segunda-feira, 7 de maio de 2012

não é justo

 


 


 


Não é justo que a Escola Básica de Santo Onofre, e o actual agrupamento de escolas por arrastamento, veja a sua imagem, e a dos seus alunos e profissionais, constantemente ridicularizada na comunidade educativa.


 


Uma boa parte dos profissionais que elevaram a história daquela instituição a uma referência em diversos domínios são os mesmos. O que mudou foi uma pouco estudada alteração na rede escolar, uma impensada entrada em agrupamento e principalmente as ocorrências derivadas do novo modelo de gestão escolar. Como se sabe, no modelo vigente são suficientes menos de uma dezena de profissionais (e nem necessitam de pertencer à escola sede) e outros tantos stakeholders para ocuparem os lugares de chefia e escolherem os caminhos a percorrer.


 


Disseram-me que o Conselho Geral do agrupamento votou de forma amplamente maioritária a entrada imediata em mega-agrupamento com a ideia de destituir rapidamente os órgãos em exercício e exibir uma espécie de cartão vermelho à direcção. Belisquei-me. Apesar de tudo, senti vergonha. Ninguém gosta de ver a instituição onde tem dedicado uma boa parte da vida profissional tratada desta forma.


 


Afinal, e em plena Assembleia Municipal, o vereador respectivo, e também membro do Conselho Geral, confirmou mais essa singularidade (pode ler aqui a notícia completa da Gazeta das Caldas) que atinge de forma acentuada a imagem da instituição (os bolds são do jornal):


 


"(...)“O que nos foi transmitido era que o processo tinha que estar concluído até ao final do ano lectivo de 2012/2013 e que iriam ser consultados os respectivos agrupamentos”, disse, acrescentando que se as partes interessadas estiverem de acordo, não será o município a ir contra essa decisão. Tinta Ferreira sabe também que o Conselho Geral de Santo Onofre aprovou por maioria a vontade de agregar-se com a escola Raul Proença e “quando mais depressa melhor”. Já a escola Raul Proença deverá reunir-se entretanto para se pronunciar.(...)"


 


Entretanto, o Conselho Geral da Escola Secundária "Raul Proença não se opõe a juntar-se ao Agrupamento de Escolas de Santo Onofre "e, ao que tudo indica, o mega-agrupamento será uma realidade e sem a oposição dos respectivos Conselhos Gerais.


 


Como alguém escreveu noutro dia num comentário, o agrupamento de Santo Onofre foi conduzido, desde 2009, por meia dúzia de pessoas. O processo começou com uma CAP e os resultados objectivos (avaliação de alunos, frequência escolar e por aí fora) e os de alguma forma subjectivos (atmosfera relacional, liderança, cultura organizacional) têm vindo a piorar significativamente.


 


Ainda há uns meses, e num exercício que abala a melhor imagem mesmo que construída numa história de mais de uma década, o director em funções desde Novembro de 2009, ex-coordenador da CAP, declarou para justificar a sua demissão aceite em 4 de Julho de 2011: 


 


"...)Em primeiro lugar, o facto de o início do ano escolar que agora termina ter sido “muito conturbado” e ter corrido “muito, muito mal”. Acreditando que “com o tempo se verá depois melhor porque é que as coisas aconteceram assim”, (...)considera que “a culpa não pode morrer solteira, e independentemente de qualquer outra razão, a culpa é minha, como director”. Além disso, a avaliação externa que a IGE fez em Fevereiro de 2011, não teve os resultados que seriam esperados. “(...)E tem que ser o director a dar a cara”, afirma. (...)Ao fim de um ano e pouco de trabalho, dá a impressão que estaria a carregar nessa pessoa tudo o que correu mal no agrupamento”, garante.(...)"


 


É, portanto, com um legítimo sentimento de injustiça que os profissionais destas escolas olham o presente e o futuro. Os números de frequência de alunos estão a atingir mínimos muito preocupantes. Se considerarmos que a Escola sede já teve mais alunos do que todo o agrupamento na actualidade, não será difícil perceber os motivos de tanta apreensão. Parafraseando o tal coordenador da CAP que foi eleito director e que se demitiu, “com o tempo se verá depois melhor porque é que as coisas aconteceram assim,(...)a culpa não pode morrer solteira(...)".

16 comentários:

  1. Mas o problema é que a culpa morre sempre solteira!

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  2. Que país este!!!! Só sabem destruir.

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  3. Bem hajas por existires.

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  4. Tristeza, Paulo. O azar, teu e nosso, é que isto está generalizado, parece que ninguém já tem, ou quer ter ideia do que significa "a minha escola", e, muito menos, se "bate" por ela.
    Tristeza.
    Há dias um colega dizia-me que, na dele a versão em CG foi "ok, podemos experimentar". Dos profs.

    Agora experimentamos?? Isto? Quando, tanta outra coisa não temos tempo nem vontade de experientar, mesmo o que ainda é "nosso"?

    E a escola ainda é(era) nossa. Desistimos?

    Em nome de quem?

    Eu não quero ver isto!

    Abraço.

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  5. Que vergonha! Essa escola não merecia passar por isso. Discordo de uma coisa. A comunidade educativa nao esquece a História da Escola EBI. O futuro a Deus pertence.

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  6. Cada escola tem aquilo que merece..

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  7. E cada povo tem aquilo que merece... A escola não merecia os encarregados de educação que ultimamente a têm representado...

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  8. Não é justo, reafirmo, que os alunos e os profissionais passem por isto. Os factos falam por si, a história da escola começou em 1993 e são muitos os que ajudaram a elevar a instituição. Assumir a responsabilidade é um dever cívico. Não basta ocupar os cargos, é fundamental prestar contas.

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  9. Oh Prof. Paulo mas os profissionais são todos bons?

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  10. É como em todo o lado e nem coloquei a questão. Só quis sublinhar os factos e cada um lá fará o seu exercício de consciência (algo que é inerente à existência de moral).

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  11. Obrigada pela sua paciência Prof. Paulo.

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  12. Tragédia,catástrofe,horror!E agora?Sim e agora?Com os novos mega-agrupamentos ,que funções irão desempenhar atuais elementos da Direção de Agrupamentos ao terem que abandonar o cargo?Alguns ao longo da sua carreira já exerceram cargos de Coordenador de Diretores de Turma, Coordenador de mega-departamentos, Presidente do Conselho Geral Provisório,e super-avaliadores de aulas assistidas de disciplinas para as quais não possuem habilitação para lecionar.
    Desde que uma vez num circo vi um porco a andar de bicicleta, não me admirava nada, dado o seu vasto currículo diversificado, multifacetado e abrangente, qualquer dia vê-los na INSPEÇÃO, a apoiar/complicar(pois é tudo uma questão de pontos de vista) o trabalho que os ditos mega-agrupamentos se propõem desenvolver.

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  13. A DEMOCRACIA NO SEU MELHOR - CÁ SE FAZEM CÁ SE PAGAM...

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  14. Paulo G. Trilho Prudencio10 de maio de 2012 às 15:10

    O tempo é sempre o melhor juiz, concordo. Só que, e entretanto, a situação preocupa as pessoas e com razão.

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