quarta-feira, 28 de março de 2012

não temos solução

 


 


Só 25% dos portugueses entre os 25 e os 60 anos completaram o 9º ano de escolaridade e a taxa de insucesso e abandono escolares na escolaridade obrigatória anda pelos 30%. Depois de décadas de reformas compulsivas no sistema escolar, os portugueses andam numa roda viva a discutir se a panaceia é um exame para os petizes do 4º ano de escolaridade. Os defensores da solução refugiam-se nos 30% da nota. Mas qual nota, senhores? A classificação é qualitativa e 30% de não-satisfaz mais 70% de satisfaz-assim-assim dará sempre satisfaz-mais. Cá para mim dou um insatisfaz-menos à incrível desresponsabilização do sítio onde tudo começa: a sociedade.

10 comentários:

  1. Pois, Paulo. Infelizmente parece que não temos mesmo...

    ResponderEliminar
  2. E os números que são apresentados fedem de tanta facilidade, vulgo arquitetura estatística, imaginem!!!!

    ResponderEliminar
  3. Ou seja: a falência financeira actual é já um dado objectivo e com evidências empíricas :)

    ResponderEliminar
  4. É mesmo uma panaceia, esta do exame do 4º ano.

    Ou seja, em vez de uma atitude séria de debate sobre organização curricular, currículo , programas disciplinares, formação contínua e inicial de qualidade para professores, faz-se o quê?

    Ajeita-se daqui, ajeita-se dacolá, fica tudo basicamente como está e acrescenta-se algo que levanta ondas de aplauso nacional: exames no 4º ano.

    Que é bom, pois que ninguém no passado ficou traumatizado com isto. Dá responsabilidade desde cedo e muita endurance psicológica.

    Como se a questão fosse de trauma, de se ficar ou não se ficar com trauma ou de endurance psicológica!

    Desisto.

    Sinceramente, desisto.

    Enquanto esta questão for tratada e esgrimida com paixão bacoca, na superfície, com argumentos como os que tenho lido por aí, desisto.

    ResponderEliminar
  5. Realmente!
    Também dou não satisfaz à sociedade. E ao Crato!
    Ah! E há por aí muito boa gente que acha que com os exames no 4º ano, os miúdos ficam a saber mais.

    ResponderEliminar
  6. Concordo com a sua perspectiva e partilho os seus lamentos.
    Com uma taxa de insucesso e abandono escolares tão elevada na actual escolaridade obrigatória de nove anos, não sei como se pode ter a veleidade de querer alargá-la para doze anos ou tão pouco como se aposta na avaliação externa como forma de corrigir o que tem corrido mal. Parece que se constrói a casa pelo telhado, ainda que ele ameace ruir antes das paredes edificadas.
    Ainda assim, a questão do peso de 30% das provas de avaliação externa, a implementar no final do primeiro ciclo, é tão irrelevante para a resolução do problema acima descrito com avaliação qualitativa, como com avaliação quantitativa. Se não, veja-se o que vai sucedendo com a avaliação externa de 9º ano existente desde 2005, também com um peso de 30%: qualquer aluno que se apresente a uma prova com nível 3 na classificação interna da disciplina visada (o tal satisfaz) só precisa de ter nível 2 (não satisfaz) para manter a sua classificação de nível 3 no final. E os alunos sabem disto, negligenciando completamente o seu empenho, mesmo que corram o risco de obter o comprometedor nível 1 (não satisfaz menos). Nem sei para que terminam as aulas de 9º ano cerca de dez dias antes da data de realização da primeira prova, normalmente de Língua Portuguesa, quando, na realidade, os alunos vão para casa descansar e dar-se ares de férias antecipadas, muitos deles enjeitando a possibilidade de comparecerem nas aulas facultativas de preparação para as provas, leccionadas voluntariamente pelos respectivos professores.
    Esta atitude não será a mesma da parte das crianças do primeiro e segundo ciclos, apenas devido à sua faixa etária, mas parece-me que, à semelhança do que acontece no 9º ano, estas provas de avaliação externa, delineadas deste modo grosseiro, com um peso de 30%, servirão sobretudo para alimentar páginas de jornais com o baile dos rankings das escolas e encher a boca dos adeptos das escolas privadas, onde os resultados dos alunos são muitas vezes melhores, sabe-se lá como, até porque, mais tarde, não se traduzem em mais sucesso desses alunos no ensino superior.
    Este ano, tenho cerca de 100 alunos a preparar para exame de 9º ano. Por vezes, alguns faltam à escola para tomar conta de irmãos pequenos a mando dos pais, que assim mesmo pretendem justificar as faltas por escrito. Outros são estrategicamente levados a consultas de rotina ou outras emergências afins nos dias de testes intermédios. Outros ainda passam privações imensas/fome ou vêem a luz cortada em casa por falta de pagamento. Outros vão passar o fim-de-semana a casa de pai/mãe divorciado e voltam sem material escolar. No total, 46% são subsidiados de escalão A ou B. Só um é filho de pais licenciados. Poucos alunos/famílias valorizam a escola como meio de promoção social. Posso esperar milagres na avaliação externa? Ou há que deixar para trás todos os que satisfazem pouco (nível 3 na ordem dos 50%), cuja probabilidade de obterem os mesmo 50% em exame é periclitante? Onde andariam estes miúdos se tivessem feito provas de avaliação externa no final do primeiro e do segundo ciclos? Que resposta dará a tutela aos que aí vêm nas mesmas condições?

    ResponderEliminar