Andava por aqui à volta das minhas memórias quando tropecei com um livro que li apaixonadamente: o "Papillon" de Henri Charrière (1969). Deveria ter uns 12 anitos.
Vinha das empolgantes histórias de Emílio Salgari - que lia ao deitar numa bela cidade algures banhada pelo oceano Índico -, das misteriosas aventuras dos "cinco" e dos "sete" e de muita banda desenhada. Um amigo meu recomendou-me e a minha irmã tinha-o lá por casa: foi de enfiada e num fôlego. Naquela época havia imenso tempo e as férias grandes davam para pulos no crescimento. Que coisa tão fascinante: a experiência marcou-me e tenho-a repetido, com outros livros, pela vida fora.
O imaginário que o livro me impôs tocava na geografia em que vivia: uma cidade virada para o mar e uma ilha próxima, a Xefina, que servia de prisão para presos políticos. Passei horas a olhar para o mar e a contar a famosa sétima onda que daria para um dia partir, se necessário fosse. Não foi na sétima onda mas num avião comercial.
Mais tarde veio o filme que vi na sala do cinema S. Miguel, em Maputo; 1200 lugares, se bem me recordo. Uma sala fria e descomunal para uma pequena desilusão. Um livro daqueles nunca poderia dar um grande filme (pelo menos para quem leu o livro), apesar de ter as imagens mais marcantes, nomeadamente a da fuga na sétima onda.
E não é que encontrei essas imagens no youtube.
Ora clique neste vídeo de quatro minutos.
pena que o livro seguinte, "banco", não seja tão bom
ResponderEliminarTens razão. Que grande desilusão. Abraço.
ResponderEliminarhá quem diga que não foi escrito sequer pela mesma pessoa
ResponderEliminarAi sim? Não sabia. Mas com aquela diferença é bem provável.. Obrigado e um abraço.
ResponderEliminarfica bem
ResponderEliminarObrigado. Igualmente.
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ResponderEliminarTambém li. Grandes recordações.
O plano aos 2 minutos e 42 segundos é inesquecivel.
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