segunda-feira, 4 de maio de 2015

o mercado escolar está a nivelar muito por baixo

 


 


  


 


Mesmo que se veja boa fé nas teses de mercado total de Milton Friedman, a conclusão é óbvia: as ideologias totalitárias, do capitalismo selvagem ao comunismo, "esquecem-se" da natureza humana e originam desastres humanitários ou atingem objectivos contrários aos enunciados.


 


É evidente que a escola devia estar fora do mercado total. Para além da sua histórica natureza organizacional assentar na regra, na finalidade, na exigência e em processos de inovação e de emancipação social, o também eterno confronto entre a pedagogia e o senso comum não deve ser mercantilizado, porque o risco de sobreposição do segundo é elevado e relega o efeito de elevador social ou de gerador de igualdade de oportunidades do primeiro para uma ordem muito secundária.


 


É exactamente esse nivelamento por baixo que está a tomar conta do sistema escolar português, existindo concelhos em que a lei do mercado para obter alunos origina um vale tudo. É só dar asas à imaginação e ao conhecimento para presenciar comportamentos impensáveis, nomeadamente onde as ideias de desregulação originam desvios inclassificáveis que adulteram a deontologia dos profissionais da Educação em prejuízo de alunos e encarregados de educação.


 


São muitos os que apontam os exemplos nórdicos. Na Finlândia, com cerca de um século de independência, os professores são independentes de qualquer tutela, mesmo que inspectiva ou avaliativa, uma vez que a acção pedagógica lhes foi conferida pela sociedade para uma espécie de "evangelização" nos ideais de unidade nacional depois de séculos de ocupação: sueca durante mais tempo e russa num exercício temporal muito inferior.


 


Os finlandeses optaram claramente pelo primeiro vector no confronto da pedagogia com o senso comum. Já os seus invasores suecos, e depois de conviverem mais de um século sem analfabetismo, acharam-se em condições de estabelecer um mercado total. O desastre já foi assumido e o processo de "nacionalizações" em curso devia ser bem estudado.


 


 


 1ª edição em 7 de Julho de 2014

11 comentários:

  1. Este blog é fabuloso, a leitura dos textos, dos títulos, a escolha dos cartoons lavam a alma.

    Parabéns!

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  2. Portugal não cria cidadãos, cria súbditos – Boaventura de Sousa Santos

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  3. também temos submissos e inércios ...

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  4. Em terra de cego quem tem um é rei, e quem tem dois olhos estar lixado! ...

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  5. ...quem quer escolinha privativa, que pague com o seu dinheirinho,cnão com o dos contribuintes...Tá? Vão ver como acaba esta pouca vergonha...

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  6. Espero que a investigação vá mesmo até ao fim e que se consiga provar tudo aquilo que em tempos a jornalista Ana Leal mostrou ao país, e que este governo não quis ver. Assiste-se a medo, conivência, precaridade, falta de lealdade entre professores, assim como em alguns que estão em acumulação em colégios e noutros sítios e tiram a possibilidade a outros mais novos de trabalhar. Por tudo isto e mais as contrapartidas milionárias que têm tido do bolso de todos nós, espero bem que as investigações vão até ao fim e que sejam responsabilizados e obrigados a repor tudo.

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