Passamos a vida submetidos à ideia de singularidade, testamos incessantemente o devir do ser qualquer e construímos o imaginário do insuperável; não queremos nada igual mas precisamos do carácter universal do indivíduo e ansiamos pela descoberta da coisa comum (a religião, a ideologia política, a filiação associativa e a identidade de género).
Existe a diversidade regional ditada pela geografia e pela história. Portugal é uma zona semi-periférica em relação ao centro da civilização actual e tem as suas idiossincrasias; desde logo, uma densidade inigualável de inhos, de coitados e de supervisores. Fiquemo-nos pelos inhos e deixemos as outras duas categorias para outros textos.
A utilização acentuada dos diminutivos (não sei quantos idiomas o requerem e até já me disseram que somos únicos) tem de fazer efeito. As nossas crianc(inhas) coitad(inhas) são educad(inhas) com carrad(inhas) de desculpaz(inhas). E isso só pode dar maus resultados.
Somos uns adultos com egos elevados a uma potência infinita. Não deve existir paralelo, creio. Fui fazer umas pesquisas por ego-história convencido, e dava já a coisa por terminada, que era uma invenção nossa. Mas não; infelizmente: Freud, e o seu eu psicanalítico, influenciou mais de meio-mundo.
Mas não desisto e passo a sentenciar assim: temos de ser os melhores do bairro, dê lá por onde der; é uma alta competição generalizada. Reconhecer (que é diferente de anunciar) o sucesso alheio magoa até à medula. A soberba, a cobiça e a inveja alimentam-nos e dão cabo da nossa sociedade. Parece que o mote é a perseguição ao domínio alheio: viver na alteridade.
Ai de quem se distinga, ai de quem faça bem aquilo que sempre se espera que corra mal, ai de quem fuja do lugar comum e não se pareça com a formatação estipulada pelo horizonte do nosso quarteirão. Portugal sofre de uma dilatação tal dos egos que o espaço cansa muito e o exterior passa a ser o único sítio oxigenado; a não ser que ser que se consiga viver fora cá dentro.
ResponderEliminarComo o Paulo costuma dizer, que raio, então a primavera deu nisto? Cepticimo? em si só metodológico, sim?
Bjs
Viva.
ResponderEliminarPor vezes, os estados de alma são contraditórios em relação ao que sai das teclas
Consegue-se... a um preço muito elevado.
ResponderEliminarClap!! Clap!! Clap!!
ResponderEliminar