Ontem, pelas 13h30, fui esvaziar o cacifo à escola dos últimos vinte anos. Pedi a uma das assistentes operacionais para me abrir a porta do gabinete e foi inevitável: o professor vai-se embora?
Atenuei, mas a emoção tomou conta de nós e rapidamente contaminou as pessoas que estavam na escola.
A história é simples. A EBI de Santo Onofre, (que de 47 já vai em 24 turmas e é atingida pelo flagelo do público-privado nas Caldas da Rainha) deixou de ser escola sede com o advento dos mega-agrupamentos. Já em Julho tinha ido a uma reunião do meu mega-departamento e fui eleito coordenador. Esta semana fiquei a saber que a queda de turmas associada a outras variáveis de gestão faz com que a minha componente lectiva seja toda na escola sede. Ou seja, sem qualquer tipo de concurso não leccionarei na EBI de Santo Onofre no próximo ano lectivo. O trajecto da escola para casa foi percorrido com os olhos húmidos. Sei que o rol de insanidades que devastam os professores portugueses transforma este meu problema num caso menor. Sei que sim. Mas doeu mesmo.
Convidaram-me para fazer uma conferência, no Sábado, para professores de Educação Física integrada numas jornadas pedagógicas que começaram hoje e que incluem uma formação em Basquetebol. Não resisti. Esta tarde viajei no tempo e joguei o desporto da minha vida. Num dos exercícios, senti uma dor inédita, e fortíssima, no gémeo da perna esquerda. Pareceu-me um pontapé da colega que estava a meu lado ou que alguma pedra tinha caído do tecto do pavilhão. Mas não. Uma rotura ou contratura muscular obriga-me a dias de gelo, a umas três semanas de muletas e à natural incomodidade.
"No creo en brujas, pero que las hay, las hay".
Solidária com a tua tristeza...
ResponderEliminarEsse sentimento tem sido uma constante nos últimos anos de trabalho!
Melhores anos virão, acredita!
Um abraço e melhoras rápidas.
Paulo, estou completamente solidário contigo.
ResponderEliminarA dor muscular, com mais ou menos tempo, acabará por desaparecer. O gelo é um bom remédio.
A outra será muito mais difícil de resolver. Ainda por cima resulta de toda uma política para a Educação iniciada há alguns anos e que vai cristalizando como gelo abrindo e alargando brechas que fracturam todo um edifício que demorou décadas a erguer.
O desmoronamento da Escola Pública teve hoje mais uma enorme contribuição com a aprovação do novo estatuto do ensino particular.
Os tempos vão (continuar a) ser muito difíceis...
Forte abraço!
As melhoras Caro Basquetebolista. Quem te viu jogar, talentoso e intenso, recomenda: olha a idade, pá! eh eh eh.
ResponderEliminarRápidas melhoras.
As escolas dão cabo das pessoas.
Também esse caso superarás.
Forte Abraço.
Como te compreendo, Paulo!
ResponderEliminarApresentei-me ao serviço no passado dia 2 e ainda nem fui à minha escola de há mais de 20 anos, pois tudo se tem passado na (agora) escola-sede.
E se fosse só a logística!
Tudo mudou, literalmente tudo. A minha escola não foi agregada, mas sim absorvida. Não lhe resta qualquer vestígio de identidade em tão pouco tempo, não resta uma prática, um documento, um formulário... nada! Tem sido feita tábua rasa de tudo o que existia, para uniformizar com a escola-sede, "por decreto".
Se sei como é duro, Paulo!
O fim do ano lectivo anterior foi apoplético e o início deste uma espécie de coma profundo.
Havemos de sobreviver, claro! A ESCOLA é que nunca mais será a mesma e a factura perdurará por gerações.
Desejo as tuas melhoras rápidas e que, pelo menos, a dor física seja efémera! Quanto à outra...
Um abraço.
Obrigado Isabel Henriques.
ResponderEliminarAbraço também.
Obrigado Carlos.
ResponderEliminarTudo se resolve: a rotura muscular e a mudança de escola. O segundo caso é menor se comprado com a devastação geral.
Forte abraço.
Isso Ruca.
ResponderEliminarForte abraço.
Bom ano Ana.
ResponderEliminarObrigado.
Forte abraço também.
ResponderEliminarDesejos de rápida recuperação.Forte abraço.
Obrigado Fernando.
ResponderEliminarForte abraço.
Boa recuperação, aí para a lesão! Dá-lhe tempo.
ResponderEliminarMas isto sem ti, não vai ser a mesma escola...
Bom ano e vem visitar os velhos amigos quando puderes.
O que se passa nas Caldas da Rainha é escandaloso. Não se compreende que o Estado insista em assinar contratos de associação com entidades privadas numa cidade onde as escolas públicas são mais que suficientes para a população estudantil.
ResponderEliminarEstou solidário com a tua angústia...
Tivessem eles, os decisores que decidem as nossas vidas, passado pela escola "desporto" e outras seriam as decisões.
ResponderEliminarUm abraço, Paulo
Oh minha cara amiga Hélia.
ResponderEliminarSou coordenador de um dos megadepartamentos que inclui Santo Onofre e irei à escola, claro. Só que com outra frequência e custa-me mesmo deixar de dar aulas naquele pavilhão e naquela escola. Tem um lado emocional forte. Penso que se compreende bem isso.
Bom ano para ti também.
Obrigado Pedro. Tens toda a razão, podes crer. Se estivesse por aqui, a tua indignação subiria de tal modo que me convenço que até mudavas algumas das convicções políticas.
ResponderEliminarOh meu caro amigo.
ResponderEliminarAquele abraço.
Divinal o vídeo. Deu para rir. Obrigado
ResponderEliminarExacto.
Aquele abraço meu caro amigo.
Viva Paulo,
ResponderEliminarainda não fui despejar o meu cacifo, mas apenas porque ainda não chegou à escola a informação porque anseio.
Imaginei que fosse para Setembro, aguardo agora que se concretize em Outubro.
O que te garanto é que não rolarão lágrimas pela saída. Tenho muito mais coisas que fazer e outras pessoas a quem dar o meu trabalho. Mas não à custa da dignidade pessoal de quem trabalha.
Foram trinta e cinco anos consecutivos, plenos de coisas e gente boa. Os últimos oito foram os mais duros, mas ainda assim não me fazem estar arrependido de ter dado a minha vida profissional à escola pública e aos alunos.
Não deixarei nunca de me sentir professor, e por isso irei continuar a bater-me para que as "viúvas do estado novo" não consigam derrubar a escola democrática que a revolução construiu.
Abraço
F.
Vou sentir a tua falta.
ResponderEliminarTal como dizes muitas vezes: "A escola vai funcionar na mesma."
Vai, isso vai. Mas não será a mesma coisa.
Beijo grande, amigão.
Viva Francisco.
ResponderEliminarForça aí.
Obrigado pela atenção.
Aquele abraço.
Obrigado cara amiga Isabel.
ResponderEliminarBeijo grande também.
Sorry meu amigo, mea culpa...ate mais logo no Bombarral
ResponderEliminarOh meu caro amigo. Só tenho que agradecer. Valeu mesmo. Abraço.
ResponderEliminarLamento muito a sua dor. Você não merecia mais este sofrimento. Sem dúvida que las hay.
ResponderEliminarUm grande beijinho.
Muito obrigado Zoca Perdição. Um beijinho também.
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