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sábado, 4 de fevereiro de 2017

quarta-feira, 23 de abril de 2014

da homenagem a António Marques Júnior, dos silêncios e da crise da democracia

 


 


 


 


 



 


 



 


 



 


Foi bonita e cheia de significado a homenagem de ontem, no parlamento, ao "Deputado Capitão de Abril" António Marques Júnior. As intervenções foram interessantes, mas registei a de Vasco Lourenço. "(...)Em nome dos capitães de Abril, Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril, recordou um dos seus "maiores amigos da vida", mas declarou que Marques Júnior foi "maltratado em vida" e "não foi aproveitado como devia ser".(...)" é o destaque do Público.


 


 



 


 


 


Mas Vasco Lourenço disse mais e foi contundente. Marques Júnior faleceu em 31 de Dezembro de 2012 e presidia ao Conselho de Fiscalização do Sistema de Informações, o conhecido SIS. Como todos se recordam, até essa data o SIS abria os telejornais, era objecto das mais variadas desconfianças e tinha sérios problemas de fiscalização. Após o falecimento de Marques Júnior imperou o silêncio e desapareceu o "massacre mediático". Ou seja, e segundo Vasco Lourenço, o "Deputado Capitão de Abril" era o "problema" que importava resolver. As afirmações do presidente da Associação 25 de Abril são factuais e os familiares e amigos de Marques Júnior confirmam a saturação e o sofrimento causado pela situação vigente na democracia portuguesa.


 


 



 


 


 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

eduardo prado coelho (reedição)



 



Tive o privilégio de passar um bom bocado da tarde na praia da Foz do Arelho. Mais um dia limpo neste Outubro cheio de sol, embora um bocado ventoso: a forte corrente de ar convidou-me a reduzir para metade a caminhada junto ao mar e empurrou-me para uma das esplanadas. Tinha comigo o livro de Hannah Arendt "Entre o passado e o futuro, oito exercícios sobre o pensamento político" e o jornal Público: dei comigo à procura do "fio do horizonte" do saudoso Eduardo Prado Coelho.


 


Devo confessar que não há dia em que pegue no jornal e não me lembre de Eduardo Prado Coelho, mas, e desta vez, foi mesmo na convicção que começaria a leitura do jornal pela página três do caderno P2. Em vão, como se sabe.

Não sei encontrar explicações precisas para estes fenómenos, mas tenho bem presente que cruzei-me diversas vezes nestes mesmos locais com Eduardo Prado Coelho: observava o escritor, sempre rodeado de livros e a escrever ou a caminhar de um modo muito característico ou a realizar umas curtas corridas (sempre nas pontas dos pés, num jeito que evidenciava uma conhecida desabituação): hoje, a praia estava vazia e a esplanada também; talvez por isso, nem sei, desejei que o tempo recuasse.

Tenho por Eduardo Prado Coelho uma enorme admiração. Assisti a conferências, li alguns dos seus livros e saboreei imensas crónicas  na imprensa escrita.

Lembro-me bem da primeira vez que falei com ele. Não me recordo do ano mas tenho a certeza que foi no início da década de noventa do século passado.


 


Desafiei um amigo e fomos assistir a duas conferências sobre corporeidade na Faculdade de Motricidade Humana, na Cruz Quebrada. Os conferencistas prometiam - e ultrapassaram largamente as minhas mais optimistas expectativas - : Eduardo Prado Coelho e José Bragança de Miranda.

O edifício da faculdade está integrado numa zona verde lindíssima e a manhã estava calma.
Chegámos cedo: o átrio do anfiteatro encontrava-se, ainda, quase vazio mas Eduardo Prado Coelho já lá estava. O meu amigo conhecia-o e iniciámos uma interessante conversa a propósito dos estudos que esse meu companheiro estava a desenvolver. Por momentos, recordo-me de ter pensado: vai ser muito curioso ouvir Eduardo Prado Coelho - não devia medir mais do que um metro e cinquenta, mas pesava muito acima do recomendado para a sua altura - conferenciar numa escola, que estuda, entre muitas outras coisas, o modo de se obter a excelência no desempenho corporal.


 


Foi só esperar um bocado. Quando Eduardo Prado Coelho partiu para o que tinha a dizer, tive o privilégio de ouvir, com uma voz deliciosa e com uma ímpar sabedoria, a conferência mais marcante sobre o tema: encheu a sala, durante cerca de duas horas, com uma suavidade arrebatadora.
 


