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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Da encruzilhada a partir do Charlie Hebdo

 


 


 


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Basta googlar por "Noruega mesquitas" para se encontrar informação sobre o assunto.


 


Desde a viragem do milénio que a integração (no sentido das polémicas em curso) de outros povos na Europa é muito discutida. No relatório de Jacques Delors, 1998,  "A educação - um tesouro a descobrir", as questões do multiculturalismo e do relativismo cultural tiveram uma abordagem interessante e polémica.


 


Defendeu-se que o fenómeno do multiculturalismo contribuiu, na Europa, para acentuar as bolsas de "ghetização" com as consequências conhecidas. Invocou-se como negativa a preservação a todo o custo das matrizes culturais de origem por parte das comunidades imigrantes que se foram "ghetizando". Os resultados estão aí.


 


Em alternativa, o relatório propôs a ideia de interculturalidade, através da educação, para a "normalização" de costumes que assentassem num valor primeiro: a liberdade entendida como impossibilidade de invasão no espaço de liberdade do outro.


 


É neste patamar de discussão que se coloca a questão dos "véus escolares" ou dos templos religiosos.


 


Estamos numa encruzilhada?


 


Claro que estamos e perdemos muito tempo na Europa. Mas só há uma solução: tolerância, determinação na defesa dos nossos valores, muita persistência e uma corajosa atitude de não desistência. Quem chega deve respeitar os valores vigentes. A história não deve registar um qualquer caminho de luta pela liberdade que se tenha feito só com vitórias e sem vítimas brutais e injustiçadas. É assim a natureza humana e os tempos nunca mudam tão depressa: só o afastamento histórico nos permite perceber melhor as épocas que fomos vivendo.


 


 


 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

o "charlie hebdo", as manifestações e o poder mediático

 


 


 


 


 


Impressionou-me ver milhões de pessoas a manifestaram-se, ontem, em Paris, em defesa da liberdade e da democracia e a afirmarem que é inalienável a matriz que nasceu na Grécia.


 


Mas a marcha pela República deixou-me com sentimentos contraditórios. Já passei por algo semelhante em manifestações históricas e em que vi, uns dias depois, milhares desses manifestantes a "desobedecerem", sem surpresa, é certo, ao compromisso em nome dos interesses mesquinhos. Claro que os da fila da frente se sentiram ainda mais autorizados para também falharem os compromissos.


 


Só que ontem a contradição foi mais profunda. Políticos da família de Merkel ou Juncker a desfilarem com aqueles propósitos permite registar a forma oportunista como o poder vigente surfa a resposta dos cidadãos que têm sido vítimas das políticas austeritaristas. A fila da frente tinha ainda personagens com uma história recente de arrepiar. Foi uma encenação organizada com o poder mediático. Amanhã regressam à cartilha. Os profissionais do Charlie Hebdo considerariam isto uma nova morte e era tremendamente injusto.


 


Embora presente por breves minutos, é certo, a fila da frente podia integrar, mesmo que como convidada especial, uma manifestação da ausente Frente Popular ou empunhar um cartaz do Goldman Sachs ou do grupo de Bildeberg. Poucos estranhariam. Esta liderança europeia, fraca com os fortes (e com os comprovadamente corruptos) e impiedosa com os fracos, parece capaz das mais sofisticadas coreografias.


 


Seguem-se duas fotos com ângulos diferentes da fila da frente. Apenas para que conste.


 


 


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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

da blogosfera - a educação do meu umbigo

 


 



As hipocrisias do unanimismo em torno da Charlie Hebdo


 



 


E até se torna risível ler que em Portugal não há terrorismo porque não há fanatismos, clubismos e outros ismos. Ainda recentemente, e numa matéria que devia exigir imparcialidade, percebi que em Portugal impera, com toda a naturalidade, a discriminação "tipo palestiniano"; e é aceite por diversos quadrantes. Mas isso fica para outro post.


 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

charlie hebdo e amos oz

 


 


 


 


Os casos como o do Charlie Hebdo, e os fanatismos que o envolvem, remetem-nos sempre para o conflito eterno: o de israel com a palestina. E quem melhor do que Amos Oz pode ajudar a compreender o fenómeno? Antes da sua sapiência, importa sublinhar que o caso Charlie Hebdo terá muito mais de crime do que de fanatismo religioso ou ideológico. Aliás, existe fanatismo a partir das religiões com livro e a associação com criminosos tem sido conhecida em todas elas.


 


Mas os ensinamentos de Amos Oz são sempre úteis.


 



"(...)O que precisamos é de chegar a um acordo, a um compromisso doloroso. E a expressão "chegar a um acordo, a um compromisso" tem uma reputação nefasta na sociedade europeia. Especialmente entre os jovens idealistas, que continuam a achar que chegar a um acordo é oportunismo, algo desonesto, algo astucioso e obscuro, um sinal de falta de integridade. Não no meu vocabulário. Para mim, a expressão "chegar a um acordo" significa vida. E o contrário de chegar a um acordo não é idealismo nem evolução; o contrário é fanatismo e morte. Precisamos de chegar a um acordo, a um compromisso, não de chegar à capitulação. O que significa que os Palestinianos jamais se deveriam ajoelhar. Nem tão pouco os judeus.(...)"



 



Amos Oz, "contra o fanatismo", 


página 41, edições ASA.



  


Já li várias vezes este pequeno livro de Amos Oz. Encontro sempre mais qualquer coisa nesta prosa tão lúcida, tão humana e tão corajosa. Há um aspecto que ressalta do conflito que preocupa Amos Oz: a guerra que ele tenta ajudar a terminar, eterniza-se.


 


E por que é que isso acontece? Desde logo, porque os mais fortes não querem perder as suas conquistas e porque os mais fracos vão acumulando tantas derrotas que depois só se satisfazem com a vitória definitiva e total; e quanto mais o tempo passa, mais esse sentimento se acentua; tanto nessa como noutras guerras.


 


 


 


 

do charlie

 


 


 


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