será isto uma ameaça stalinista de um colega ainda mais iluminado?
Mas que escola, mas que razão, mas que LIBERDADE...
É bom que os cépticos da luta jurídica acreditem que o estado direito ainda funciona e que os apressados não se esqueçam que o tempo pode sempre fazer das suas. P.Prudêncio
ResponderEliminarUma verdade insofismável, a dita directora de Melgaço vai continuar à frente da escola e os onofrenses exerceram o seu direito de voto, os cépticos, os apressados e os mais lentinhos!!!!!!!!!!!!!
Boa noite.
ResponderEliminarEssa frase que escrevi é redundante (uma vez que já o disse várias vezes e há muito): como se sabe, o recurso à luta jurídica não foi consensual entre os professores a nível nacional (e não apenas ao nível local), uma vez que havia, e há, quem entendia que as questões eram políticas e técnicas. Sempre pensei que se centravam nas 3 vertentes. Agora, e isso é claro a luta jurídica leva mais tempo mas tem também resultados. Por isso, sempre disse aos apressados que tivessem paciência.
Não sei por quanto tempo a situação de Melgaço se manterá: o que sei é o que vem na notícia e não conheço detalhes. Em Santo Onofre as pessoas exerceram o direito de voto? Ora, isso é apenas o exercício da democracia e da liberdade o que não acontece com o modelo de gestão que tanto contesto. Se essa é a verdade, então vamos a isso e em todas as circunstâncias. Tão simples como isso. Nem sei como é que se consegue relacionar a minha frase com a que o caro sofisma escreveu a seguir.
Cumprimentos.
ResponderEliminar“Será isto uma ameaça stalinista de um colega ainda mais iluminado?”
Vivemos antes na escuridão marcelista, procurando a liberdade que nos foi retirada, e que vai ser retomada brevemente.
A realidade actual, será mais uma ameaça salazarista.
Professores em protesto sábado dia 19 em três pontos da cidade de Lisboa