(texto escrito em 27 de Outubro de 2007)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

das opções e da história

 


 


 


 


 


Eduardo Lourenço defende "a trasladação do corpo do capitão de Abril Salgueiro Maia para o Panteão Nacional" como homenagem ao 25 de Abril.


 


A história deste capitão de Abril está também marcada pela recusa, do então primeiro-ministro, de uma pensão por serviços excepcionais e relevantes prestados ao país. A não atribuição tem 20 anos e quando olhamos para as benesses ilimitadas de tanta gente neste regime, e a começar pela corte de recusante Cavaco Silva, ficamos perplexos não só com a decisão mas também com a opção popular de erguer o referido primeiro-ministro a presidente da República. O argumento eleitoral mais forte foi sempre o desdém pelos políticos e os primados do rigor, das finanças e da economia. Os resultados a que chegámos duplicam a perplexidade com as escolhas da nação e até Salgueiro Maia se deve enjoar com tantas homenagens póstumas; esta última frase não inscreve qualquer discordância com a opinião de Eduardo Lourenço.  


 


 


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

in memoriam

 


 


Manda-me o dever da memória resgatar a merecida homenagem ao capitão de Abril Vitor Alves, cuja morte, ocorrida poucas horas antes das de um cronista cor-de-rosa, foi eclipsada por esta do espaço mediático.


De novo, parece que é mais fácil vender a alma por um prato de lentilhas que, após consumidas, vão desaguar na cloaca do esquecimento, do que dirigir o olhar para aqueles que se afirmaram no palco da nossa história recente como figuras exemplares de nobreza, de inteligência e de coragem.


Vitor Alves foi uma dessas figuras, como o facto que relato, que directamente me implicou, confirma.


Vitor Alves foi o primeiro ministro da Educação de Abril. No ano lectivo 1975/76, apresentei-me a concurso como professor provisório. Ora, o ano escolar começara em Outubro, os dias iam passando, depois os meses e eu não era colocado. Talvez lá para Dezembro, fui a Lisboa ao departamento do Ministério relacionado com os concursos para saber o que se estava a passar. Vi então com estes olhos como, espalhados nos corredores, muitos boletins de inscrição no concurso se amontoavam, à espera de quem os processasse. Fiquei alarmado e a esperança de que a sorte me bafejasse ficou seriamente abalada. Fui entretanto sabendo que as colocações iam decorrendo e passou Janeiro até que, nos fins de Fevereiro de 1976, recebi um telefonema do Liceu de Leiria para me apresentar ao serviço. Fi-lo a 3 de março. Entretanto, quando me foi processado o primeiro pagamento, fui informado de que iria ser rembolsado a partir do ano escolar, com contagem desse tempo como tempo de serviço. Fiquei supreendido primeiro, depois reconhecido pelo gesto e mais estimulado para continuar a minha actividade docente. Ainda agora guardo comigo o diploma que determinou esta medida: o Decreto nº 202/76, de 20 de Março.


Como disse, Vitor Alves era o timoneiro da pasta da Educação. Embora não saiba que papel lhe coube nesta reposição da justiça, é ele o principal rosto da mesma. Daqui lhe quero, por todos os que dela beneficiaram, render-lhe o meu agradecimento e a minha homenagem, embora póstuma.


Oxalá hoje se olhe de novo com esperança e com ternura para esse tempo, que, não sendo já o nosso, ainda nos pode alumiar os caminhos árduos que temos de percorrer.


 


 


Vasco Tomás

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

homenagem

 


 


 


 


 


 


 


Uma consequência dos tempos devastadores que se viveram nos últimos anos na Educação, e por paradoxal que pareça, foi a imensa alegria com que os professores recebiam o seu papel da reforma. Foi tal a vontade de fugir, mesmo com penalização, que as justas homenagens ficaram "esquecidas".


 


 


 


 


Na primeira metade da década de noventa estive muito ligado ao desporto escolar onde tive a grata oportunidade de conhecer grandes profissionais e de estabelecer amizades para a vida.


 


 



 


 


Nesse grupo de dupla significação, inclui-se o Leonel Alexandre Tomás Cardoso, o Néné. Quando se reformou, já lá vão uns anitos, teve a merecida homenagem organizada pelos professores da sua escola. Mas no dia 10 de Novembro de 2009, a estrutura do desporto escolar quis atribuir-lhe um justíssimo prémio especial.


 


Não estive presente, mas gostei de ver as imagens do evento que partilho neste post.