A conclusão que acabou de ler é tão óbvia como a necessidade da roda ter uma forma circular. Por mais estudos que se façam, este algoritmo parece-me sensato e difícil de refutar:
A democracia portuguesa até à mudança de milénio estava a esforçar-se para que a sociedade atenuasse a desigualdade de oportunidades. Mais sociedade e mais escola são contributos essenciais para esbater as tais diferenças. Mas já se sabe: veio o "país da tanga" e os "reformistas" entraram em roda livre tendo como alvo os professores. Foi, paulatinamente, uma razia a que se acrescentou o empobrecimento da sociedade. As nossas "elites" cansam-se depressa com o investimento em Educação.
O relatório da OCDE com base no PISA 2012 faz um retrato que tenderá a agravar-se com os cortes a eito perpetrados, embora a redução do número de alunos que frequentam o ensino regular ajuste as estatísticas.
1ª edição em 19 de Fevereiro de 2014.
O \"investimento\" na educação em Portugal faz-se à medida dos interesses dos amigos...desde a formação, aos magalhães, às obras da Parque Escolar...agora chegou a vez da \"Liberdade\" no ensino...
ResponderEliminarBom ângulo de análise, se me permite.
ResponderEliminarA EDUCAÇÃO EM PORTUGAL CAMINHA CADA VEZ MAIS PARA O ABISMO...
ResponderEliminarRestauro de esculturas do século XIX em Oliveira do Hospital é alvo de críticas
Lusa
18/02/2014 - 17:25
"O resultado final enche-me de orgulho", disse o responsável pelo restauro.
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Oliveira do Hospital
O restauro efectuado a 13 esculturas do Santuário da Nossa Senhora das Preces, em Oliveira do Hospital, foi alvo de críticas por parte de restauradores, apesar de outros responsáveis estarem "satisfeitos com restauração".
"Este caso é muito grave", disse André Remígio à agência Lusa, considerando que foram "violadas todas as regras mais básicas de restauro", na iniciativa desenvolvida, em 2007, no Santuário da Nossa Senhora das Preces, que envolveu Miguel Vieira Duque e os seus alunos da Universidade Sénior de Coimbra.
Para André Remígio, administrador de um grupo de uma rede social que congrega conservadores e restauradores, esta situação "é mais grave que o caso da Dona Cecília" Giménez , em Espanha, que repintou por livre iniciativa um quadro do século XIX, sem habilitações para tal.
"Essa era inocente e fez o melhor que sabia. Aqui, há outros contornos", sublinha, afirmando que Miguel Vieira Duque pintou as esculturas "como se fosse bricolage", transmite "conhecimentos completamente patéticos" e "apaga a História".
Basílio Martins, tesoureiro da Irmandade da Nossa Senhora das Preces, entidade que gere o espaço, conta que está "satisfeito" com o trabalho de restauro, relembrando que "estava tudo estragado, com rachadelas, esculturas sem dedos e sem olhos".
"Não temos nenhuma acusação a fazer sobre isto", disse à Lusa, salientando que "os próprios peregrinos dizem que é uma pena o resto do santuário não estar assim" restaurado.
O tesoureiro da irmandade explicou que "o santuário vive pobremente", admitindo que, se houvesse dinheiro, gostaria de ver o mesmo tipo de restauro nas restantes capelas.
O santuário, localizado na freguesia de Aldeia das Dez, tem cerca de 60 esculturas espalhadas pelas capelas, todas elas "a precisar de restauro", informou.
Segundo Basílio Martins, foram gastos cerca de 10 mil euros com o trabalho de restauro efectuado em 2007, tendo sido recuperadas 13 esculturas, todas elas do século XIX, de tamanho natural, que recriam a Última Ceia, com Jesus e os 12 apóstolos.
Miguel Vieira Duque, contactado pela agência Lusa, sublinhou que, apesar de os alunos terem participado em todas as fases da restauração, o trabalho é da sua responsabilidade.
"O resultado final enche-me de orgulho", disse, informando que trabalha no ramo do restauro "há 22 anos" e que "nunca" tinha estado numa situação semelhante.
O também responsável pelo Museu da Fundação Dionísio Pinheiro, em Águeda, afirmou que as imagens divulgadas na comunicação social "não são fidedignas" e que está "aberto a críticas". Contudo, não compactua "com perseguições pessoais".
SIMPLESMENTE PATÉTICO, ASSIM VAI O MEU PAÍS!
PERDOAI SENHOR QUE NÃO SABEM O QUE FAZEM.
O escritor João Tordo publicou no seu blogue uma carta ao pai, o músico Fernando Tordo, que, aos 65 anos, emigrou para o Brasil. É um testemunho comovente que aqui reproduzimos na íntegra.
ResponderEliminarOntem, o meu pai foi-se embora. Não vem e já volta; emigrou para o Recife e deixou este país, onde nasceu e onde viveu durante 65 anos.
