sábado, 27 de fevereiro de 2010

indisciplina

 


 


Tenho por aqui há algum tempo esta notícia com opiniões do filósofo espanhol Fernando Savater. Tive de a tratar em termos de formatação de texto e a fonte é o jornal Primeiro de Janeiro, Portugal, 10/11/2006. Leia que vale a pena.




"Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam hoje que o aumento da violência escolar deve-se, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores. 


 


Os participantes no encontro "Família e Escola: um espaço de  convivência", dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da  autoridade sobre os menores recaia nas escolas. "As crianças não encontram em casa a figura de autoridade", que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater. "As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa", sublinhou. 


 


Para Savater, os pais continuam "a não querer assumir qualquer autoridade", preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos "seja alegre" e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador  quase exclusivamente para os professores.


 


No entanto, e quando os professores tentam exercer esse papel  disciplinador, "são os próprios pais e mães que não exerceram essa  autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os", acusa. "O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de  protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a  harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar",  sublinha.


 


Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que "ao pagar uma  escola" deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação de muitos professores que estão "psicologicamente esgotados" e que se transformam "em autênticas vítimas nas mãos dos alunos".


 


A liberdade, afirma, "exige uma componente de disciplina" que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade. "A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara", afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, "uma oportunidade e um privilégio".


 


"Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina", frisa Fernando Savater. Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial  perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais  indisciplinadas do que antes; o problema é que "têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos". "Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de  ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso  leva-os à rebeldia", afirmou.


 


Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que "mais vale dar uma palmada, no momento certo" do que permitir as situações que depois se criam. Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão dos privilégios e o alargamento dos deveres."

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