segunda-feira, 21 de março de 2011

quantos seremos?

 


 


 


 


 



Não sei quantos seremos, mas que importa?!

Um só que fosse, e já valia a pena

Aqui, no mundo, alguém que se condena

A não ser conivente

Na farsa do presente

Posta em cena!

 

Não podemos mudar a hora da chegada,

Nem talvez a mais certa,

A da partida.

Mas podemos fazer a descoberta

Do que presta

E não presta

Nesta vida.

 

E o que não presta é isto, esta mentira

Quotidiana.

Esta comédia desumana

E triste,

Que cobre de soturna maldição

A própria indignação

Que lhe resiste.

 

 

Miguel Torga,

Câmara Ardente



 



 

2 comentários:

  1. Lindo. Boa comemoração e MUITO adequado aos tempos. Obrigado, Paulo.

    ResponderEliminar

  2. Bela escolha!
    Não há certamente poesia que melhor traduza o que vai na alma de muitos.

    ResponderEliminar