A sua reforma seria, por cá, de duzentos e poucos euros, mais uma pequena reforma da Sociedade Portuguesa de Autores que tem servido, durante os últimos anos, para pagar o carro onde se deslocava por Lisboa e para os concertos que foi dando pelo país. Nesses concertos teve salas cheias, meio cheias e, por vezes, quase vazias; fê-lo sempre (era o seu trabalho) com um sorriso nos lábios e boa disposição, ganhando à bilheteira.
Ontem, quando me deitei, senti-me triste. E, ao mesmo tempo, senti-me feliz. Triste, porque o mais normal é que os filhos emigrem e não os pais (mas talvez Portugal tenha sido capaz, nos últimos anos, de conseguir baralhar essa tendência). Feliz, porque admiro-lhe a coragem de começar outra vez num país que quase desconhece (e onde quase o desconhecem), partindo animado pelas coisas novas que irá encontrar.
Tudo isto são coisas pessoais que não interessam a ninguém, excepto à família do senhor Tordo. Acontece que o meu pai, quer se goste ou não da música que fez, foi uma figura conhecida desde muito novo e, portanto, a sua partida, que ele se limitou a anunciar no Facebook, onde mantinha contacto regular com os amigos e admiradores, acabou por se tornar mediática. E é essa a razão pela qual escrevo: porque, quase sem o querer, li alguns dos comentários à sua partida.
Muita gente se despediu com palavras de encorajamento. Outros, contudo, mandaram-no para Cuba. Ou para a Coreia do Norte. Ou disseram que já devia ter emigrado há muito. Que só faz falta quem cá está. Chamam-lhe palavrões dos duros. Associam-no à política, de que se dissociou activamente há décadas (enquanto lá esteve contribuiu, à sua modesta maneira, com outros músicos, escritores, cineastas e artistas, para a libertação de um povo). E perguntaram o que iria fazer: limpar WC e cozinhas? Usufruir da reforma dourada? Agarrar um "tacho" proporcionado pelos "amiguinhos"? Houve até um que, com ironia insuspeita, lhe pediu que "deixasse cá a reforma". Os duzentos e tal euros.
Eu entendo o desamor. Sempre o entendi; é natural, ainda mais natural quando vivemos como vivemos e onde vivemos e com as dificuldades por que passamos. O que eu não entendo é o ódio. O meu pai, que é uma pessoa cheia de defeitos como todos nós – e como todos os autores destes singelos insultos –, fez aquilo que lhe restava fazer.
Quer se queira, quer não, ele faz parte da história da música em Portugal. Sozinho, ou com Ary dos Santos, ou para algumas das vozes mais apreciadas do público de hoje – Carminho, Carlos do Carmo, Mariza, são incontáveis –, fez alguns dos temas que irão perdurar enquanto nos for permitido ouvir música.
Pouco importa quem é o homem; isso fica reservado para a intimidade de quem o conhece. Eu conheço-o: é um tipo simpático e cheio de humor, que está bem com a vida e que, ontem, partiu com uma mala às costas e uma guitarra na mão, aos 65 anos, cansado deste país onde, mais cedo do que tarde, aqueles que o mandam para Cuba, a Coreia do Norte ou limpar WC e cozinhas encontrarão, finalmente, a terra prometida: um lugar onde nada restará senão os reality shows da televisão, as telenovelas e a vergonha.
Os nossos governantes têm-se preparado para anunciar, contentíssimos, que a crise acabou, esquecendo-se de dizer tudo o que acabou com ela. A primeira coisa foi a cultura, que é o património de um país. A segunda foi a felicidade, que está ausente dos rostos de quem anda na rua todos os dias. A terceira foi a esperança. E a quarta foi o meu pai, e outros como ele, que se recusam a ser governados por gente que fez tudo para dar cabo deste país – do país que ele, e milhões de pessoas como ele, cheias de defeitos, quiseram construir: um pa
Continuação.
ResponderEliminarNão queremos mudar. Queremos esta miséria, admitimo-la, deixamos passar. E alguns de nós até aí estão para insultar, do conforto dos seus sofás, quem, por não ter trabalho aqui – e precisar de trabalhar para, aos 65 anos, não se transformar num fantasma ou num pedinte –, pegou nas malas e numa guitarra e se foi embora.
Ontem, ao deitar-me, imaginei-o dentro do avião, sozinho, a sonhar com o futuro; bem-disposto, com um sorriso nos lábios. Eu vou ter muitas saudades dele, mas sou suspeito. Dói-me saber que, ontem, o meu pai se foi embora.
Que raio do coisa. Desconhecia.
ResponderEliminarObrigado. Também desconhecia. Muito bom mesmo.
ResponderEliminarÉ importante salientar que o estudo aponta os exemplos da Finlândia e do Japão e a homogeneidade da escola pública. Há nesses países investimento em qualidade que tem em conta diferenças sociais. A questão é que em Portugal e mesmo com a flagrante evidência dos estudos, nada do que neste momento acontece no país será posto em causa...
ResponderEliminarNós é mais roda quadrada...
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