O ano de 2010 terminou com uma certeza: os acordos entre os sindicatos de professores e o ME foram prejudiciais à luta em defesa do poder democrático da escola e o que conseguiram em relação ao estatuto dos professores foi o óbvio e numa latitude muito inferior à conseguida na rua e na comunicação social. Os sindicatos deram sempre uma mãozinha a um governo encostado às cordas.
São muitas as teorias da conspiração, mas existem dados objectivos: a avaliação dos professores continua mergulhada na injustiça e na inexequibilidade, a gestão escolar é o desmiolo que se sabe, os horários dos professores continuam contaminados pela tralha de má burocracia e por aí fora. Para além disso, tem-se assistido na última década à promiscua troca de cadeiras entre governantes e sindicalistas.
Não admira, portanto, que se leiam notícias como a que pode consultar a seguir.
As escolas estão em paz à espera que venha o pior
"A ministra da Educação, Isabel Alçada, cumpriu o objectivo anunciado para o acordo alcançado há quase um ano (8 de Janeiro) com os sindicatos dos professores - as escolas estão calmas. Mas será que estão ou vão estar melhores? Professores e directores contactados pelo PÚBLICO são unânimes na negativa. Entraram no novo ano, que agora começa, em estado de consternação.(...)"
Mas vão explodir, não tarda...
ResponderEliminarDou razão ao Paulo. Os sindicatos tem de se explicar.
ResponderEliminarIsso era num país a sério, com uma sociedade a sério, com regras sérias para serem cumpridas a sério... Infelizmente, creio que, como se faz nas tabelas, n.a.
ResponderEliminarErrata: "Os sindicatos tem de se explicar". Os sindicatos têm de se explicar, porque do governo de Sócrates já nada há a esperar.
ResponderEliminarViva Paulo,
ResponderEliminarA leitura que fazes dos efeitos do acordo são fruto das lentes com que olhas para o assunto. É legítimo que queiras ver as coisas desse modo, embora discorde dos teus argumentos.
Já a frase «Para além disso, tem-se assistido na última década à promiscua troca de cadeiras entre governantes e sindicalistas», sendo completamente assassina do carácter dos sindicalistas em geral, poderá ficar bem na escrita de demagogos de meia-tigela. A ti fica-te mal, quanto mais não seja porque sabes que essas danças de cadeiras se dão exclusivamente entre gente ligada aos partidos do arco do poder, isto é, sindicalistas do PS e do PSD.
Bom ano e cá estarei na luta contra a gestão, esta avaliação e o mais que destrói a escola pública, como os rankings, o cheque-ensino ou a escolha da escola.
Abraço
F.
Viva Francisco.
ResponderEliminarFrancamente. Não me estou a referir, obviamente, a todos os sindicalistas nem a todos os governantes. Mas diz-me lá então: como é que refiro os activistas radicais, outrora sindicalistas, que no dia seguinte a passarem para ministros, secretários de estado ou directores regionais se tornam- nos mais ferozes atacantes da classe profissional que defendiam? Que raio, Francisco. Fazemos de conta que nada acontece? É por isso que Portugal está neste estado de democracia aprisionada e apática.
Abraço e aquele 2011
Não meu caro Paulo, não devemos assobiar para o lado e fazer de conta que não acontece nada.
ResponderEliminarMas também não podemos fazer de conta que é tudo igual, porque há diferenças que entram pelos olhos dentro.
A menos que as diferenças não se vejam por causa de preconceitos, raras vezes fundados em boas razões.
O que importa é chamar os boi(y)s pelos nomes e distinguir quem usa a política ou o sindicalismo para se servir, daqueles que se dedicam às causas da sociedade ou da comunidade em que vivem e a que pertencem.
Francamente, Paulo, denunciar o que vai mal na vida pública sem apontar claramente quem e em que erra é afastar os cidadãos dessa mesma vida pública, quanto mais não seja por não se quererem ver envolvidos em coisas sujas.
É sempre por essas vias que se chega aos "homens providenciais", de que o último exemplo é o presidente que temos e que tão bem emula o António de Stª Comba.
Abraço
F.
Viva Francisco.
ResponderEliminarFizeste-me rir. Quando escrevi promíscua troca de cadeiras entre governantes e sindicalistas, percebeu-se bem que estava longe de apelar a uma qualquer regra sem excepção e este teu comentário aprova o meu argumentário.
Tens toda a razão na questão do homem providencial e nos argumentos que apresentas. É também por isso que a referida promiscuidade se torna ainda mais grave.
Estamos num período difícil.
Não desisto.
Aquele abraço.