terça-feira, 18 de dezembro de 2018

A burocracia mais de uma década depois

 


 


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José Gil (2005:44) escreveu assim: 



“(...)Em contrapartida, somos um país de burocratas em que o juridismo impera, em certas zonas da administração, de maneira obsessiva. Como se, para compensar a não-acção, se devesse registar a mínima palavra ou discurso em actas, relatórios, notas, pareceres – ao mesmo tempo que não se toma, em teoria, a mais ínfima decisão, sem a remeter para a alínea x do artigo y do decreto-lei nº tal do dia tal de tal mês do ano tal.(...)”




E mais à frente, Gil (2005:57), sublinha: 



“(...)duplo regime que vigora em serviços de toda a ordem. Ora se tenta inscrever freneticamente tudo, absolutamente tudo em actas, para que nada se perca, ora reina a maior negligência nos arquivos que ninguém consulta nem consultará (espera-se).(...)”



 




Gil, J. (2005). Portugal, hoje. O medo de existir.
Lisboa: Relógio D´Água


 


(É um livro de 2005 e confirmamos, com muita


frequência, o duplo regime. Quem diria que este


retrato nos levaria a mais uma bancarrota e que


o regime burocrático se tem acelerado.)

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